semtelhas @ 14:16

Seg, 31/12/12

 

Aqueles todos do costume e mais um.

 

Tem vindo a instalar-se ao longo dos últimos tempos a ideia da inevitabilidade do empobrecimento generalizado, da esmagadora maioria das pessoas, única via, dizem, para o restabelecimento da saúde das finanças do conjunto sócio-económico onde estamos inseridos.

 

Lembro-me perfeitamente de no final dos anos oitenta do século passado, uma certa faixa da sociedade recorrentemente utilizar o papão da crise para justificar inúmeros pedidos de sacrifício aos trabalhadores comuns, de atrasos nos pagamentos de salários, e mesmo de massivos despedimentos. Já pouco menos de uma década antes, e mais ou menos uma depois, se assistiu a um cenário parecido onde, as razões das crises vão mudando, o petróleo, a globalização ou a bolha imobiliária, mas curiosamente a estratégia de quem provocou as crises para delas sair incólume é sempre a mesma, a instalação do MEDO.

 

No entanto nunca como na atual se tinha ido tão longe nesse implacável desiderato de quem tendo mais, de nada quer abrir mão, bem pelo contrário, assumindo agora sem qualquer espécie de vergonha ou bom senso, que todo o problema está no dito, estado social, origem de todos os males e, portanto, objeto de perseguição tenaz.

 

Ignorar que foram cometidos excessos, sobretudo pelo proliferar de facilitismo, nomeadamente na falta de controle sobre determinadas benesses através da atribuição de subsídios para tudo e mais alguma coisa é, no mínimo, falta de honestidade intelectual. Corrigam-se pois. Mas muito pior é esquecer que esse mesmo clima de relaxamento serviu para encher os bolsos de um sem número de pessoas bem melhor colocadas para sacar que o comum dos mortais, e, neste caso, não se está a falar só de falta de escrúpulos para usufruir de mais uns tostões aldrabando no atestado da junta de freguesia, na declaração para o fundo de desemprego ou para o rendimento mínimo, trocos se comparados com os biliões que alguns desviaram aproveitando a confusão e a permissividade reinantes. Se é verdade que não se deve justificar um erro com outro, também o deverá ser quando chega a hora do ajuste de contas, é quem mais roubou (chame-mos os bois pelos nomes) quem mais deve pagar e não o contrário.

 

O assalto a direitos básicos a que estamos a assistir, a um serviço de saúde público garantido para quem não tenha possibilidade de o pagar, à educação gratuita do ensino obrigatório aos que não tenham meios para contribuir, ou a subsídios de sobrevivência, sejam de desemprego, de subsistência básica, ou de reforma, adequados às possibilidades de cada um, representa, de facto, um retrocesso civilizacional que a ninguém serve. Desde logo aos diretamente beneficiados e, a médio prazo a todos os outros. Trata-se de uma espécie de suicídio coletivo que a história recorrentemente comprova. Cegos pelo exercicío e usufruto do poder (quantos de nós lhe resistiríamos?) não é expectável que parem de ameaçar com o fantasma do medo, e de praticar uma política de crescente empobrecimento das populações, via rápida para que mantenham ou aumentem o seu poder. Cabe à esmagadora maioria restante (são pequenos? mas são MUITOS) cumprir o seu papel, de forma tão ordenada quanto inflexível,  respondendo à desumana e potencialmente fatal escolha de quem manda, a todos os níveis, oferecendo empenho na sua atividade, mas também exigindo dignidade e respeito.

 

O fatalismo é a retórica dos fracos. Para começar uma nova atitude, tranquila, constante, vencedora. Sem medos. 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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