semtelhas @ 13:43

Qua, 25/06/14

 

Nada há que se compare ao Campeonato do Mundo de Futebol se se quer assistir a uma das mais brilhantes facetas da humanidade, a sua capacidade de coexistir pacífica e alegremente independentemente de raças, credos, idade, ou posição social. É verdadeiramente apaixonante aquele espetáculo de famílias inteiras convivendo dentro das estádios, simplesmente equipando com as cores do seu país, ou artilhadas desde o básico cachecol ao mais complexo artefacto, alguns incrivelmente engenhosos como o daquele japonês que pintou o rosto e o cabelo do vermelho do círculo da bandeira, no meio do qual fez um corte para lá meter a cabeça e, segurando a mesma com os braços bem esticados para cima exibindo-a em toda a sua largura, oferecendo uma fantástica imagem de uma bandeira com vida própria! 

 

Para que tal fenómeno se possa verificar, para além de toda uma máquina sofisticadíssima para organizar cada quatro anos o maior evento que o mundo pode ver, é também absolutamente indispensável uma outra circunstância, o vibrante entusiasmo de milhões de pessoas que ao vivo ou pela televisão dão vida, justificam e pagam tão grandioso empreendimento. Ora quem está minímamente a par daquilo que é a FIFA e das suas filiais nos vários continentes, dos seus aspetos efetivamente diabólicos, no sentido em que funcionam básicamente tendo como objetivo quase único o lucro, não pode deixar de ficar algo perplexo, mesmo chocado, ao constatar as reações intensas e completamente ingénuas da maior parte dos tais milhões de cidadãos que sustentam todo aquele maravilhoso circo, e sem os quais nada daquilo seria possível, ao assistirem às incidências do jogo, loucos de uma alegria transbordante, ou autênticamente aterrados e incrédulos.

 

Não constitui este facto qualquer novidade, afinal toda a imensa indústria do entretenimento, seja ela qual fôr incluindo o futebol de alto nível, envolve a paixão e, consequentemente dispensa o frio racíocinio, que é a condição essencial para que possa sobreviver. Mas o mundial, atendendo à dimensão do fenómeno, da enormidade dos números e da intensidade com que os sentimentos são exprimidos, funciona quase como paradigma desta realidade. E a pergunta que assalta a mente é o que seria de todos se não fossem só alguns a descodificar a realidade e verem a vida em toda a sua crueza? Por uma razão ou por outra, ou porque não se está suficientemente dentro do assunto em apreço, por um estado de ignorância geral e mais profunda, ou simplesmente porque, como se costuma dizer, ainda é novo e não pensa, há todo um mundo de coisas que fazem sentido e que noutras circunstâncias não só jamais o fariam, como até poderiam ser objeto de negação, repugnância ou até revolta.

 

Felizmente é precisamente deste natural fluir da existência, muito especialmente influenciado pela questão etária, que, como diz o poeta, sonhando o mundo se vai sobressaltando e avança. Quando mais à frente na idade chega o cinismo, fruto de uma certa descodificação da realidade nascida da experiência, de uma vivência que a fez sentir na pele, chega também alguma sabedoria que idealmente deveria servir para ajudar os mais jovens a evitar perdas de tempo e erros, mas também para perceber que boa parte daquilo que por essa altura da vida, algumas atitudes, ou correr de riscos, assim podem ser analisados, naquela outra, plena de força, esperança e vontade de mudar, de melhorar as coisas, têm fatalmente que ser encaradas de maneira completamente diferente. E ainda bem que assim é! Estaria tudo mal, um mundo ao contrário, se assim não fosse. No dia em que a crueza e o cinismo se instalarem no sentir dos mais jovens tudo estará perdido porque se perde a esperança e, sem ela, o futuro. Acreditemos então! E rejubilemos com a esfusiante alegria ou avassaladora tristeza, saudáveis sinónimos de vida!

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
procurar
 
comentários recentes
Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes er...
Este mercado de transferências de futebol tem sido...
O Benfica está mesmo confiante! Ou isso ou o campe...
Goste-se ou não, Pinto da Costa é um nome que fica...
A relação entre Florentino Perez e Ronaldo já deve...
tmn - meo - PT"Os pôdres do Zé Zeinal"https://6haz...
A azia de Blatter deve ser mais que muita, ninguém...
experiências
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim