semtelhas @ 12:52

Ter, 17/06/14

 

Para quem como eu assistiu conscientemente, ou com uma boa dose de consciência, à maior parte do que verdadeiramente relevante chegou à opinião publica do que se passou no hemicíclo da Assembleia de Republica ao longo dos 40 anos que leva a democracia portuguesa, não deixa de ser espantoso que ainda me surpreenda com a capacidade de fingimento que a esmagadora maioria dos deputados para ali eleitos mantêm inalterável ao longo de décadas, independentemente da mudança de gerações, indiferentes aos tempos, às cores partidárias, ao escalão etário, só sendo mais notável a crescente importância das mulheres.

 

O que mais confusão me continua a fazer é a submissão de pessoas óbviamente inteligentes às doutrinas partidárias, mesmo quando estas são claramente erradas, refiro-me ao ponto de vista do senso-comum, ou seja à perspetiva da maioria dos eleitores. O que realmente impressiona não é que o façam em nome de manterem o tacho, ou como li algures num livro de Isabel Allende, como querer que ajam contra os seus próprios interesses?, mas continuarem a fazê-lo tão despuradamente, fazendo um brilhantíssimo uso da arte de mentir, como se não tivessem decorridos tantos anos durante os quais seria suposto políticos e população terem evoluído.

 

É certo que ali como em todo o resto só 20% contam, o resto é para encher, que é como quem diz para a sua cabeça ser utilizada não para pensar mas para ser contada nas votações, para bater palmas ou gritar e vociferar conforme as circunstâncias, não esquecendo os mais snobes muito baim da direita, ou as ruidosas indignações da esquerda. Afinal nada mais que o resultado da forma como são arrebanhados para o partido, subindo penosamente a escada do lacaiismo se comuns mortais, ou gostosamente arregimentados caso sejam de boas famílias, com disponibilidade e pachorra para defender os interesses da classe.

 

O paradigma desta verdadeira farsa é a dança entre as cadeiras situadas mais à frente do PS e do PSD, e aquelas outras um pouco mais adiante destinadas a quem a dado momento ocupa o poder. Realmente impressionante como esses senhores, ora numa posição ora na outra, ao longo dos tempos têm conseguido manter a ilusão de que estão de facto mais preocupados com o povo do que com os seus próprios interesses, sejam eles, na maior parte dos casos, de ordem financeira, mas também muitas vezes, quando se trata de pessoas para as quais o dinheiro já não é assim tão importante, muito mais por questões de poder e vaidade pessoal que própriamente por ideologia política.

 

O mais dramático disto tudo é que se se atentar no que se passa por essa Europa fora, ou noutras democracias do mundo, independentemente de quase tudo, talvez excluindo as democracias mais antigas, do nível educacional e ou cultural, da situação políticopartidária, etc., assiste-se ao mesmo fenómeno, 

um crescente desintesse da pessoas em votarem para a escolha de quem vai assumir os destinos dos seus países, exceto quando se trata de organizações extremistas, as tais que, tal como por cá, apesar de tudo utilizam uma linguagem mais direta onde é possível encontrar alguma sinceridade nas propostas que apresentam, mas invariávelmente à custa de dolorosas e na maior parte dos casos falhadas ruturas. 

 

Quase como se de uma fatalidade se trate, quando chamados a escolher o timoneiro do nosso futuro coletivo mais próximo, sempre ficamos reféns das mesmas escolhas, optar pela falta de comparência o que consubstâncía uma postura de desistência, alinhar numa das posições radicais de um dos extremos, promovendo uma rutura cujo preço a pagar será sempre muito elevado, ou então seguir o caminho aparentemente mais seguro e fácil da manutenção do estado das coisas, com a óbvia consciência que assim pouco ou nada mudará, dando mais uma contribuição para alimentar os mesmos de sempre e o país não sair da habitual confrangedora e endémica bipolaridade entre alguns bem na vida, muitos sobreviventes, mas todos suaves e habilidosamente manhosos.

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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