semtelhas @ 12:16

Sex, 14/11/14

 

Em alguns lugares do mundo de hoje, cada vez mais numerosos, atingiu-se um estado de apuro daquilo a que se convencionou chamar desenvolvimento, ainda que o mesmo se refira maioritáriamente a aspetos, de alguma forma, ligados ao materialismo, ao poder, e ao conforto na aceção que nesses meios lhe é dada, que a vida se tornou uma espécie de luta desenfreada, sem quartel, pelo dito sucesso, neste caso medido em notariedade e posse. Los Angeles é um desses sítios, seguramente um dos mais brilhantes e paradigmáticos dessa realidade. Ali a distância que vai do mais notável ao mais indigente atinge limites tais, que os mesmos por vezes se confundem, o fechar do círculo, tal é a efemeridade de um determinado estado, num dado momento. Tudo funciona a uma velocidade alucinante onde só os mais aptos, todos e ninguém, conseguem sobreviver, leia-se vencer, segundo os princípios por ali seguidos. Claro que num quadro destes qualquer resquício de moralidade é risível, o que interessa é fazer parte daquele jogo implacável em que resistir significa uma de duas coisas, ou abandonar-se a uma existência etérea, longe da realidade, dominada pelo virtual venha ele de onde vier, ou lutar desenfreadamente, para além de quase todas as regras, por um lugar ao sol. Esta circunstância é tanto mais visível e factual, quanto mais originária em atividades sociais, onde as armas a utilizar, para o bem e para o mal, são as pessoas, seus objetos e destinos, e dentro destas a comunicação social muito em particular.

É disso que trata o filme Nigthcrawler. A história de um repórter de imagem freelancer, exclusivamente de desgraças, o que, de longe, mais vende, sendo que no topo das escolhas estão os crimes de sangue, quanto mais violentos e explícitamente mostrados melhor, e muito especialmente se cometidos em chiques bairros ricos onde os criminosos sejam de minorias exploradas, negros ou hispânicos, e as vítimas brancos poderosos. O sangue da vingança. Nada de novo se não fosse o alto nível qualitativo daquilo tudo, sem exceção. De perder o fôlego! Ao ponto de quase nos sentimos invadidos pelo efeito afrodísiaco de toda aquela loucura muito para lá da razão.

 

 

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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