semtelhas @ 14:40

Dom, 22/04/12

Quando se fala de futebol, de Espanha, do Barcelona, do Real Madrid, estamos a referirmo-nos ao topo, muitos milhões, comunicação social usada a abusada até à náusea, tudo o que gira à volta daquela tribo em geral e desta em particular, é glosada até ao limite.

 

Acontece que, por obra sabe-se lá da quê, ou de quem, talvez por se tratar de uma área pela qual os portugueses sempre mostraram grande apetência e muita habilidade, na crista dessa global e glamorosa onda surfam Mourinho e Ronaldo. E o mais notável nesse facto é o de continuarem a bater recordes. Mourinho caminha a passos largos para se tornar o melhor treinador da hitória do futebol, e Ronaldo, se não chegar a tanto quanto a futebolistas, não ficará longe. Mais espantoso ainda, ambos devem a sua excelência não a algum especial instinto natural, mas a muito trabalho, quase, se não mesmo cientifíco. Mourinho é o rei do calculismo, o maníaco da estatistica. Como é óbvio é favorecido por uma inteligência superior que, entre outras coisas, lhe dá uma enorme capacidade de interagir com as pessoas (e que pessoas! todos milionários, normalmente pouco cultos e, normalmente, não muito educados). Quanto a Ronaldo quase se pode dizer que, independentemente de um inegável talento intrinseco para a bola, há ali muito laboratório, diria mesmo que a capacidade fisica é a essência do sucesso. Uma vez lançado é quase impossível pará-lo, somatório de velocidade e resistência. Lembra-me o que alguém dizia: Messi joga em circulos, Ronaldo em linhas retas.

 

 

É surpreendente tudo isto vindo de um país como Portugal, normalmente considerado, justamente(?), um pequeno país, mediano nas suas qualidades, por vezes mesmo mediocre. Depois de, repetidas vezes, ter assistido a reações, digámos, menos nobres, destes nossos ilustres compatriotas, sempre me pareceu bem encaixá-las num cenário de necessidade de alguns excessos indispensável para minimizar as distâncias artificialmente causadas pelos poderosos, passado, comunicação, poder em geral.

 

Já ontem, não gostei especialmente daquele gesto de Ronaldo, quando após ter marcado o golo da vitória, em vez de correr, desalmado de alegria, ou de tranquilamente festejar com os colegas, aconselhar calma, ainda estou cá para resolver. Indicia egocêntrismo onde teria ficado melhor espôntaniedade ou grandeza. Fiquei feliz com o golo e com a vitória. Mas ficaria mais ainda se Ronaldo tivésse a perceção que esta não é só dele, aos olhos do mundo também é de Portugal. Seremos realmente grandes quando os nossos melhores tiverem essa largueza de espírito que permite festejar, não a derrota dos adversários, mas a nossa vitória.

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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