semtelhas @ 14:31

Qua, 23/05/12

A promoção massiva, quase insultuosa para a inteligência das pessoas, que a SIC utilizou para um programa em que contava a ascenção de Jorge Mendes a maior empresário do futebol, em valores transacionados, criou em mim tantos anti-corpos que quase o perdi. Felizmente, e porque foi longo, acabei por ver para aí metade. E valeu a pena.

 

Durante o reportagem foram entrevistadas muitas pessoas ligadas ao futebol, de jogadores a presidentes, de treinadores a dirigentes, de vários clubes, dos mais importantes a nível interno e global e, consequentemente, adversários, rivais e até inimigos uns dos outros. Contudo absolutamente de acordo quanto à valia do empresário: honesto, frontal, inteligente, solidário, resiliente e, mais que tudo, trabalhador incansável. Retive a opinião de Peter Kenyon, antigo manager do Chelsea, que dizia, num mundo cão como este só há uma via para o considerarem, incontestávelmente o melhor, ser boa pessoa, intrinsecamente, porque só por aí se conquista a confiança das pessoas, a chave do sucesso. Também lembro Laporta, antigo presidente do Barcelona, que comparava Jorge Mendes a Jerry Maguire (Tom Cruise), o do filme, a dizer aos jogadores que só pondo todo o coração no jogo e deixando a pele no campo podem vencer.

 

Dois dos mais importantes testemunhos, talvez mesmo os principais, foram os de Mourinho e Ronaldo. Tal como todos os outros, também eles devem a JM boa parte da sua ascensão ao estrelato, sempre protegidos e guiados, no meio do turbulento e perigoso mundo dos milhões, por este simples, simpático e brilhante português.

 

Comum a estes três portugueses podemos encontrar a sagacidade, a sedução, o talento intuitivo e a capacidade de trabalho, mas em doses distintas. A sedução é maior em JM. Mourinho é o mais sagaz, ficando a maior dose de talento para Ronaldo. Está no entanto na enorme capacidade de trabalho destes homens a maior virtude de qualquer um e de todos eles. Um vive em aviões, práticamente não tem familia, são os clientes!, e como dizia com muita graça o presidente do Corunha, aquilo é um telemóvel com um homem agarrado. O outro é um fanático da teoria, da estatística, analisando o futebol como se de uma ciência se tratasse, dedicando, por isso, práticamente todo o seu tempo ao jogo. Quanto a Ronaldo é sabido, dito por todos e de todos os clubes por onde passou, que é o primeiro a chegar aos treinos e o último a sair. Um futebol de laboratório, experimentado até exaustão.

 

Não deixa de ser irónico mas também muito significativo que, três portugueses, sejam o melhor empresário de sempre, o melhor treinador da história e o atual melhor jogador do mundo, e, imagine-se! sobretudo por serem grandes trabalhadores! Dá que pensar.

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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