semtelhas @ 14:24

Seg, 22/06/15

 

Quantos segredos foram desvendados, guerras iniciadas, impérios destruídos, inventos vislumbrados, suicídos cometidos, livros escritos, caminhos escolhidos, e sei lá que mais fruto da sedução? Desde os primeiros tempos que a arte de seduzir controla o futuro dos homens e a tendência não é diminuir. Quem pode ignorar que tantas vezes é essa mistura explosiva entre o charme e a sedução, mais que outra coisa qualquer por muito óbvia que seja, a ditar a eleição de presidentes ou a opção por estratégias duvidosas.

 

Há no entanto um género de sedução que todas as outras supera, a praticada por uma mulher, tanto mais potenciada quanto ela mais corresponda aos ideais imaginados. Espécie de essência do fenómeno é nessas circunstâncias que o seu efeito é mais avassalador em todos os aspetos, nomeadamente na sua faceta de necessidade imediata, mas também na forma como resiste ao tempo. Quando à beleza é somada a capacidade de através de um olhar, de um quase impercetível gesto, de uma palavra ou da sua ausência, daquela peça de roupa que se usa, da postura, da inteligência, transmitir uma sensação de vontade, de disponibilidade, de urgência, de interesse, então a magia realmente acontece. Quem é irrevogavelmente seduzido é transportado levitando a um qualquer lugar paradisíaco que mora algures no fundo de todas as consciências racionais, mais, algo que procuramos incessantemente durante toda a vida e pelo qual estamos dispostos a dá-la. Uma dir-se-ía total irracionalidade que mais não é que a libertação da razão que a todo o momento nos aprisiona e sufoca, e contra a qual na verdade, dela fugir, decorre boa parte da existência.

 

Tive a felicidade de experimentar este sentimento arrebatador algumas vezes e em várias circunstâncias, sendo que na maior parte delas consegui disfrutá-lo satisfatóriamente quando não concretizá-lo mesmo até aos limites da sua durabilidade. Houve porém outros casos em que isso era impossível, daquelas impossibilidades práticas como, por exemplo, quando jovens nos apaixonamos por um personagem de um filme. No caso ela era muito bonita mas sobretudo de uma sensualidade insuperável, à qual acrescentava nas medidas e critérios absolutamente exatos uma malícia profunda e devastadora. No filme, quando entra em determinada casa, pura e simplesmente conquista, sem dó nem piedade, o coração e os mais intímos apetites de todos os machos que nela viviam. Claro que a realização da fita é de grande mestria, mas é evidente que boa parte daquilo tudo, uma autêntica viagem pelos mais recônditos sonhos do que possa ser um paraíso, se devem à fabulosa atriz. Chamava-se Laura Antonelli e morreu hoje, mas na minha mente continuará a viver tão bela e presente como sempre, e enquanto eu tiver memória.

 

 

 

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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