semtelhas @ 12:09

Sab, 25/08/12

Acontecimentos vários têm vindo a pôr em causa esta visão que têm e temos de nós mesmos, enquanto nação.

 

Não tem sido fácil libertarmo-nos do salazarento, e já bafiento manto de "songuinhas manhosos", sempre na sombra, aguardando pelas migalhas que vão sobrando para garantir a sobrevivência com o menor esforço possível. Começam no entanto, finalmente, a surgir sinais de estrebucho, procura de ar fresco e de novos horizontes. Foram precisas duas gerações após o ilustre, e para tantos saudoso, ter caído da cadeira.

 

Acontece porém que o mais notório movimento nesse sentido é...sair daqui para fora. Setenta por cento dos universitários prometem-no, todos os meses milhares fazem-no e dos outros só os mais jovens, os mais velhos, e os que estão bem na vida não o desejam. Misterioso este nosso destino de só nos dispôr-mos a arregaçar as mangas "lá fora". Porque será?

 

Ainda antes, e de uma só penada, a prova de que no exterior fomos ativos e eficazes, não ficando nesta matéria a perder em meças com ninguém. Decorre atualmente no Rio de Janeiro uma revolução sobre todos os pontos de vista, e particularmente na construção civil, afim de preparar a cidade para o mundial de futebol de 2014 e para as olimpíadas dois anos depois. Nunca tanto e tão fundo se tinha cavado naquela terra. Os vestigios que estão a encontrar da presença portuguesa, nomeadamente no que à escravatura diz respeito, estão a trazer à luz do dia uma civilização com hábitos e atitudes bem longe do brando. Já o tinha demonstrado, e de que maneira!, Murilo Carvalho, no seu fantástico livro No Rastro do Jaguar. Aquilo é que era "pôr mãos à obra".

 

Porque será então que por cá a coisa vai continuando morninha e, quem quer sentir os horrores do frio ou as delicías do quente, ou vice versa, tem que se pôr a andar?

 

Será por coisas como este extraordinário e cada vez mais kafkiano processo de liquidação da RTP? No qual o Borges, depois das sábias palavras, os pobres que paguem a crise, de volta ao ataque, anuncia o desmantelamento do mais eficaz meio de difusão de educação e cultura, alienado a vendedores da banha da cobra? É certo que o homem tem que garantir receitas para que os amigos continuem a poder pagar-lhe muitos milhares por mês, para os quais se têm mostrado insuficientes os sistemáticos cortes nos miseráveis proveitos dos tais, os que o espécime diz que devem pagar a crise. Afinal recebem para aí 1/100 do que ele ganha, e querem mais? E não é que o inteligente ainda diz, com um sorriso nos lábios, que quem trabalha na televisão pública pode, pura e simplesmente, ser posta na rua? Pena tanta energia e vontade de sacudir o mofo, ainda por cima vindas de um homem do norte (tinha mesmo que ser), desperdiçadas no lado errado(?). Será que se vai perder esta oportunidade de ouro de criar uma televisão, politicamente independente, verdadeiramente ao serviço das pessoas que a pagam?

 

Cá está chegada a hora de, novos, velhos, universitários e sobretudo a chamada classe média, que nos sustenta a todos, ainda antes, ou em vez de emigrarem, darem uma demonstração de mudança para enérgicos costumes, revoltando-se contra aquele que pode vir a ser o maior atentado contra a liberdade, abafando o sopro de cultura que temos, por troca por mais alienação e ignorância. Está tudo preparado, e o chefe da banda é o artista das equivalências, a sebosa e sorridente "mão direita" do nosso primeiro. É preciso mais? 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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