semtelhas @ 11:10

Ter, 21/08/12

A diferença entre estas e o simples embuste, está no facto de manterem uma réstia de esperança em virem a ser bem sucedias. A distinção nem sempre é fácil.

 

Das mais recentes retenho quatro. Duas chegam desse país tão rotinado na utopia, a Rússia. Berço de artes levadas ao mais alto nível, literatura, música clássica ou bailado, elas mesmas o caminho para o sonho, criou talvez o maior de todos os anacronismos, o comunismo, procurando libertar o homem enquanto grupo, por via de uma justiça igualitária, amarrando-o na sua individualidade. Refiro-me a Gary Kasparov (dizem que mordeu uma orelha a um policía), e ao grupo rock(?) Pussy Riot. Ambos detidos e correndo o risco de passar uns anos nos calabouços de Putin. Em conjunto representarão concerteza um vasto grupo da população russa. Ele por ser talvez o maior campeão de todos os tempos da história universal do xadrez (agora falo daquele jogado em tabuleiros e já não de gradeado sol aos quadradinhos), homem de meia idade, óbviamente muito inteligente e verdadeiro herói nacional, configura o que serão algumas das melhores condições para tornar uma pessoa credível. Elas por serem jovens e celebrizadas pela sua superpopular atividade entre uma importante faixa etária, não só em número mas também em entusiasmo e capacidade de mobilização. Estará em preparação um explosivo cocktail Molotov? (eis outro grande e "maluco" russo).

 

As Wikileaks de Julian Assange representarão, eventualmente, a maior utopia das últimas décadas. O que a revelação de inumeros documentos trocados entre alguns dos principais protagonistas mundiais em várias áreas, responsáveis por aquilo que é a nossa vida comum enquanto habitantes do planeta fez, foi demonstrar à exaustão quanto são humanos e, portanto, vaidosos, arrogantes, medrosos, brilhantes, sedutores, mesquinhos, falíveis e, sobretudo hipócratas. Acredito que o australiano pretendia mais do que visibilidade e tudo o que esta arrasta atrás. Teve e ilusão de que podia provocar verdadeiros terramotos e saíram-lhe ligeirissímos abalos. Ter-se-á esquecido que por detrás do que aparece na comunicação social, há todo um outro mundo, muito mais pacífico e conivente, no qual muito daquilo que chega ao comum dos mortais é prévia e cuidadosamente ensaiado. Em nome de evitar mal maiores nascidos de hipotéticos e colossais conflitos, as personagens em causa vão distribuindo entre si a esmagadoramente maior parte do bolo, tratando depois de fazer uma espécie de distribuição, bodo aos pobres, pela restante imensa maioria. Segredos verdadeiramente importantes nunca Assange de facto revelou, estão estes senhores demasiado ciosos dos seus lautos interesses para se darem a tais descuidos, mas, mesmo que tal tivesse acontecido, far-se-ía como dizia o outro: mudava-se qualquer coisa para que tudo ficasse na mesma. Como não brincam em serviço já providenciaram umas violações. Não se espere nada de bom.

 

Por cá, a maior queda do céu aos trambolhões foi protagonizada pelo Chico Louçã (não resisto ao "carinho"). Não tenho a mais pequena dúvida que este trotskista acreditava mesmo que era possível levar as pessoas a terem opções e posturas mais solidárias. Que em função de uma politíca realmente inteligente, que teria em conta a capacidade das pessoas perceberem o quanto melhor seria para todos uma mais equitativa distribuição dos recursos, seria possível tornar o país, e o mundo, melhores. O mais espantoso é que chegou a convencer muita gente, tanta que acabou por ser demasiada. É que foram tantos que o obrigaram a olhar, olhos nos olhos, esse montro que é o poder e, com ele, a obrigatoriedade de tomar decisões e, com estas chegou essa malvada destruidora de todos os sonhos e utopias, a realidade. A história está cansada de mostrar que a natureza humana não se compadece com solidariedades, isto é um "toca a acartar pra casa". Se assim não fosse ainda estaríamos "a atirar paus e pedras uns aos outros". Há um preço a pagar. O Chico está a pagá-lo sob a forma de descrença. Provávelmente o pior ainda estará para vir, quando os outrora mais próximos camaradas lhe começarem a apontar o dedo. É assim a vida.

 

Sobra uma pergunta, vale a pena? Proponho como resposta outra pergunta, o que seria de todos nós? do mundo? sem o sonho protagonizado pelos Kasparov, pelos jovens, pelos Assange e Louçãs desta vida?


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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