semtelhas @ 13:58

Ter, 30/10/12

 

Na sequência do lançamento de uma associação em prol da investigação do cancro, no Porto, Manuel Sobrinho Simões, conhecido investigador nesta área, afirmou algo profundamente preocupante: dentro de dez anos metade da população portuguesa sofrerá de, pelo menos um cancro (o sublinhado é meu).

 

Aparentemente dizia-o  para reforçar a convicção de que, ao contrário do que atualmente acontece, não irá faltar dinheiro para investigar, situação aliás que, de entre os nossos pares, só se passa em Portugal, informou.

 

Apesar de não conhecer os números atuais, esta previsão esmaga-me. As implicações que esta circunstância tem, caso se venha a verificar o previsto, são avassaladoras. Estou completamente incapacitado para as avaliar do ponto de vista de qualquer das áreas envolvidas nestas matérias, médica, logística, económica, etc.,etc., no entanto, tratando-se de números tão arrasadores, parece-me ser do senso comum a enorme magnitude do problema.

 

Foi também do dr. Sobrinho Simões que, há uns tempos, ouvi da grande probabilidade de muitos dos cancros tenderem a tornar-se doenças crónicas dado o enorme avanço da investigação e dos fármacos. Se juntarmos a este facto o de ele, eventualmente, se estar a referir também a quem tem a terrível doença sem disso ter conhecimento, então talvez dê para começar a assimilar a sua afirmação sem entrar em pânico ou depressão.

 

Ouvi várias vezes este médico por quem tenho enorme admiração, sobretudo pela forma absolutamente desempoeirada como se apresenta e com todos interage, e pela paixão total que diáriamente demonstra pelo seu trabalho. Na verdade um amor ao qual se dedica sem limites. Acredito que também por isso tenha proferido assim desabridamente tão assustadora profecia. O seu objetivo terá sido fazer estremecer quem pode mexer cordelinhos, agitar consciências. Por outro lado ele é mesmo assim, frontal e direto...

 

Encontrei a salvação um bocado abaixo no jornal: há duas maneiras de bloquear no nosso cérebro uma memória indesejada, pela tentativa de puro e simples bloqueio, ou substituindo-a por outra mais agradável quando por ela formos assaltados. Em qualquer dos casos o objetivo é bloquear-lhe o acesso ao consciente.

 

Quanto a mim, sempre que a memória desta notícia tentar escapar do subconsciente e espreitar à esquina do consciente, logo me vou pôr a imaginar que o bom dr. Sobrinho Simões alcançou um êxito ímpar com a sua associação, mesmo o nobel da medicina, para o qual muito contribuiu alguém que generosamente abriu os cordões à bolsa. O sucesso chegou ao ponto de lá terem descoberto tão miraculosos fármacos e acertados tratamentos que, em dez anos, diminuiram para metade o índice de mortalidade por cancro em Portugal.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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