semtelhas @ 12:15

Sex, 21/03/14

 

É o nome original do filme que em Portugal foi denominado Obediência, e neste aparentemente pequeno pormenor, está presente o essencial do filme, ainda que de uma maneira menos gravosa, a demonstração de um certo relaxamento, mediocridade, na verdade a tal complacência, não originária numa qualquer superioridade mas exatamente no contrário, numa espécie de desistência da luta pelo que está certo, pelo que merece ser defendido, fruto da ignorância, da falta de valores, uma pobreza de espiríto muito presente em largas faixas da população menos instruída, cujas motivações para existir assentam muito mais numa lulufa diária pela sobrevivência do que por uma vida que valha a pena seguindo certos princípios, situação pela qual, óbviamente, são não só os menos culpados como sobretudo maiores vitímas, desde logo porque armas principais daqueles que tendo toda a instrução do mundo são intrínsecamente maus e, consequentemente, se valem exatamente dessa fraqueza em seu benefício.

 

Recorrendo a uma história poderosa e muito perturbante, o filme demonstra isso mesmo e muito mais. Talvez o aspeto mais chocante seja a constatação de quanto somos frágeis, de como o ponto de rutura, aquela linha invísivel que corresponde ao momento em que deixámos de raciocinar e seguimos os nossos instintos animais mais básicos, é alarmantemente sensível, quase palpável. Naturalmente que esse ponto de rutura depende exatamente da tal preparação de cada um, vulgarmente dita educação, familiar, académica, cívica, mas, tal como se costuma utilizar aquela máxima que diz todos termos um preço, também neste caso se pode afirmar com segurança que ninguém está imune a esse risco. O filme, baseado em factos reais ainda que compreensivelmente, imagino, algo apimentado,  prova-o fornecendo entre os personagens centrais pessoas com diferentes níveis de motivações, e ninguém ali é completamente ingénuo nem sai totalmente inocente.

 

Concerteza surpreendente para muitos o nível de ignorância e laxismo presentes nos EUA profundos, os quais, em boa verdade correspondem a mais de metade daquele fabuloso país. Excelentes estes pequenos filmes independentes, fora do circuito dos grandes estúdios de Hollywood e dessa poderosíssíma máquina de propaganda que vende a marca USA com um brilho que nada tem a haver com boa parte da realidade. Também e muito particularmente ali, os mais urbanos espertalhões, e até a forças de segurança, se valem da fragilidade e das várias formas de indigência dos mais desprotegidos para praticar os mais diversos tipos de abusos. É tudo uma questão de exemplos a seguir e nesta como em muitas outras matéria os EUA estão longe de ser o melhor apesar dessa extrordinária virtude, que continua a ser a sua grande maisvalia, de serem transparentes dando-nos estes magníficos filmes como preciosos alertas. 

 

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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