semtelhas @ 11:54

Qui, 26/04/12

 

Agosto, férias sol e calor, pai, mãe, filho e uma Lambretta.

 

Era digno de um número de circo: no selim da frente o pai, bem chegado para trás de forma a que o filho pudesse sentar-se na ponta, no detrás a mãe e, na pequena grelha porta bagagens, as toalhas,a bola o balde a pá, e ainda uma saca com o almoço, o lanche? também na saca. Para completar o quadro duas canas de pesca. Uma pequena, para a filho, que a transportava, desmontada, numa das mãos. A outra, grande, funcionava como garantia do equilibrio contra distrações( tal qual nos formula 1) pois, dada a sua dimensão, a ponta era pousada no guiador, ficando um bom metro para a frente deste, o meio segurava-o a mãe, a parte de trás era presa à grelha onde seguia a bagagem, e para além da qual seguia bem mais de um metro.

 

Saíamos bem cedinho para não apanhar muito trânsito. Mais ou menos meia hora de caminho até à praia, sempre a descer. Ainda antes tínhamos que passar na Afurada para comprar "bicha", o isco com que enganávamos ou peixes. Uma vez chegados havia que atravessar um mar de garrafas, sacas, cascas disto e daquilo, papeis, etc.,etc. Cada um com seu fardo, até ao rio. Depois de delimitado e preparado o território a cerimónia dos cremes. Para a mãe Bronzaline, bem passado, faz favor! para o pai e filho Nivea. O pai, com olhos de explorador africano a estudar a savana, estende o olhar areal fora para escolher o melhor local para montar as armadilhas, no caso lançar o isco. Não sem que antes toda uma cerimónia de montagem das armas letais tenha acontecido. Ele era o fio, o carrinho, a chumbeira, o anzol, enfim... uma canseira! Junto à água, com as duas canas e os olhos fixos na ponta das mesmas, ao mais pequeno movimento era sinal que o peixe tinha picado, o pai, o filho a uns metros, a brincar e, ao lado a mãe, a fritar.

 

Conforme as horas passavam, e porque estas aventuras eram marcadas escrupulosamente para os dias em que a baixa mar coincidia com o fim da tarde, a distância entre nós ía aumentando. Perto do fim da tarde, por vezes já depois das oito, um enorme areal nos separava. Entre nós, muitas vezes sozinhos na praia, muitas dezenas de gaivotas. O filho, já depois de ter tirado um ou outro peixe, corria atrás delas provocando uma nuvem viva. O pai acenava-lhe lá ao longe, a mãe pacientemente esperava e, ao fundo, o circulo laranja, enorme, fogo que se apagava.

 

Para cima, venho da festa... o peso do almoço trocado pelo do jantar, peixe fresco. Cansados, sujos e felizes. A Lambretta aguentava! Que saudades.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
procurar
 
comentários recentes
Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes er...
Este mercado de transferências de futebol tem sido...
O Benfica está mesmo confiante! Ou isso ou o campe...
Goste-se ou não, Pinto da Costa é um nome que fica...
A relação entre Florentino Perez e Ronaldo já deve...
tmn - meo - PT"Os pôdres do Zé Zeinal"https://6haz...
A azia de Blatter deve ser mais que muita, ninguém...
experiências
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim