semtelhas @ 13:38

Seg, 25/06/12

"Que terraço espetacular! Grande, virado a sul, sempre com sol!" Foram as palavras que adivinhei ditas por aquelas pessoas que, pela primeira vez, viam a sua nova casa. Transbordantes de alegria riam-se com o corpo todo. Beneficiárias de uma política camarária, tentativa para reanimar um dos muitos monstros moribundos da autarquia, plena destas zonas residênciais às moscas, que baixou considerávelmente as rendas para captar/ajudar potenciais moradores.

 

Por contágio recordei momentos semelhantes vividos por mim e pelos meus. Cada casa estreada correspondeu ao alcançar de um sonho, ao atingir de uma meta. Tal como aquela familia que hoje observei, vai, mais tarde ou mais cedo, achar tanto sol excessivo, o calor abrasador, nem se consegue dormir, também nós fomos traçando metas diferentes, até esbarrar numa parede chamada realidade.

 

É nessa insatisfação permanente que mora o gene da evolução, o facto de não continuarmos a atirar pedras uns aos outros, a arrastá-las pelos cabelos ( ok, ainda há para aí uns quantos pré-históricos). A grande questão é como gerimos esse desejo de mudança.

Ultrapassando a primeira grande escolha, responder à pergunta, qual a razão mais profunda que motiva esse desejo, ou qual o nosso conceito de evoluçao, qual o seu sentido, questões para decifrar mais tarde(?), ás vezes tarde de mais, direi que há três variáveis essenciais que condicionam decisivamente o sucesso ou falhanço do atingir o objetivo: reconhecer o meio ambiente em que se vive, o que nos pode oferecer como vantagens e tirar pelas desvantagens, assumir a realidade de quem nos rodeia, do universo familiar, no que é que ele pode contribuir para ou exigir de nós e, claramente mais determinante, ser-mos absolutamente conhecedores e sinceros quanto às nossas próprias capacidades.

 

Infelizmente as coisas não são assim tão simples. Logo a começar pelo sistema de ensino vigente que obriga a tomar decisões fundamentais para o futuro em idades em que não temos maturidade para o fazer, muito longe disso, ficando entregues à lotaria de ter pais tradicionais ou...visionários, até ao sufoco que é viver numa sociedade que sempre, independentemente do período histórico considerado, se preocupa mais com hoje que com amanhã. Dir-se-á, quantas pessoas com baixos níveis de expectativas atingiram cumes inimagináveis. Mas quantas acreditavam que podiam ir mais longe e ficaram aquém, muito aquém do que queriam? Incomensurávelmente mais. E aí é que está o drama. Pode ser medido pelo muito que está errado à nossa volta. Daí fazer sentido as familias ocuparem-se em dotar os seus filhos das armas necessárias para melhor tomarem as decisões deles, mantendo-se atentas, de reserva, caso sejam precisas para ajudar a que as vejam com mais clareza ou a considerarem alternativas da sua, deles, escolha.

 

Aprendi que a principal lei da economia reza, as necessidades são sempre superiores aos recursos, estes são sempre escassos. Está aqui sintetizada uma das principais regras da qual deriva toda a vivência humana, queremos sempre mais! Tudo começa em cada um de nós. Quanto melhor soubermos gerir essas expectativas melhor.

 

 

Obs - Hoje no passadiço sobre a areia uma avó como as outras empurrava o carrinho com a neta, entre um e os dois anos, sujas-te a avó toda, dizia, até aqui tudo bem, normal, até que desata a cantar Boss AC, hoje já é quinta-feira, e o bébé a plenos pulmõeszitos, yeah, amanhã é sexta-feira, e volta a criança, yeah, e eu fico a pensar, fantástico, génio ou Pavlov a encher silêncios? Seja como fôr promete.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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