semtelhas @ 12:12

Sex, 02/05/14

 

Podia ser o título de mais um romance xaroposo, pleno de estórias de faca e alguidar, mas não, trata-se de uma reflexão provocado por três acontecimentos recentes os quais, dando mostras da vitória da emoção sobre a razão, também desvendam como as amarras da prisão a sentimentos tão avassaladores quanto o são as paixões por uma pessoa, uma religião, ou um clube, podem representar sérias limitações à liberdade mais intrínseca de quem delas é vítima. Um sofrimento!

 

Refiro-me a uma entrevista que li a Miguel Esteves Cardoso, onde o escritor fazendo uso de uma eloquência transparente dá testemunho de uma série de opiniões, autênticas lições de vida para quem com ele delas partilhe, particularmente no assumir de uma humildade sincera, tendo sempre presente como pano de fundo o seu profundo amor pela sua companheira Maria João, considerávelmente mais nova que ele, da qual radica e na qual deposita, a felicidade atual e futura. À canonização dos Papas João XXIII e João Paulo II, pela mão do Papa Francisco, cerimónia a que assistiram milhões de pessoas em Roma e muitos mais por todo o mundo católico, e que foi objeto de alguma contestação dentro da própria igreja, dada a suposta exagerada rapidez de todo o processo, relativamente a João Paulo II, pondo em causa a justeza do ato. E finalmente, muito mais prosaica mas não menor objeto das mais exacerbadas manifestações de ódio ou afeto, a realização da meia-final da Liga Europa entre a Juventus e o Benfica, precisamente no estádio onde se vai disputar a final daquela competição.

 

Imaginei Maria João, daqui a uns anos, quando MEC notóriamente mais velho, já incapaz de satisfazer todo o tipo de necessidades de uma mulher ainda com muitos anos de vida ativa pela frente, a, muito natural e se calhar inevitávelmente, apaixonar-se por um homem da sua idade ou mais novo, e os efeitos devastadores que isso poderá ter sobre o seu atual companheiro. Questionei-me o que pensarão milhões de católicos por esse mundo fora, sobre a já anunciada manutenção daquelas que são algumas das principais grilhetas da religião católica, que em tanto têm contríbuído para o descrédito da mesma roubando-lhe fieis a caminho do mais variado tipo de seitas, que mais não fazem que não seja enganá-los em nome de objetivos inconfessáveis, como por exemplo a imposição do celibato. Senti-me vulgar, débil e objetivamente fraco, por desejar que, independentemente do como ou do porquê, o Benfica perdesse aquele jogo, não por uma qualquer questão de balofo patrioteirismo, mas pelo que isso poderia significar no duelo de décadas que aquele clube mantém com o FCP.

 

Em qualquer destes casos que poderão corresponder a uma necessidade para além da razão, de uma existência em condições minimamente satisfatórias do ponto de vista físico e anímico, cada um preenchendo um derminado espaço temporal, as pessoas para as mais prementes, um apelo diário, os clubes ou outro género de associações, para a integração na sociedade, a sensação de pertença a um grupo, e a religião mais abrangente, tentativa de resposta a inquietações mais profundas, a verdade é que sempre resultam numa espécie de limitação à liberdade pessoal de quem deles é objeto. Algumas das mais belas, e raras, histórias de amor que conheci, acabavam no reconhecimento de que a sua mais elevada demonstração, é suportar a separação se isso fôr a vontade do ser amado, se tal corresponder à manuteção de um estado de felicidade ainda que obrigue a um afastamento. A escolha por esta atitude consubstancia um ato do verdadeiro amor, só se o outro estiver feliz nós o estaremos, e de profunda libertação de quem o pratica. Dir-se-á que sem o combustível das paixões avassaladoras o mundo acabaria, ou então seria a sucessão, de facto impraticável, de acontecimentos sensaborões e sem sentido que a nada conduziriam. Muito provávelmente é verdade e até estará subjacente à própria natureza humana, mas não o é menos que resulta numa forma de submissão e, tantas vezes, escravatura. Acredito que só na pratica da justiça mais pura se é verdadeiramente livre, poucos a conseguem mas nada impede persegui-la, até porque, como dizia o mestre, importa menos atingir o cume da montanha que o fazer o caminho para lá chegar. 

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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