semtelhas @ 12:55

Sex, 29/06/12

No inicío todas as grandes ideias de mudança dão origem a muita desconfiança e, no caso das de grande fôlego, são consideradas utopias. Estas últimas só conseguem vingar se o acaso faz convergir favorávelmente uma série de premissas à partida inconciliáveis, se surge uma pessoa suficientemente convicta e capaz de arrastar multidões atrás dela na persecução do objetivo ou, ainda mais raro, quando estas duas hipóteses coincidem.

 

É o que acontece segundo o argumento do filme, A Pesca do Salmão no Íemen, baseado no livro com o mesmo título. Uma satírica comédia romântica que, sem se levar muito a sério, aborda alguns dos problemas mais presentes dos nossos dias e, principalmente, uma questão de sempre, que atravessa os tempos, ter ou não ter fé. Essa força que não se explicando pode mover montanhas.

 

Após a morte de uma séria de soldados britânicos no Afganistão, o governo inglês tem necessidade de distrair a opinião pública desse facto através de algo que, vindo daqueles lados, possa minimizar o impacto e criar ilusões positivas que "justifiquem" o ocorrido. A ideia maluca existe, a máquina de propaganda politica é diabólica, só foi necessário juntar um cientista e uma secretária de uma agência comercial numa fase desorientada das suas vidas, e um capitalista para que a coisa aconteça. É este último a alma do projeto, a tal pessoa que, contra tudo e contra todos acredita no sucesso da loucura que é tentar pescar salmões no deserto. O filme tem imagens muito bonitas, as interpretações estão a cargo de excelentes atores e o desenlace, não sendo surpreendente, não tinha que o ser, contém uma bela mensagem.

 

É de um homem com o perfil do verdadeiro herói desta fita, que curiosamente não é o que fica com a beldade da ordem, que a europa do euro carece. Ou, por outras palavras alguém que tenha fé autêntica no projeto inicial que apontava para um juntar de forças, para um organizar de esforços que conduzisse à melhoria no nível de vida das populações dos países aderentes à moeda comum.

 

Da última madrugada, para além da habitual promessa de distribuição de mais uns quantos biliões, quem é que ainda atenta na dimensão do número? Saiu da reunião do eurogrupo o reforço da ideia, parece que desta vez com mais entusiasmo, da imperiosa necessidade de "juntar os trapinhos". Os que têm dinheiro só aceitarão assumir a dívida de alguns como também deles, se puderem controlar como ele é gasto. Tal só é possível se a forma como cada um governa a sua casa, política, económica e socialmente, passar a ser problema de todos. Resumindo, um governo comum a um conjunto de estados federados.

 

O que é que falta para que se passe à ação? Voltando ao inicío, a primeira premissa para que se cumpra a utopia, a convergência das tais condições há uns anos altamente improváveis (leia-se a dimensão e profundidade da crise) estão aí, atingem-nos de todas as maneiras, e o emagrecimento da carteira não é a pior delas. Falta cumprir a segunda, a emergência de um líder. Quanto mais tempo demorar pior. As circunstâncias deteriorar-se-ão cada vez mais levando ao risco da escolha do mesmo ocorrer em desespero o que, é histórico, acabará por fazê-la recair sobre um qualquer populista vendedor de soluções milagrosamente fáceis e, a prazo, desastrosas. Esperemos que, enquanto é tempo, apesar de tudo em paz (mas em rápido apodrecimento), algum desses homens ou mulheres que têm o futuro de todos nas mãos, tenha a lucidez a coragem e a força imanente de uma fé qualquer, para colocar sobre carris e em andamento a locomotiva que há-de liderar este conjunto de países. Um comboio para o Futuro!


direto ao assunto: ,

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
procurar
 
comentários recentes
Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes er...
Este mercado de transferências de futebol tem sido...
O Benfica está mesmo confiante! Ou isso ou o campe...
Goste-se ou não, Pinto da Costa é um nome que fica...
A relação entre Florentino Perez e Ronaldo já deve...
tmn - meo - PT"Os pôdres do Zé Zeinal"https://6haz...
A azia de Blatter deve ser mais que muita, ninguém...
experiências
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim