semtelhas @ 11:52

Ter, 25/11/14

 

Ninguém escapa à morte, processo que se inícia exatamente no momento em que se nasce. A maior ou menor tomada de consciência desse facto, eventualmente contribuirá para a intensidade com que se vive. Resta no entanto o essencial, como se vive. É desse pequeno/grande pormenor que escreve Sandor Marai no seu livro A Irmã.

Abordando a questão pelo lado menos óbvio, o daqueles que tentam fazer da vida uma exaustiva busca da perfeição, explica que nem mesmo, ou sobretudo estes, logram fazer da sua existência uma passagem tranquila. Neste caso específico porque gastam-na tentando aperfeiçoar algo até ao limite, uma busca constante e totalmente mobilizadora que não deixa espaço para a fruição do lado bom da vida. O fenómeno é tanto mais chocante quanto a grande parte destas pessoas, nomeadamente as ligadas à arte, fazem-no oferecendo aos outros precisamente isso, ou seja uma das suas facetas sob forma artística que a torna mais suportável, levando esse seu objetivo tão longe, que não lhes sobra tempo para que eles próprios a vivam satisfatóriamente.

O meio utilizado para transmitir a mensagem é o mais eloquente possível, a demonstração da degradação pela via da desistência, pelo exaurir da vontade, a instalação da pior das doenças, a de querer morrer. Hoje o estudo das doenças psicossomáticas explica muito daquilo que o autor procura transmitir em pleno decurso da segunda guerra mundial, aliás ao longo da História da humanidade esse valor etéreo, que com o passar do tempo se foi tornando menos místico e mais científico, sempre sentido e nunca explicado, espécie de força interior que pode fazer toda a diferença na hora de escolher entre a vida e a morte, foi omnipresente.

Neste livro, para além da fortíssima mensagem, interessa a forma como é passada, porque é precisamente daí que lhe vem a sua maior força e virtude. Quantas boas mensagens se perdem por não serem transmitidas da melhor maneira? Os exemplos escolhidos são os ideais, e a mestria com que os meios, leia-se as palavras, são trabalhados levam o leitor às conclusões nas asas dos sentimentos mais bonitos, o amor, a beleza, a solidariedade, a arte, a virtude, o total despojamento, mas sistemáticamente postos à prova pelo desafio de ter que enfrentar descrições perfeitas, lá está! a perfeição!, uma clara assunção autobiográfica, de tenebrosas viagens aos infernos da dor. 

 

 

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
procurar
 
comentários recentes
Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes er...
Este mercado de transferências de futebol tem sido...
O Benfica está mesmo confiante! Ou isso ou o campe...
Goste-se ou não, Pinto da Costa é um nome que fica...
A relação entre Florentino Perez e Ronaldo já deve...
tmn - meo - PT"Os pôdres do Zé Zeinal"https://6haz...
A azia de Blatter deve ser mais que muita, ninguém...
experiências
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim