semtelhas @ 11:59

Sex, 13/06/14

 

Num mundo em que os vampiros são os que vivem eternamente através das suas obras intemporais, Shakespear, Schubert, Byron, Philipp Marlow ou os Beatles, ainda possível nos lugares eleitos pelos românticos, ainda não completamente infetados como a Tânger do sonhador Paul Bowles, ou já libertos pela morte, como a abandonada Detroit, outrora o paradigma da industrialização, um mundo no qual o sangue indispensável à sobrevivência representa o Tempo, os tempos que correm, cada vez mais envenenado pelo imposição do virtual face ao concreto, à fama a qualquer preço por troca do verdadeiro talento, pleno de zombies alienados cujo único préstimo é a sua juventude, fonte de vida, já só resta sobreviver nostálgicamente aguardando a inevitável revolução, à qual, como sempre, sobreviverão exclusivamente os autênticos amantes do romantismo. Só Os Amantes Sobrevivem, o filme.

 

Complexo, difícil de decifrar, traz contudo algumas mensagens mais óbvias como por exemplo a abordagem da importância da água como metáfora para tudo o resto, porque será que para entenderem precisam perder tudo?, pergunta um dos protagonistas, o pessimista Adão, mas também oferece uma saída quando a otimista, pragmática e resiliente primordial Eva, sempre elas!, o aconselha a não se focar tanto em si próprio, porque isso só o levará ao isolamento, à terrível solidão e amargura, que viva!, que dance! Na sequência do racíocinio deste brilhante realizador dou comigo a pensar como, se tivesse visto este filme cinco ou seis anos atrás, ficaria a olhar para ele como um boi olha para um palácio e como isso não faria de mim uma pessoa pior do que sou hoje, nem hoje pior do que serei daqui a meia dúzia de anos. A existência só faz sentido se realmente partilhada inserido num grupo onde sinceramente se comunica. Só aí se pode encontrar um vislumbre da felicidade, independentemente de raças, credos, localidades, condição social financeira, educacional ou cultural. Curioso como nunca o tinha constatado com tanta clareza!

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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