semtelhas @ 10:44

Qui, 30/08/12

 Que justiça? Pergunta Thor Vilhjálmsson no seu livro, Arde o Musgo Cinzento.

 

De volta à paisagem natal, Islândia, um juiz educado e formado no sul da europa, vê-se convocado pelo seu pai para o substítuir e confrontado com uma realidade em tudo diferente da que tinha deixado, de volta aos cenários de infância que com eles recuperam  fantasmas e trazem inseguranças. A vastidão, a rudeza, a beleza pura dos elementos, e a crueza a simplicidade genuína, a frontalidade desarmante das pessoas muito perto e em comunhão intrinseca com a natureza, quase iguais no bom e no mau, abalam profundamente um homem que pensava ter encontrado a verdade pela vivência intensa num mundo frenético, a maturidade. Posto perante a necessidade de julgar um crime, cai num dilema moral que o leva a pôr tudo em causa. Nas origens e de volta ao princípio.

 

Islândia da primeira metade do séc. passado, um país ainda completamente mergulhado num sistema de subsistência, quase exclusivamente agrícola, sustentado por uma sociedade estruturalmente básica. Cenário ideal para o confronto entre os beneficíos e maleficíos de leis iguais, pretensamente justas, independentemente do meio ambiente em que são aplicadas. Será possível fazer os mesmos juízos, aplicar as mesmas sentenças, a alguém que praticou um crime(?) no meio das montanhas, do qual nunca saiu, que não sabe ler nem escrever, que tem uma visão do mundo restrita à pequena aldeia onde sobrevive, trabalhando sol a sol, sofrendo todo o tipo de inclemências da natureza e dos seus semelhantes, ou a quem interage com milhares de pessoas cultas e informadas dentro de uma urbe plena de conforto e segurança? Com que direito alguém chegado deste paraíso pode estabelecer regras, julgar e castigar os sobreviventes daquele inferno? Por ser mais esclarecido? Perante o ato de punição de que lado ficam as dúvidas e a culpa? Nos olhos frios, julgadores, ou nos interrogativos de espanto e medo?

 

Será provávelmente uma fatalidade que as coisas tenham de ser assim. Talvez por isso, continuamos a assistir, ao fundo da rua, como no fim do mundo, à aplicação deste mesmo tipo de (in)justiça. Mas esse facto não é suficiente para que deixe de se colocar a questão: no fim, sentenças proferidas, de que lado ficam as "mãos limpas"? As consciências aquietadas? 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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