semtelhas @ 12:29

Seg, 27/08/12

 

Provávelmente não existe explicação etimológica para esta palavra, mas se pensarmos em três Amstrong, Neil, Lance e Louis, a palavra "forte" parece não estar ali por acaso.

 

Terá sido a minha primeira, e uma das raras "diretas". Com dez anos e vivida juntamente com o meu pai numa muito quente noite de julho de 1969. Foi com enorme entusiasmo que assistimos aquelas horas que antecederam e o momento em que Neil Amstrong pisou o solo lunar. Consciente do que tal passo representava para a humanidade, se não do ponto de vista cientifíco, seguramente do político, foi o meu pai o responsável por me ter aguentado firme até às seis da manhã, ou coisa parecida. Num dos momentos altos da guerra fria, discutia-se a liderança mundial entre os EUA e a União Soviética que, haviam alguns anos, tinha sido pioneira na conquista do espaço ao colocar, pela primeira vez, um ser vivo a orbitar a Terra ( a célebre cadela Laika). Por cá vivia-se a esperança de uma abertura ao mundo, que o acidente de Salazar havia possibilitado, e de que aquele momento era paradigma. Portanto um tempo de mudanças, de esperança, ainda muito longe do cinismo que hoje impera. Para além disso tratava-se de uma missão nunca realizada e, por isso, ninguém sabia ao certo o que ía acontecer. Lembro-me perfeitamente de quando vimos as primeiras imagens lunares, procurarmos ávidamente pequenos extraterrestres a espreitar algures por trás das pedras ou a surgir da poeira. Não aconteceu, mas não deixou de ser profundamente emocionante, depois de horas de dúvidas e hesitações, ver aquele senhor aos saltos naquela mesma lua que eu nos dias anteriores tão atentamente tinha perscrutado, e nos seguintes havia de vigiar ou sonhadoramente admirar.

 

 

 

Tinha (tenho?) uma enorme admiração pelo homem. Não é qualquer um que vence o cancro e depois ganha sete voltas à França em bicicleta. Acompanhei algumas etapas e aquilo cansava só de ver! A maneira como ele arrancava por ali acima, naquelas estradas dos Pirinéus e dos Alpes, deixando como que parados todos os adversários era desumana. Mais novo tinha visto coisas parecidas, protagonizas especialmente por Eddy Mercks, também por Luís Ocana, mas aquilo era demais. Infelizmente, e a confirmar-se o que se diz, era mesmo desumano por ser batota. Já há muito se fala que Lance Amstrong foi o percursor das transfusões de sangue totais, única forma de contornar a questão do doping. O problema, eventualmente estará mesmo aí, ao tempo dos factos aquela situação não estaria identificada como ilegal. A dúvida subsiste. Ainda assim ficam algumas certezas: trata-se de uma pessoa fora do comum, de uma força de vontade inquebrantável, e que esta problemática, a par de outras semelhantes,  nomeadamente da engenharia genética e da ética, ou falta dela, associadas, está longe de beneficiar de uma legislação esclarecedora. Também é verdade que será quase como querer acompanhar um comboio em andamento correndo ao seu lado, mas algo terá que ser feito.

 

De Louis Amstrong só coisas boas. Pioneiro de um certo jazz, idolatrado por muitos, amado pelos seus pares, único no estilo como tocava trompete e sobretudo possuídor de uma voz inconfundível, talvez aquela que mais "alma" transmitia, cumpriu sem mácula a via sacra dos negros daqueles tempos, tornando-se o ícone que todos conhecemos. Música, cinema, artes plásticas, intervenção politica e cívica, tudo a grande nível. Um verdadeiro herói. Para além do hino ao amor que representa o seu, literal e musical wonderful world, acho os duetos com Ella Fitzgerald autênticas e intemporais obras primas.

 


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