semtelhas @ 12:25

Sex, 24/08/12

Lista de livros que, até há meio século atrás, a igreja católica dava a conhecer proibindo a sua leitura.

 

Todos os anos, mais ou menos por esta altura, vários orgãos de comunicação social convidam colaboradores seus ou personalidades ilustres, para fazerem a suas escolhas pessoais de x livros dos quais aconselham a leitura. Já vi de tudo, grandes pequenas, melhores e piores, pretensiosas e sinceras. Há no entanto um fator comum a todas elas, o indisfarçável desejo de quem as faz de dar a conhecer ao mundo a sua própria pessoa. Desejo, mais que legítimo, óbvio e até útil para quem consulta essas listas. Como é evidente aparece de tudo, desde os que só se preocupam em fazer demonstração da sua grande erudição, passando por aqueles que, já fartos de ser incomodados, debitam qualquer coisa e, acredito que felizmente ainda a maioria, os que procuram oferecer um leque variado de escolhas tentando assim atingir o máximo possível de potenciais leitores, o que, mesmo assim, pode ser demasiadamente restritivo. Foi o que aconteceu com uma recentemente publicada no Expresso.

 

Sendo o nosso país um dos que onde menos se lê, quem dá a conhecer estas listas assume alguma responsabilidade. Primeiro porque as pessoas agarram-se a elas "como lapas". Sem qualquer, ou com pouca cultura ou hábitos literários, acabam por se reger quase exclusivamente por esta espécie de aconselhamento de alguém supostamente capaz de o dar. Quem os publica sabe disso, por isso o faz, infelizmente como quase sempre, pondo os interesses economicistas à frente. Esta questão é tanto mais lamentável quanto maior fôr o seu prestigio. Talvez fizesse sentido o Expresso ter guardado para si próprio, enquanto entidade reconhecidamente credível, nomeadamente em termos culturais (publica algumas das melhores revistas do género), a responsabilidade de "completar" a lista de 50 livros propostos por alguns dos seus colaboradores, com alguns títulos óbvia e inexplicávelmente em falta.

 

Será que Os Lusíadas não tem qualidade suficiente para seja que lista fôr deste género? O continente africano não tem um único escritor digno de nela figurar? Naguib Mahfouz por exemplo, o qual ainda possibilita uma viagem fantástica pela cultura muçulmana. E Coetzee, e Doris Lessing? Já nem falo dos de expressão portuguesa, tantos e tão bons. Da américa do sul só Roberto Bolano? Então Gabriel Garcia Marquez, ou Mário Vargas Llosa, para só nomear dois. E os brasileiros? Da China, do Japão ou da Índia, nem um? Pátrias de Confúcio, Buda e do espiríto samurai são assim tão irrelevantes? Lembro Kenzaburo Oi, Arundhati Roy, Gao Xingjian ou Haruki Murakami.

 

Sugerir os clássicos gregos, mesmo sabendo-os de tão dificíl leitura, também Shakespeare ou alguns dos poetas, revela concerteza grande erudição, mas não me parece que ajude muito a criar leitores num país que tanto precisa da educação e cultura, que o leve a perceber onde está o mais importante para fazer escolhas no dia a dia e para o futuro. Ignorar assim com tanta displicência tanto e tão acessível mundo, quase funciona como se de um index se tratasse.

 

Se nem quem tem o conhecimento quer saber, quem o fará?

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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