semtelhas @ 14:28

Sex, 13/03/15

 

Nada como ter que enfrentar circunstâncias difíceis, muito difíceis, num ambiente extremamente adverso para perceber a verdadeira natureza das pessoas. O cenário são os EUA naquela fase em que os largos milhares que entravam principalmente por Nova Iorque, na sua maioria uma pequena parte, os que sobraram da enorme mortandade, dos muitos mais que meses antes haviam empreendido desde a longínqua Europa a demorada e tortuosa travessia do Atlântico. Mais concretamente os que tinham a coragem de viajar para o oeste, "os territórios" como então eram conhecidos, uma espécie de nova "terra prometida", infelizmente para muitos deles terrívelmente longe, pelo menos aquela que realmente valia a pena, a Califórnia, com as suas imensas planícies verdes de terreno próspero. É que para chegarem a esse paraíso tinham que atravessar o inferno dos estados desérticos do meio, verdadeira prova de fogo e formidável tarimba para os que o logravam conseguir. É precisamente aí, nesse inferno feito de planicíes áridas a perder de vista, onde manda o permanente vento e as respetivas imensas nuvens de pó, que se confere do que as pessoas são feitas. Pequenos aglomerados de casas com uma estrada de terra a atravessá-las, no meio de quilómetros e quilómetros de terra seca à qual aqueles ingénuos heróis utópicos sacam, à base de sangue suor e lágrimas, a escassez de uma sobrevivência surreal. Em tais situações limites a existência só é possível ou recorrendo à religião perto da cegueira, ou à mais absoluta maldade, não há estado intermédio. Uma permanente luta entre o bem e o mal.

 

"The Homesman" é o filme que retrata tudo isto admirávelmente. Não só pela crueza com que o faz, na autenticidade, na linguagem, no guardaroupa, nas interpretações, mas talvez sobretudo pela forma excecional como é filmado. Os enquadramentos são fabulosos, a fotografia maravilhosa, os tempos, a maneira como os sentimos a decorrer é fantástica, e depois claro, a magnífica história que suporta a intemporal História de fundo. Uma filme de cowboys e índios do oeste, com cidades de madeira, perigosos saloons, hóteis artificiosamente sofisticados, cavalos e tiros, mas como se estivéssemos a ver o outro lado disto tudo, o lado "a sério", e o que se perde em glamour ganha-se em autenticidade. No fim fica a sensação de, aquilo sim, ser um western autêntico, até pela dúvida que nos deixa a roer os pensamentos, afinal quem ganham, os bons ou os maus? Que lado escolher? Sensacional obra de mestre.

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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