semtelhas @ 14:22

Ter, 07/04/15

 

Ouvia da televisão que atualmente há quase tantos quartos de hospital privados quantos públicos, que o facto resulta da consistentemente acelerada mudança do público para o privado desde alguns anos até à atualidade. Ouve-se o ministro da saúde dizer que não alimenta preconceitos perante os números, que pretende uma melhoria em todas as frentes. O que ele não diz com tanta objetividade, ainda que não o esconda, é que este caminho radica na dita necessidade de minorar os custos do Estado em saúde, aparentemente insustentáveis. Este discurso é o mesmo para o ensino, para a segurança pública, para a justiça, para a segurança social, etc.. Ou seja menos escolas públicas, menos polícias, menos tribunais, menos assistência social, etc.. Particularmente nos últimos quatro anos assiste-se a um permanente esvaziamento do setor público, sistemáticamente transferido para o poder privado onde, efetivamente, impera a lei do mais forte, tal dinheirito tal servicito, e, consequentemente, significa um alívio para os cofres do Estado. Em simultâneo liberalizam-se as leis do trabalho, que é o mesmo que dizer que se facilita a tarefa do proprietário e se dificulta o do empregado, bem como se defende a superior importância do investidor perante a mão de obra, segundo se convencionou a exclusiva maneira de promover o crescimento da economia, e a manutenção da sociedade tal como a conhecemos, ou seja, mais uma vez, protege-se o mais forte optando pela sua lei.

 

Aquilo a que se assiste em Portugal, a defesa dos mais fortes assumida pelo Estado, uma espécie de troca de cadeiras onde os personagens são sempre mais ou menos os mesmos, não é nenhuma novidade, sequer por cá, quanto mais se se alargar o olhar para outros horizontes, onde fácilmente se pode detetar exatamente o caminho atualmente percorrido por outros que corresponde ao nosso "antes", e também de outros tantos, felizmente bastante menos, qua anunciam claramente o nosso "depois", o futuro. O que nos faz pensar, ou deveria fazer, que o que está a acontecer, um empobrecimento generalizado a que escapa a elite do costume, em nome de um dito esforço final rumo à suposta sobrevivência, não é uma fatalidade. Acontece porém que enquanto as pessoas permitirem aos mais fortes continuarem a vender o seu embuste, não vale a pena esperar que eles não o façam, até porque salvo raras ou utópicas exceções todos o faríamos, é uma questão de natureza. Negar saúde, educação, segurança, trabalho e qualidade de vida, são as armas que utilizam para perpétuar o medo e a ignorância, os verdadeiros alimentos e causas do seu domínio. E nem o risco crescentemente eminente de, sem nada a perder, a turba se dar como carne para alimentar os canhões da revolução para a mudança os assusta. Não tenhamos ilusões.

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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