semtelhas @ 15:23

Sab, 28/03/15

 

Polulam por aí os cursos de "Escrita Criativa".

 

É sabido que há essencialmente duas formas de ver a criatividade, aquela que assenta fundamentalmente na inspiração e a que resulta básicamente da transpiração, e nem uma consulta a um bom dicionário vai dissipar as dúvidas relativamente a qual destas duas visões de criar estará mais próxima da verdade, até porque o termo aplica-se indiscriminadamente desde a mais etérea arte ao ato mais técnico. Detendo-me exclusivamente às artes mais convencionalmente assim denominadas, torna-se óbvia a necessidade da aprendizagem miníma do seu domínio nos seus aspetos mais estruturais, como seja a capacidade de fazer soar um som  minímamente harmonioso(?) de um instrumento musical, conseguir utilizar tintas sobre uma tela obtendo uma qualquer estética(?) no caso da pintura, ou saber escrever para além do estritamente necessário(?) se falando de literatura. Acontece porém que, a partir de determinado ponto, torna-se extremamente dificíl traçar fronteiras entre a capacidade para adquirir mais ou menos tecnicidade, e a demonstração de criatividade instintiva, de talento em estado puro jamais passível de ser aprendido. É exatamente aí que reside a diferença entre uma grande obra e uma obra maior.

 

Vem isto a propósito do livro "Assim Para Nós Haja Perdão", A. M. Homes. Tem tudo para ser um grande livro, contudo não consegue disfarçar a permanente tentação de agradar ao leitor, sempre a "piscar-lhe o olho" ainda que recorrendo com grande mestria, seguramente resultado de uma grande capacidade de aprendizagem das melhores técnicas de escrita criativa, a toda uma panóplia de truques bem como a muita e apreciável informação resultado de investigação honesta e efetivamente estruturante conferindo idoneidade ao livro, para o manter mais que interessado, efetivamente agarrado, quase dependente da leitura que o prende a cada virar de página. Infelizmente, ou talvez não, a sensação que fica é em tudo similar à que se tem no consumo de um qualquer outro produto aditivo, quer-se sempre mais mas nunca se está verdadeiramente satisfeito. Chega-se ao fim e instala-se uma espécie de vazio nascido da insustentável leveza do triunfo da técnica e da falta de génio autêntico. Se calhar só a capacidade de instalar essa expectativa já é definidora de muito talento, ou então aquilo já foi feito para ficarmos a "chorar por mais". Na resposta a esta dúvida mora a verdade da real dimensão desta obra. 

 

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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