semtelhas @ 14:18

Qua, 23/04/14

 

Independentemente do recurso a uma série de clichés herdados dos velhos filmes sobre a máfia, do padrinho a acariciar gatos e extremamente ternurento para com os seus, e simultâneamente o mais frio e sanguinário possível quando a trabalhar, e uma certa tarantinização no recurso ao inovador estilo daquele genial realizador, nomeadamente nos temas mais propícios ao constante ziguezaguear  da estória, como por exemplo tudo que roda em volta do mundo da droga, mas também nas imagens própriamente ditas e situações inesperadas, desconcertantes, e sobretudo uma certa ambiência onde os extremos estão sempre presentes, seja no guardaroupa, cenários, interpretações, a qualidade em toda a linha e uma tensão permanente, que marcam indelévelmente a série Breaking Bad e quem a ela assiste, trata-se de uma obra notável. Até porque, para além de tudo isso, a espaços, e naquilo que acaba por ser a verdadeira alma da série, beneficia da inteligente abordagem de alguns conceitos que, não sendo novos, naquele contexto assumem como que uma espécie de clarividência, ou maior adesão à realidade do dia-a-dia.

 

Acontecem várias desse tipo de abordagens mas a que mais me marcou foi a de que defende haver um momento certo para morrer. Aquele que mais interessa, ou menos faz sofrer, todos os situados mais perto da pessoa em causa. Aquele em que acontece um encontrar entre todos os interesses e sentimentos dos envolvidos no momento certo. Toda a gente preparada, recursos utilizados de forma sensata, missão razoávelmente cumprida, etc.. Assistindo a mais aquelas cenas de absoluto brilhantismo, lembrei-me que há outros momentos na vida que, como aquele, são essenciais naquilo que a mesma virá a ser, e sobre os quais ninguém tem práticamente qualquer poder para intervir. Aquelas duas ou três vezes que a maior oportunidade da vida nos passa mesmo em frente ao nariz e poucos a agarram, o dia, hora ou minuto que se está, ou não, à hora e no lugar errado, a fração de segundo em que a automóvel se ía despistar a alta velocidade e, milagrosamente, segura-se à estrada, e outras. Faz pensar como é aleatório o destino de cada um e como as melhores hipóteses são escassas. Um euromilhões!


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