semtelhas @ 12:01

Sab, 27/10/12

 

Por coincidência tive oportunidade de ver e ouvir no mesmo dia, ontem, dois homens muito ligados ao fenómeno.

 

Julian Assange, um pirata informático, mostrou ao mundo, via Wikileaks, por que linhas se cosem, muitas das atividades politícas, económicas e sobretudo militares, por esse mundo fora. Num primeiro momento teve o cuidado de se aliar a alguns dos principais jornais de todo o globo e, tendo todos concluído que a divulgação das informações bombásticas não iriam provocar danos colaterais, leia-se represálias sobre as fontes, um belo dia pela manhã a bomba explodiu em todo o mundo. O que aconteceu depois, ser completamente abandonado ao seu destino, é muito mais obscuro. Os visados pelas noticías agarram-se a uma eventual agressão sexual de Assange sobre duas mulheres, ainda por provar, os seus exaliados acusam-no de ter rompido o acordo inicial de não expôr inocentes, ao revelar ao Times (jornal que não fazia parte do grupo inicial) dados, que este jornal viria a publicar, e que resultaram no assassinato de alguns informadores do Wikileaks. A dar razão a este argumento a reação da CIA que, após as referidas mortes (e de que podem muito bem ter sido os responsáveis, digo eu), veio acusar Assange e quem o ajudou a ter as mãos sujas de sangue. A realidade, hoje, é que Julian Assange está refugiado na embaixada do Equador no centro de Londres, e que ninguém lhe augura grande futuro.

 

Paulo Morais é um antigo vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, para além de mais uma série de atividades e canudos, num vasto curriculo. Mas onde este homem mais se tem notabilizado é nas permanentes denúncias de abusos de poder, atividades ilicítas, desvios de verbas públicas, etc., etc.. numa palavra, corrupção. Já o tinha lido e ouvido várias vezes mas sempre em circunstâncias diferentes, de trabalho. Ontem, no Cinco para a Meia Noite, o ambiente era descontraído, ou devia ser. O que mais me impressionou foi a luta do homem, com ele próprio, para insuflar de descontração o seu discurso, quando o mesmo, para fazer sentido, tem que ser, e é, daí o seu desconforto, intrinsecamente fomentador de um estado de revolta. A bonomia com que as outras duas pessoas presentes, Nilton e Pacman, tentaram embrulhar aquilo também foi tudo menos natural, sentia-se o constrangimento provocado pela crispação dissimulada. Convenhámos que, nos dias que correm, divertirmo-nos ouvindo e lançando umas larachas sobre uns tipos que há anos nos vão ao bolso, ainda por cima se riem, enquanto nós cada vez penamos mais, não deve ser fácil. Diz Paulo Morais que, se pudésse, a primeira coisa que faria, seria mudar as leis que, por avassaladora e doentia inércia, deixam escapar esta corja, meia dúzia que cozinha a seu belo prazer o seu fausto repasto, deixando na mesa escassa carne agarrada aos ossos, selváticamente disputada por muitos, e a cozinha suja, em completa desordem para que outros limpem.

 

Provávelmente, seguramente, devemos muito a estes homens, mas porque será que fiquei com a sensação que, para meu grande desgosto e, acredito, dos próprios, porque porventura sentirão o mesmo, servem sobretudo como válvula de escape do sistema? Ou uma espécie de vacina, um mal que se injeta que ensina o agredido a criar defesas? Talvez pela impressionante sobranceria com que são olhados por quem atacam. Como é possível que fique tudo na mesma? No mundo e entre nós. Será fatalidade, ainda assim uma enorme vénia a estes homens porque, sem eles, concerteza seria muito pior.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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