semtelhas @ 17:10

Sex, 18/04/14

 

Conheço uma quantidade considerável de escritores que me dão um prazer enorme através da leitura dos seus livros, de todos os lugares, quase todos os quadrantes ideológicos, independentemente da idade, opções religiosas ou sexuais e, evidentemente, género. Tenho a felicidade de tirar um gozo sem limites, literalmente, viajando pelas palavras escritas desses homens e mulheres que contam histórias das pessoas e do mundo, transmitindo exclusivamente pela sua capacidade de imaginar e talento para o escrever, ou utilizando-o para descrever as suas próprias experiências pessoais. Ler Palmeiras Bravas de Faulkner, Debaixo do Vulcão de Malcom Lowry, A Montanha Mágica de Thomas Mann, Crime e Castigo de Dostoievsky, Ana Karenina de Tolstoi, Até Ao Fim Da Noite, de Céline, 2666, de Roberto Bolaño, A Piada Infinita, de David Foster Wallace, A Criação Do Mundo, de Miguel Torga, Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, O Memorial do Convento, de Saramago, Até Ao Fim de Virgílio Ferreira, O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil, Em Busca Do Tempo Perdido, de Proust, As Benevolentes, de Jonathan Littell, A Um Deus Desconhecido, de Steinbeck... só para falar dos que agora me lembro, são experiências fantásticas e verdadeiramente modificadoras da forma de olhar a vida.

 

Há no entanto uns quantos, Hemingway, Joyce, Kafka, e, talvez acima de todos Gabriel Garcia Marquez, que vão para além de tudo e, tirando-me quase em absoluto da realidade circundante, contribuiram decisivamente para aquilo que sou, e acredito para boa parte das pessoas que leiam algumas das suas obras. No caso de GGM desde muito jovem fui completamente arrebatado por aquela ambiência mágica dos seus livros, que se consegue sentir na pele, pelo exotismo e profundidade dos seus personagens sempre excessivos, como esquecer o patriarca de Outono do Patriarca? e o incrível e maravilhoso romance em Amor Em Tempos De Cólera? dos terríveis e sanguinários coroneis que atravessam toda a sua obra? das suas prostitutas tardias, da sua ressureição, em Memória das Minhas Putas Tristes? E sobretudo da inesquecível e eternamente marcante família Buendia de Cem Anos De Solidão, onde todos nos reconhecemos, aqui ou ali, por esta ou por aquela circunstância, tudo tão magnificamente relatado. Chegou a hora deste deste génio voltar a ser notícia, já não para falar sobre uma nova obra-prima, há muito deixadas para trás, mas reavivando memórias com cujo contacto se atesta a excelência impar deste homem enquanto escritor e que, ausentado-se para lugar incerto, me deixa um pouco mais triste por sentir que com ele leva um pouco da minha infância, juventude e homem jovem, uma dolorosa tomada de consciência que também eu estou a morrer.

 


direto ao assunto:

De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
procurar
 
comentários recentes
Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes er...
Este mercado de transferências de futebol tem sido...
O Benfica está mesmo confiante! Ou isso ou o campe...
Goste-se ou não, Pinto da Costa é um nome que fica...
A relação entre Florentino Perez e Ronaldo já deve...
tmn - meo - PT"Os pôdres do Zé Zeinal"https://6haz...
A azia de Blatter deve ser mais que muita, ninguém...
experiências
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


subscrever feeds
mais sobre mim