semtelhas @ 10:19

Sab, 22/12/12

 

Dizem os entendidos que os maiores escritores são os que criaram o seu próprio estilo de escrita, absolutamente original. Lembro-me de Tolstoi, Kafka, Musil, Faulkner, James Joyce, Roberto Bolaño e... Saramago. O principal efeito que estes monstros sagrados da literatura criaram foi o enorme exército de seguidores. Acabei agora de ler, A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe, o qual Saramago apelidava de "tsunami" da literatura em Portugal.

 

Para quem gosta do nosso Nobel da Literatura, é uma felicidade reconhecê-lo, renascido, pelo talento deste angolano desde muito jovem a viver nas Caxinas, Vila do Conde. É também esse o legado que estes grandes vultos da humanidade nos deixam, as preciosas sementes daquilo que foram, que, por vezes, vão frutificando nestes novos talentos, também eles potenciais candidatos a acrescentar algo de novo ao que genuínamente herdaram.

 

Ainda será cedo para ver em  Valter Hugo Mãe o escolhido, o eleito como principal sucessor do tal estilo de Saramago. Que o era do próprio escritor parece não haverem grandes dúvidas, mas já não estou assim tão certo que a ambição de Hugo Mãe se fique por aí.

 

A leitura desta obra, para além da constatação da capacidade de pousar sobre as coisas um certo olhar, onde a vertente social, o humanismo, a liberdade, estão sempre presentes, o autor fá-lo recorrendo a uma linguagem por vezes poética, também humorística, a míude irónica e mesmo sarcástica. E é precisamente por aqui que ainda lhe pressinto algum caminho a percorrer. Relativamente jovem, terá  feridas por fechar que deixam escapar uma amargura que azeda ligeiramente o texto. Um veneno que o tempo se encarregará de diluir. O facto de se tratar de um doído texto dedicado ao seu pai prematuramente desaparecido, e a eventual responsabilidade, ainda que indireta, das agruras do tempo da outra senhora, têm nisso contributo essencial.

 

Interessante viagem ao país que fomos e, mais importante, que nos tornou em boa parte daquilo que somos.


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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