semtelhas @ 12:48

Sex, 15/06/12

 

É a palavra que me ocorre depois de ver o filme, O Cavalo De Turim.

 

Uma semana depois de Cosmopolis, o seu inverso na forma, completamente assimétricos , e a sua total semelhança no conteúdo. Onde um mostra montes de gente no bulicío da grande metrópole, o outro, duas pessoas na quietude do isolamento de uma casa no meio de nada; onde um se esfalfa em frívolidades, em monólogos, diálogos, uso de tecnologia de topo, de sexo, de informação, tudo ao serviço de uma só pessoa, o outro é o paradigma do austero, da frugalidade monástica, na economia asfixiante das palavras e dos gestos, na absoluta ausência do desejo sexual e na demonstração máxima da aceitação terna. Onde um raspa a superficíe, o brilhantismo da rapidez e da embalagem, o outro afunda-se lentamente na essência dos conteúdos. É aqui que se encontra o que têm de semelhante aquele milionário, e aquele par, pai e filha, a mesma desesperança, a mesma tentativa do esquecimento pelo anestesia, a desistência. Nesta, talvez a diferença fulcral, uma desesperada, fuga, a outra assumida, tranquila.

 

Mais de um século depois, dois conflitos globais que mataram milhões mais um sem fim de outros conflitos, inúmeros pensadores que revolucionaram a forma como a sociedade interage politica, social, económicamente e, sobretudo, todo um mundo tecnológico que a ciência colocou ao nosso dispôr, tornando a vida de todos, ou quase todos nós muito mais fácil e, como resultado, a mesma escuridão.

 

No único momento do Cavalo De Turim onde um personagem diz mais que meia dúzia de palavras, autênticas sentenças, juízo final, percebemos que podiam ser proferidas hoje. A presença do cavalo, a forma como ela vai evoluindo, voz na consciência dos racionais, primeiro a desistir, vítima e benificiário do instinto, funciona como contraponto para a ação das pessoas, da sua humanidade e inteligência. Todo o filme, visualmente muito belo, remete para a necessidade de dar um sentido à vida, pelo aprofundamento, atentividade e concentração em tudo que nos rodeia, na procura de uma harmonia que traga significado às coisas. Tarefa extraordináriamente dificíl, normalmente vítima dessa assassina que é a rotina. O filme, ele próprio, faz-se rotineiro para nos dar prova fisica da necessidade dessa resiliência, absolutamente indispensável para resistir à tentação da falsidade do rápido, do engano do fácil, da mentira do disfarce.


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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