semtelhas @ 14:48

Qua, 13/05/15

 

É relativamente comum encontrar crianças que por várias razões mas especialmente por falta de companhia, arranjam um amigo imaginário com o qual interagem assim mitigando a sua solidão. Na maior parte dos casos com o passar dos anos esse efeito mágico vai-se perdendo, e então a maturidade,  por via de um natural e crescente maior convívio com os outros, traz consigo uma espécie de "cura" daquilo que se numa criança pode ser considerado normal, num adulto carrega um estigma que pode chegar à esquizofrenia.

 

Acontece que se aqueles mesmos instintos com que a natureza nos dotou, nomeadamente uma certa beligerância como arma para uma sobrevivência sempre acima de tudo, talvez com a única exceção da circunstância maternal, durante a formação remetem para sentimentos e atitudes normalmente positivas, encaradas como e efetivamente aprendizagem para a vida, já enquanto adultos os mesmos acabam por resultar na tal esquizofrenia, tantas vezes consubstânciada em patologias extremas, ainda que feliz e muito mais habitualmente "só" numa vivência intranquila.

 

É quando o amigo se transforma num inimigo imaginário. Então instala-se a mania da perseguição como mobil para o exercício do inescapável instinto de sobrevivência, o instalar de uma guerra pessoal e permanente contra o mundo, que autoconsome e espalha a infelicidade em volta. O fenómeno é muito comum em particular na sua versão menos profunda, digamos que em última análise todos sofremos deste mal, o qual aliás, na dose certa, acaba por ter o lado positivo que todas as coisas têm, no caso o desenvolvimento de defesas perante a adversidade, o problema é quando se entra numa espiral negativa em que alguém se sente completamente isolado.

 

Acredito que boa parte do sucesso, aquele que é espelhado por uma maneira de estar minimamente tranquila, suficientemente isenta de agressividade, credor do respeito de todos, radica sobretudo na capacidade de ser humilde ao ponto de perceber que no essencial somos todos iguais, apesar das aparências. O segredo estará em transferir esse inato e comum a todos espírito de luta, não em guerras estéreis contra semelhantes mas na procura de um qualquer objetivo de vida, nobre e construtivo, sendo para isso absolutamente necessário não cair nas inumeras e constantes armadilhas a que estamos sujeitos, muito em especial aquelas que pretendem fazer crer ao sucesso corresponder não uma atitude mental positiva e saudável, demonstrada no inalianável respeito pelo outro, provávelmente nunca tão bem explicado como pela máxima de não fazer ao outro o que não se quer para si própprio, mas na maquiavélica opção em ter mais coisas ou mais poder que os outros.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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