semtelhas @ 12:24

Seg, 22/12/14

 

O Fator Sorte

 

É costume convocarem-se uma série de lugares comuns quando se é bafejado pela sorte: que dá muito trabalho, que é o azar dos outros, ou, menos comum, que é o ponto de encontro entre a preparação e a oportunidade, e todas elas correspondem, de alguma maneira, à realidade. Veja-se por exemplo o caso da carreira do Benfica este ano na Liga. Seja porque normalmente, independentemente da qualidade com que o fazem, nunca se dão por vencidos, trabalham árduamente até ao limite, não raras vezes atingindo o seu objetivo já bem perto do fim da possibilidade de o conseguirem. Seja porque os adversários, alegando azar, dão repetidas demonstrações de incompetência, nomeadamente falhando oportunidades atrás de oportunidades para inverterem o rumo dos acontecimentos, ou, finalmente, porque, como dos fracos não reza a História, e face à evidente incapacidade dos oponentes, dão continuadas provas inequívocas de estarem preparados para agarrar todas as oportunidades que surjam, aproveitando a natural tendência protecionista de quem está por cima. O certo é que não será tanto pela perda do fator sorte que perderão o campeonato, mas sobretudo se os adversários mudarem alguma coisa no seu jogo, seja no nível de entrega, seja na competência em geral mas nomeadamente na eficácia.

 

O Sentido Cénico

 

O tempo terminara havia muito, mas Marcelo ainda teve tempo, voz embargada, parecendo prestes a desabar num pranto, para conseguir dizer a Judite de Sousa, Sei que este vai ser um Natal muito difícil para si..., ela olhou-o parecendo surpreendida, e não menos atrapalhada com os sentimentos que lhe invadiram a alma, respondeu, O pior...fico muito sensibilizada com a atitude do professor, e despede-se de quem está do outro lado do ecrã em evidentes dificuldades para articular as palavras. Ouve-se em crescendo a música indicadora do final do programa, enquanto as câmaras têm um movimento de afastamento dos protoganistas, para cima, dando-nos a imagem de ambos a trocar aquilo que parecem impressões de circunstância. Independentemente da genuinidade das pessoas eu pergunto-me, como é possível, tratando-se de assuntos tão delicados como é a morte de um filho, serem capazes daquele nível de frieza? O de por saberem estarem ser vistos por centenas de milhares de espetadores fazerem aquele número, para, segundos depois, mudarem para o modo normal? Não é fácil nem quero acreditar, que não obstante comunicar ser a génese da sua profissão, no caso da locutora, mas também do comentador pela sua natureza, estivessem a trabalhar nesse sentido, mas que pareceu...

 

A Armadilha

 

Pela primeira vez, pelo menos com semelhante visibilidade, o ocidente dobrou-se e caiu de joelhos perante uma ameaça terrorista. Ao anunciar não exibir o filme onde o líder norte-coreano é claramente ridicularizado a Sony, um dos ícones da civilização ocidental, ainda por cima através de atividade e num país que são eles próprios o paradigma de uma determinada noção de liberdade, abalou bem fundo as crenças que todos os dias sustentam boa parte daquilo que é o chamado estilo de vida ocidental. Por outro lado aos produtores de Hollywood terá faltado a sensibilidade de anteciparem que a perceção do que íam mostrar ao mundo, por parte daqueles que são objeto de ataque é completamente diferente da deles. Basta ver um daqueles vídeos do grande ou querido, ou lá o que é, líder a passear entre a população e assistir à histeria que se instala para compreender o nível da ofensa. E atenção! Aquela gente não é feita de uma massa diferente daquelas meninas e meninos que desesperaram a ver os Beatles, ou desmaiam a ouvir os Tokio Hotel. Por isso digamos que neste choque de culturas houve um ataque brutal e uma resposta à altura. Tudo bem se tivesse ficado por aqui. Acontece porém que, por medo? tomada de consciência? ou seja por que fôr uma das partes encolheu-se, provocando um eventual desiquilíbrio que pode fazer toda a diferença, abalando como abalou ou até acabando com esta espécie de paz reinante. Podre? Talvez, mas ainda assim seguramente preferível ao confronto aberto.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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