semtelhas @ 16:17

Seg, 17/12/12

 

Ontem foi-me dada a possibilidade de assistir a dois programas televisivos muito bons, um deles mesmo da exceção, daqueles que apetece guardar como se de um documento muito importante se tratasse, e que é o caso.

 

O segundo deles desenvolvia o tema do neuromarketing. Tendo por base as neurociências que, de uma forma extraordináriamente simplista, significam especialmente o estudo da ligação, e a sua demonstração gráfica, entre as várias partes que compôem o cérebro de uma pessoa e as suas atitudes, ou, aquilo em que cada um de nós está a pensar antes de executar algo, recorrendo essencialmente a ressonâncias magnéticas. A aplicação destes ensinamentos à arte de vender um produto já resultaram em conclusões preciosas para atingir esse objetivo, nomeadamente quando utilizadas na publicidade: o consumidor faz a sua escolha muito mais respondendo ás suas emoções que à razão; a história prova que uma das emoções mais eficazes é o medo (é dado como exemplo a sucesso das religiões); um dos principais pressupostos para que um artigo venda, que o anúncio seja eficaz, é o contexto em que é exibido, ou seja o nível de abertura que a audiência tem para o receber (raras vezes será o prime-time). Trata-se de uma matéria impressionante, vasta e muito complexa, que está a dar os primeiros passos carecendo portanto de qualquer legislação restritiva que acautele abusos. Basta pensar que sendo já possível identificar gráficamente no cérebro, a relação entre o que se está a pensar e o que se vai fazer, e sendo semelhante em todos nós, como essa informação seria importante se estivesse (não está?) acessível às grandes marcas com potencial para gastar milhões nestas matérias. Claro que entidades que fazem estes estudos já se apressaram a jurar que só fazem medições e as facultam a quem as encomendou, e garantem que jamais será possível condicionar alguém a comprar isto ou aquilo...

 

O primeiro, o tal que vou tentar guardar para posteriores consultas, foi o último Câmara Clara na RTP2. Obedecendo aos mesmos critérios de qualidade e exigência, Paula Moura Pinheiro fez um resumo do melhor de sete anos de programas sobre, literatura, música, cinema, história, filosofia, arquitetura, etc., que é um notável documento pluridisciplinar do saber. Tendo abordado vários assuntos de importância global, lembro-me do Maio de 68, da Revolução Industrial, do Império Romano ou Britânico, do Holocausto, entre muitos, muitos outros, foi especialmente sobre o nosso país que o programa se debruçou. Durante todos essses anos foram muitas as vezes que senti orgulho no nosso país e nas nossas gentes, mas nunca como ontem, por ser só sumo, o tinha sentido com tanta intensidade e resultando de tanta evidência. O entusiasmo, o profissionalismo, o empenho com que aquelas pessoas fizeram este magnifíco trabalho ficou claramente espelhado neste apanhado pela forma como potencía tudo o que foi feito. Não obstante a grandeza e dignidade com que a principal responsável e os seus mais diretos colaboradores se despediram, em mais uma demonstração de tolerância, civilidade, positivismo, solidariedade, numa palavra, de nobreza, vai ser muito dificíl preencher um buraco negro aos domingos à noite. Porque, como dizia Rosa Montero num dos programas, é muito dificíl resistir a tornarmo-nos imbecis. Sem questionar as prioridades de quem as estabelece, esta fobia do cortar, como o poderia fazer? Não deixa de ser questionável, e mesmo um risco, começar por um dos poucos programas que esclarecia e genuinamente alimentava a auto-estima de um povo.

 

 

É precisamente esta dúvida que une estes dois programas que tive a sorte de ver ontem. Haverá melhor antídoto contra os avanços abusivos dos aproveitadores sem escrúpulos do costume, valendo-se das legítimas, formidáveis e imprescindíveis descobertas da ciência, que uma população bem informada, com ideias bem claras?    

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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