semtelhas @ 16:00

Qua, 26/11/14

 

Era uma vez um país onde se faziam muitas leis, era mesmo recordista!, mas ninguém verificava o seu cumprimento; no qual se vendiam mais telemóveis percapita do que em qualquer outro; também onde mais se vendiam jipes... para andar nas cidades; que, ao seu nível, sistemáticamente batia recordes de compra de carros novos, e, de entre estes, dos que mais adquiriam carros de luxo; era igualmente campeão entre os seus parceiros em vários itens, baixo nível de vida, maior diferença entre ricos e pobres, maior iliteracia, população que menos lê ou vai ao cinema; dos mais centralizadores; onde a justiça é mais complexa e demorada; com o maior consumo de antidepressivos, etc., etc.. Para além de tudo isto tem também características curiosas, como por exemplo ser aquele onde mais rápidamente penetram as chamadas novidades, sejam de que natureza forem, desde novas tecnologias, passando por programas televisivos, até às mais simples bugigangas. Ou, outra dessas características, o que normalmente mais concorrentes leva a concursos de novos inventos, e sobretudo aquele onde mais vezes, por tudo e mais alguma coisa, se tenta entrar no Guiness. 

 

Por outro lado, só quem nunca trabalhou numa fábrica, ou num escritório, sejam eles públicos ou privados, é que não se apercebeu de um outro fenómeno que lhe é muito habitual, a inevitável existência de uma pessoa, ou mais, depende das dimensões e das circunstâncias, espécie de lacaio. Algo profundamente enraízado e que funciona em camadas, ou seja, na organização de uma empresa estes espécimes evoluem em todos os níveis, isto é, há um bufo entre os empregados da limpeza que leva e trás ao chefe, outro, ou outros entre os operários, o mesmo no seio dos encarregados, até aos diretores, onde mora a mais refinada pidesca criatura de toda a organização.Todo este diabólico polvo é muito antigo, e óbviamente vai-se tornando mais refinado à medida que se sobe na importância da organização, desde a mais humilde oficina, até ao mais complexo ministério. É uma cultura. Os objetivos inconfessáveis de todo este mecanismo são sacar o máximo fazendo o mínimo possível, usando e abusando dos menos capazes sob todos os pontos de vista, recorrendo o mais dissimuladamente quanto a arte e o engenho dos procedimentos sem escrúpulos o permitam.

 

O histórico encaixe entre estas duas facetas do dito pacato povo desse país tem resultado em indígenas com esquisitas peculiaridades, pobres mas esbanjadores, ignorantes porém convencidos, treteiros por fora e sibilantemente persecutórios por dentro. Os efeitos estão à vista, uma mediocridade generalizada, tão antiga como uma epidemia endémica. E, ao contrário de para onde a tentação possa querer levar, o fenómeno cresce na razão diretamente proporcional à que se sobe na escala social. Onde mora mais mentira, pouca vergonha, falta de respeito pela dignidade humana, ausência de espírito de solidariedade, etc., é lá em cima, nas torres de marfim de onde emanam as ordens, os ventos que dominam e secam. Mesmo, ou talvez sobretudo, em momentos nos quais parece surgirem graves faltas de entendimento, que fazem supor o fim da manutenção da paz podre, que sempre proporcionaram a infinda dança de cadeiras entre comadres, agora aparentemente zangadas, uma sensação de roda livre, o que vem à tona, o que brilha à luz do dia, não é a verdade, é um misto de incompetência, arrogância e dissimulação. Desgraçados daqueles que um dia ousaram tentar quebrar este ciclo maldito!


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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