semtelhas @ 10:47

Qua, 22/08/12

 

Os heróis do grande ecrã. Depois dos problemas surgidos com a exibição do mais recente Batman, nunca a questão terá sido tão pertinente.

 

Têm uma fortissíma influência sobre o imaginário dos mais jovens e, por isso, sempre foram utilizados como panfletos ideológicos por quem os criou e sobretudo por quem os promove. Mas, felizmente, alguns conseguiram escapar a esta lógica, ou pelo menos não fazer dela objetivo central, preocupando-se em combater todos os malfeitores, independentemente (ou quase...) de inconfessáveis interesses.

 

Desses destaco o meu preferido, o Super Homem, que aparte pequenas derivas, sempre teve como preocupação essencial lutar pelo bem estar das pessoas comuns defendendo-as do mal personificado por Lex Luthor. Também o Zorro ou Robin dos Bosques têm essa distanciação ideologico-panfletária centrando-se na questão social da proteção dos mais frágeis.

 

Do outro lado da barricada situam-se os nada subtis Rocky e, menos ainda, Rambo, porta bandeiras de um, digamos, "americanismo" básico, por vezes mesmo escabroso, efeito a que não escapa o apesar de tudo muito mais abrangente Indiana Jones. Fora dos todo poderosos EUA, campeões nessa cruzada contra o "mundo do mal", dois exemplos bem distintos. Desde logo na sua forma, um exclusivo da banda desenhada, e o outro à representação humana, Tintim e 007. Como este último nenhum outro personagem lutou tanto, e durante tanto tempo, contra essa origem de todos os perigos que eram " os russos". Poucas coisas terão trabalhado tanto e tão fundo nas mentes ocidentais, como este magnifíco agente secreto, ao serviço de sua britânica magestade, pela "liberdade" do mundo ocidental contra a dita opressão que ameaçava a leste. Tintim, pela mão do seu criador, Hergé, terá navegado por águas mais profundas, subliminarmente promovendo ideias fascizantes e racistas. Eficaz era, nunca dei por nada...

 

O Batman que está em exibição inclina-se mais para o alerta contra o mal e menos para o aproveitamento politico. Longe do puro entretenimento doutros tempos, doutros Batman, Christopher Nolan, fiel ao seu estilo (lembremo-nos de Inception), grita-nos ao ouvido o perigo que são os profetas das guerras no terreno, olho por olho, dente por dente, contra os poderosos deste mundo. Possuídos pelo vírus da violência, mais não querem que uma destruição generalizada, pela qual eles próprios serão voluntáriamente consumidos, única forma de escaparem ao inferno que é a sua existência. Também eles vitimas do sistema são a mais eficaz arma para conduzir ao seu fim, mas a um preço muito elevado, o sofrimento mais ou menos generalizado. A cura pela dor. Mal intencionados vendedores de promessas a que é preciso estarmos atentos, eis a mensagem. Obviamente embrulhada numa série de truques que pretendem, antes de mais, criar receita nas bilheteiras, e que terão resultado em equívocos que já custaram vidas. Tal como se pode duvidar da eficácia da "bondade" inerente à receita proposta para mudar o estado das coisas sócio-económico-financeiras do nosso mundo atual, também é legítimo pensar não ser a mesma totalmente inocente, refém de uma certa maneira ocidental de ver o futuro. 

 

Exemplos? Sim, sem dúvida. Porém, uma questão subsiste, bons ou maus?

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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