semtelhas @ 12:42

Sab, 23/06/12

É a característica principal que as pessoas do Porto oferecem a esta festa de S. João.

 

Não obstante ser  o santo popular de vários municípios, do seu dia festivo em cada ano que passa, é nesta cidade que as comemorações populares adquirem formas muito especiais. Do ponto de vista histórico, antropológico, ignoro haver razões para esta autêntica febre generalizada cujo delirío se manifesta na procura de contacto fisíco entre as pessoas.

 

Constitui para mim um mistério o que leva as pessoas, uma vez por ano, a sair em massa para as ruas da cidade, e desatarem a tocar-se, a falar-se, e a, mais que olhar-se, ver-se. Também eu tenho a minha opinião a propósito do fenómeno, mais uma entre tantas que carecem de suficiente fundamentação, terá que ver com a natureza fraterna desta gente, tantas vezes registada na história, da qual refiro como o exemplo, o episódio durante a guerra civil, no qual os portuenses prescindiram de todas as suas reservas alimentares para as oferecer ás tropas liberais que haveriam de libertar o país, sobrando para eles as vísceras dos animais e o apelido de tripeiros. Quase todo o tempo sérios, fechados, desconfiados, para, de uma só vez, libertarem, numa explosão imparável da já não mais contida necessidade de partilha de afetos, de redenção para desavenças, dar oportunidades a novos começos. 

 

Quanto a mim sinto a sensação do dever cumprido. Primeiro pela mão dos pais, cidade afora, alegria esfusiante, as primeiras multidões, os primeiros apertos, martela aqui, cheira ali, esfrega acolá, as sardinhas, os carrinhos de choque, o fogo de artificio. Depois a primeira noite sem dormir, as longas caminhadas até à Foz, deitarmo-nos na areia a ver o mar de um lado e um dos primeiros nascer do sol do outro. E ela ali tão perto, tão surpreendentemente disponível. Mais tarde, já com o filho pela mão e a companheira ao lado, o passar do testemunho para reinicío do ciclo.

                        


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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