semtelhas @ 11:32

Dom, 07/06/15

 

DIZ UM MACHISTA

 

Por muito tempo que passe não consigo habituar-me a este fenómeno, é como tal que o sinto, refiro-me à forma como este pessoal jovem (quando) se relaciona, sim porque cada vez mais não o faz isolando-se via headphones, ou digitando furiosamente num aparelho de ultima geração. De uma maneira geral porque, enquanto falam uns com os outros, parece darem a entender estarem sempre ocupados com outra coisa, como se o contacto com o outro seja relegado para um plano secundário, algo de importância inferior, talvez assim, com essa minimização, procurando desde logo obter uma qualquer vantagem neste insano mundo concorrencial, como quem diz, "calma, se não estiveres interessado(a) não falta quem esteja", ou, pior, "estou-me marimbando para a tua opinião". No entanto acredito que bem no fundo essa postura, como qualquer outra quando agressiva, seja por excesso ou por defeito, na verdade corresponde a uma grande insegurança, quem está bem consciente da sua posição encara os desafios de frente, olhos nos olhos. Talvez este comportamento derive do muito mais amplo facto de hoje, particularmente aos mais jovens, ser exigido fazerem muitas coisas ao mesmo tempo, ou a tal estarem habituados desde tenra idade, com isso sofrendo o poder de concentração e o aprofundamento seja do que for. 

 

É precisamente na sequência deste efeito mais vasto que penso resultar uma outra realidade, talvez aparentemente com menos peso, mas igualmente bastante castradora de um relacionamento saudável, que é a interação entre os dois sexos.Tenho para mim que em nome de uma igualização com origem em várias frentes, seja na área da vida profissional, do convivío familiar, ou da vida em sociedade, se está a perder uma das essências da vida, a sua pedra filosofal, a razão motivadora de tudo, a clara assunção da noção de diferença. A louca deriva igualitária está a tirar o "sal e a pimenta" à existência. Muito mal substituída por todo um mundo virtual onde o faz de conta é cada vez mais um "rei que vai nú", tal postura está a conduzir a um vazio cada vez maior, sustentado por lucrativos artificíos como as redes sociais, ou o puro e simples consumo de todo o tipo de drogas mais convencionais, legais ou não. Uma das circunstâncias onde é possível observar o fenómeno é na forma como, por exemplo, um rapaz e uma rapariga reagem nos primeiros encontros. Onde antes a fragilidade e o recato daquela, na verdade uma posição de poder, e a disfarçada subserviência dele, na realidade um trabalho de predador, dando ao momento um glamour e uma sensação de proibido, de mistério, que tornava tudo aquilo incrivelmente romântico e, consequentemente, verdadeiramente profundo e duradouro porque rodeado por uma aura, e efetivamente, de dificíl conquista, sistemáticamente posta à prova,  hoje encontra-se um pragmatismo liso, sem obstáculos, um vazio que aos poucos está a transformar radicalmente as relações, muita vezes até invertendo os papeis, algo contranatura e verdadeiramente desmotivador, assim fragilizando as pessoas ao longo da sua vida tornando-as, cada vez mais cedo, cínicas e amarguradas, perante um dia a dia que percecionam sem sentido.

 

BALNEÁRIO DO GUIMARÃES

 

Ver pessoas ditas normais, pelo menos de aspeto, aquelas com as quais interagimos e a todo momento nos cruzamos, a elas nos consideramos iguais, para o bem e para o mal, a tranquilamente encherem enormes sacos de tudo o que está à mão apesar de não lhes pertencer, nem fazerem a menor intenção de as pagar, é algo que chocou muito mais do que se estava à espera. É que, em teoria tudo imaginamos e, cobrindo a coisa com esse nevoeiro muito próprio das coisas irreais, quase tudo é suportável. Acontece que o que aquela câmara de filmar mostrou vai muito mais longe dentro de cada um de nós que as simples imagens que passam. É como se de repente toda uma série de pressupostos em que todos fingimos acreditar caíssem por terra, e nos vissemos a nós próprios ali a roubar descaradamente, sem qualquer vergonha. Num mundo em que as aparências ditam leis, tendemos a criar esteriotipos baseados muito mais no que parece do que no que é, por isso quando somos surpreendidos com situações daquelas é quase como se nos vissemos ao espelho, não necessáriamente por nos sentirmos capazes de também o fazer, mas pela profunda sensação de vergonha alheia, uma espécie da "cair do céu aos trambolhões" pela brutal assunção do quanto colaboramos naquilo, como somos intrinsecamente responsáveis pelo fenómeno, ainda que, na esmagadora maioria dos casos, essa participação seja consubstânciada pela indiferença, mas que nestas ocasiões sentimos culposa, porque, lá no fundo, não totalmente isenta de uma certa falta de pudor.

 

ADMIRÁVEL (?) ESPANHA

 

Só após as próximas eleições legislativas vai ser possível perceber a dimensão do terramoto políticosocial que está acontecer em Espanha. Não é que ter à frente das duas principais cidades do país gente desligada dos tradicionais partidos representantes da direita e da esquerda, seja de somenos importância. Ou que, desse facto, até porque os emergentes correspondem, também cada um deles, aos dois lados do costume, se possa inferir virem a acontecer mudanças radicais. Sequer o facto de estarem a beneficiar da "cobaia de serviço" que são a Grécia e o Syrisa. Mas exatamente pela soma de tudo isto.

 

Depois deste passo, daqui a uns meses, quando os espanhois elegerem quem vai conduzir os seus destinos para os quatro anos seguintes, aí sim, pode mesmo acontecer qualquer coisa de novo, é que, como em tudo que é realmente novo, as dúvidas vão ser muitas, e é precisamente na resposta a estas que poderá vir residir o tal motivo de admiração...ou não. Se se pensar no que atualmente se passa na Grécia, a constatação de que a única solução é mais do mesmo ou...mais do mesmo, simplesmente mudando de lado no tabuleiro da geoestratégica política europeia e, consequentemente mundial, por um lado, e por outro olhar para todos os lados e perceber que o bipartidarismo clássico continua a dominar largamente: EUA, Reino Unido ainda que menos claramente, e boa parte das democracias por esse mundo fora, então percebe-se será preciso muita coragem para apostar numa solução diferente. Se daqui até lá os vencedores das eleições locais espanholas mantiverem a sua faceta marcadamente independente dos partidos tradicionais, um sério apelo à cidadania jamais feito desde há muito tempo, então estaremos perante uma verdadeira mudança de paradigma. Principalmente porque a isso corresponderá ter que desmontar uma imensa teia de interesses, laboriosamente tecida ao longo de muitas décadas, impondo-se à partida duas enormes questões: como vai reagir o poder desalojado, não só o político mas sobretudo o que dele depende e dele intrínsecamente faz parte, nomeada e obviamente os "donos" de Espanha? E estarão os vitoriosos movimentos cívicos à altura de tão grande desafio? Na resposta a estas perguntas residerá, eventualmente, boa parte daquilo que poderá vir a ser o nosso futuro comum.

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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