semtelhas @ 14:37

Seg, 22/10/12

 

Desvendei-o ontem, assistindo a uma conversa entre Paula Moura Pinheiro e Mário de Carvalho.

 

A propósito do que é mais importante perguntava o escritor: porque é que os políticos vestem roupa tão cara, ou utilizam carros tão potentes? Será que assim se sentem superiores? É isso que os diferencia? Atónita a locutora observava: depois de ler os seus livros que nos fazem viajar entre as mais diversas sociedades ao longo da história humana, surpreende-me que se admire com tais coisas! Faz parte, dizia. Antes já Mário de Carvalho chamara Chefe dos Contínuos (mostrando aliás, duplamente, pouca consideração por estes), a António Borges e se tinha engasgado irritado com a confusão de valores que prevalece.

 

Tal como ela, e penso muitos dos que estavam a assisitir, também eu fiquei espantado com a ingénuidade de tais afirmações. É que vinham de um homem que na sua prosa demonstra um saber que vai muito para além de tais vulgaridades. Li dois dos seus livros, Era Bom que Trocássemos umas Ideias Sobre o Assunto, e, Fantasia para Dois Coroneis e Uma Piscina, e apesar do importante peso da ironia e mesmo do sarcasmo nos textos, sempre uma forma habilidosa de manter o leitor alerta, percebi ali muita vida. Porquê então tão básicas afirmações?

 

Acredito que o erro estará na tentação de aliar talento, quando de imaginação se trata, a grande inteligência (no sentido comum do termo), sagacidade, bom senso, ou mesmo senso comum. Talvez por isso o choque que muitas vezes se sofre confrontando a pessoa que imaginamos ser o escritor, e aquela que ele é de facto. Ao contrário do que somos tentados a pensar, aquela pessoa não veste uma outra por cima quando se senta à secretária a escrever, pelo menos os autênticos, aqueles que criam algo realmente novo, ou que disso estão sinceramente convencidos. Um destes dias lia António Lobo Antunes: são imerecidos todos estes prémios porque não fui eu que escrevi, a minha mão fê-lo sozinha. É disto que se trata. É algo de intrinseco a estas pessoas que as distingue e faz delas especiais.

 

De pessoas inteligentissímas que num piscar de olhos descodificam tudo que as rodeia, está o mundo cheio. Das que dentro destas fazem reverter a seu favor o que descobriram, vão havendo umas quantas. Aquelas de alma enorme ás quais acresce a maravilhosa capacidade de no-la dar a conhecer, sempre foram, são e serão escassas. É inutil tentar explicá-las, será muito bom desfrutar e tentar compreender as suas obras.

 

Simpáticamente, o autor aconselhava os mais novos que sonham um dia tornarem-se verdadeiros escritores a lerem muito....Desiluda-se (ou não) quem arregaça as mangas, pode engordar a conta bancária, mas não chega coração dos leitores. Magro(?) proveito de tanto desvendar. E agora...mãos à obra!


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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