semtelhas @ 13:32

Dom, 22/07/12

Quando o mensageiro se torna mais importante que a mensagem, sobretudo se esta é relevante, isso quer dizer que estamos perante alguém dotado de grande capacidade de comunicação. Todos o reconhecemos no caso de Hermano José Saraiva.

 

 

Para além desta característica era também um homem profundamente conservador e, por consequência, perfecionista em todas as atividades que se propunha executar, escravo dos seus conceitos de ética e estética, mas também de natureza extrovertida, entusiasta e alegre, em suma possuidor de um enorme ego.

 

Tal como a grande maioria das pessoas, também eu nutro pela multifacetada personagem sentimentos ambivalentes, igualmente como a todas elas, éra-me dificíl resistir às carradas de charme e sedução com que, juntamente com as estórias com que enfeitava a história, nos armava a ratoeira onde caímos vítimas do brilho, e ele nos (e se) encandeava, entusiásticamente relatando episódios decorridos séculos atrás como se tivéssem sido ontem.

 

Uma vez embalado nunca mais ninguém o segurava, imparável centro das atenções, hipnotizado pela suas próprias palavras, cada vez mais certo da posse da verdade, irredutabilidade que tantas vezes o terá levado a sofrer grandes revezes como terá sido, por exemplo, o seu afastamento do governo após revolta estudantil. Era daquelas pessoas, que pela profundidade e dimensão da dor que lhes provoca, ás quais é impensável abrir mão das suas crenças, mesmo quando óbviamente erradas ou ultrapassadas, que preferem arrastar estigmas ao longo do resto da vida. Aquela convicção, mas também falta de humildade que distingue os homens de muito valor, das personagens de igual valia mas que adquirem enorme dimensão por lhe acrescentarem humanidade. A grandeza de, brilhando intensamente, serem capazes de vislumbrar para além dessa barreira de luz.

 

Ainda assim, e embora o senhor de La Palisse as não desdenhásse, não resisto ( cá está a força do comunicador que era Hermano José Saraiva!) a citá-lo em três questões. Primeiro a forma como ele continuava, ainda há pouco tempo, a defender a colonização justificando-o pela necessidade e obrigação dos povos mais desenvolvidos levarem a civilização aos mais atrasados, omitindo quando e de que forma deve terminar esse processo. Segundo, quando dizia que no sul era muito menos conhecido que no norte, e até contava o episódio de ainda recentemente, algures abaixo do Tejo, lhe terem pedido o bilhete de identidade para se identificar. Situação que ele explicava pela enorme diferença cultural entre as pessoas que vivem acima ou abaixo do Mondêgo...deixando de fora politicas amarguras. E, finalmente, a propósito da democracia enquanto sistema político, que era fantástico em países de alto nível cultural e educativo como a França ou a Inglaterra, mas se aplicada num país dos confins de Africa, os habitantes daquele acabariam a "comer-se uns aos outros". E em Portugal? Ao que respondeu: se é pela educação e cultura que a democracia se começa a construir então porque é que no nosso país se gasta muito mais dinheiro com o ensino universitário que com o primário?

 

E esta hem? Como diria outro, também já desaparecido, comunicador da nossa praça.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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