semtelhas @ 12:40

Sex, 10/10/14

 

DESILUSÃO

 

A confirmar-se a pressentida deriva de Rui Moreira daquele que parecia ser o seu caminho, a intransigente defesa do Porto, do norte, e de uma ideia de descentralização no essencial, independente, e independentemente dos habituais e inumeros interesses que sempre rodeiam quem chega onde ele chegou, então, mais que um problema para a cidade, trata-se de uma enorme desilusão.

 

É que a vitória de alguém apartidário na segunda cidade do país parecia, e muito provávelmente é, um sinal de amadurecimento democrático do eleitorado, condição essencial para que acabe, ou pelo menos díminua, o clientlismo que, como uma camisa de forças, impede o saudável e equilibrado desenvolvimento do país desde sempre dele refém. 

 

Que Rui Moreira é um homem acima de tudo calculista, talvez fruto de um passado em que ele próprio e a sua família foram vítimas de perseguição dada a sua condição social, eventualmente também natureza aristocrática, talvez porque seja assim mesmo, não terá escapado a muitos, mas a essa característica parecia juntar seriedade e obstinação positiva.

 

Também nunca conseguiu esconder aquele que porventura será o seu maior pecado, a vaidade. Oxalá o que parece não venha a ser, que apesar de todos os indícios, tudo não passe da necessidade de recuar um passo para avançar dois. Seria triste constatar a perda de uma tão grande oportunidade, não só para o Porto mas sobretudo pelo exemplo nacional que o seu efeito poderia produzir.

 

ESPERANÇA

 

Nestes tempos em que o mundo parece viver um ciclo negativo, daqueles em que tudo é posto em causa, quando mesmo o aparentemente mais puro e positivo têm telhados de vidro, ou pés de barro, onde a cada sinal de melhoria na consciencialização das sociedades, na necessidade imperativa dos homens se entenderem na prossecução de uma vida melhor para todos, único caminho possível para uma existência minímamente tranquila, sucede algo que pura e simplesmente deita tudo por terra, eis que, por uma vez, o poder, na sua imensa força, é posto em toda a sua magnitude ao serviço do bem, e surge mais um sopro de esperança.

 

Quando há uns tempos, no Paquistão, uma menina precoce, lutando pela sua liberdade lado a lado com as suas colegas e amigas, igualmente vitímas da sua condição feminina num país dominado pelo terror, terrorista mas também oficial, foi atingida por um tiro na cabeça que pretendia calá-la e dela fazer um exemplo, aconteceu, tem vindo a acontecer, algo que demonstra bem o lado solar desta sociedade de consumo em que tantos, tanto, e por tão acertadas razões, têm acusado de verdadeiramente responsável por grande parte dos seus malefícios.

 

Desde esse trágico momento, Malala, imediatamente transportada para Birmingham onde, no mesmo hospital para o qual são levados os soldados britânicos provenientes daquela zona de conflitos no mundo, durante várias semanas esteve entre a morte e a vida, foi sujeita a várias e complexas intervenções cirúrgicas na cabeça, acabou por ser salva. Nos meses que se seguiram a preocupação foi recuperar, quanto possível, o bonito rosto que tinha antes da brutal agressão dado a bala por ele ter penetrado. Depois, e até hoje, dia em que recebeu o Nobel da Paz, foi, é vê-la, radiosamente iluminada por uma enorme força interior, cada dia mais bonita, também graças à faceta boa, maravilhosa, da ciência, a espalhar por todo o lado a mensagem que um dia tentaram interromper, mais não conseguindo que torná-la global. 

 


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semtelhas @ 12:04

Qua, 08/10/14

 

 

 


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semtelhas @ 17:31

Dom, 05/10/14

 

Era uma vez um país extraordináriamente bonito, situado exatamente no meio de uma cruz traçada no planisfério, na sua versão mais correta desde que se conhece o mundo tal qual ele é, e tendo em conta o espaço onde nasceu a cultura desde sempre mais determinante. Como se tivesse sido escolhido por qualquer deus, para um qualquer formidável destino, o qual, como tudo à face da Terra existente, tem um ponto fraco, neste caso os seus indígenas.

 

Ao longo dos seus quase mil anos segundo a atual denominação, são incontáveis os casos de automenorização, de mediocridade, de pieguice, de manha, e, acima de tudo, autêntico desporto nacional, como estas palavras aliás bem o confirmam, de refinado e sistemático exercício de escárnio e maldizer, para o provar aí estão as tão célebres quanto antigas canções. Parece ser algo intrínseco e inultrapassável e que não escolhe idades, credos ou condição social.

 

Os exemplos são muitos e em todas as áreas e circunstâncias, não faltando um número assustador de pessoas e instituições que, desde sempre, sentiram a necessidade de abandonar este jardim à beira mar plantado para irem pregar para outras freguesias, menos infetadas por esse terrível mal que é a inveja, para mostrarem o que valem e serem devidamente reconhecidas. Desde as elites até aos comuns trabalhadores todos brilham se longe do olhar do familiar, do amigo de sempre, do vizinho da terra...

 

O futebol será das menos importantes áreas a sofrer deste efeito sobre a sociedade. O FC do Porto é só mais um exemplo e, tal como outros, provoca e está sujeito aos mais inesperados equívocos. Exemplo raro de excelência reconhecida internacionalmente, como por ali é normal quem lá chega depara com condições de trabalho e profissionalismo que só reforça as expectativas criadas. Treinadores e jogadores ficam encantados e preparam-se para os mais altos voos. Fazem-se planos, criam-se expectativas.

 

Acontecem porém várias disfunções nascidas algures entre o sonho e a dura realidade. Nem a capacidade económica do clube está de acordo com a sua fama, nem os seus associados e simpatizantes muito em particular, pela evidência das suas manifestações, os que se deslocam à sala de exames que é o Dragão, têm a cultura futebolística, desportiva e geral  à altura, nem, talvez o mais decisivo, o país dominante está para ser desmascarado por quem quer que tente elevar a cabeça acima do mediano. Como uma fatalidade, por vezes milagrosamente ultrapassada, a epidemia propaga-se.

 

É óbvio o esforço de um treinador a tentar pôr uma equipa a jogar um futebol próprio para superjogadores, acreditando que a estrutura do clube o merece e suporta, mas na verdade servido por jogadores acima da média, ainda por cima muito jovens, custos oblige, atacados e logo infetados ao primeiro erro por uma massa popular impreparada para tais gourmets, brutalmente perseguido por todo um diabólico e secular sistema prómediocridade, tão bem consubstânciado por estes dias na paixão pela poderosa indústria multimilionária que é o futebol, resultando tudo isto num desgaste brutal. Até quando?

 


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semtelhas @ 14:12

Sab, 04/10/14

 

 


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semtelhas @ 11:05

Sex, 03/10/14

 

 

- Passos não foi suficientemente esclarecedor relativamente ao que recebeu da Tecnoforma - Mais, ou menos, esclarecedor nada o safa do lume brando onde vai ser cozinhado até à esturricadela final nas eleições legislativas.

 

- Bruxelas contra aumento do salário mínimo em Portugal - Compreende-se. Depois, se o pessoal deixa de andar de mão estendida, onde é que eles vão passar férias por dez reis de mel coado e, ainda por cima, com os indígenas  à volta deles de língua de fora e a abanar o rabo?

 

- FC do Porto volta a ver penalti negado, e Benfica equipa adversária com jogador expulso - E que calados andam os encarnados! Claro, com equipas de arbitragem que ganham não se mexe!

 

- Costa, depois da vitória, afirmou que aquele foi o primeiro dos últimos dias do Governo - Um alívio depois de um governo dos últimos dias!

 

- Passos Coelho revelou que a sua forma de fazer política incomoda muita gente - Cá está uma afirmação, das muito raras, com a qual a esmagadora maioria dos portuguesese está de acordo com o seu primeiro.

 

- Jerónimo de Sousa chama encenação às primárias no PS - Quase tudo se perdoa a estes guerreiros pelo seu papel fundamental a favor dos mais desprotegidos, no qual a luta para não serem absorvidos pelos socialistas é essencial, mas ele há afirmações de bradar aos céus! Jerónimoooooo...

 

- Ainda antes do anúncio oficial dos resultados Seguro demitiu-se de Secretário Geral do PS - Depois de três meses a roer, desnecessáriamente, o Partido, fugiu do Rato como um rato. Alguém acredita que ele acreditava?

 

- Família Espírito Santo recebeu cinco milhões pelos submarinos - E assim, lentamente, lá vamos mudando do mergulho nas águas mornas dos peixitos que somos, para nos afundarmos nas destes tubarões, escuras e profundas.

 

- Só 40% da água fornecida é cobrada - Então deve ser por isso que pago aquele balúrdio! Resta-me a consolação que, a ser assim, quando afinarem a coisa ainda me vão pagar por cima...

 

- Viagra pode prejudicar a visão dos utilizadores - Não faz mal, desde que se consigam levantar e alguém o(s) leve (na) pela mão...

 

- Obama viajou em elevador com homem armado - E não era das forças de segurança...ainda alguém acredita na teria da incompetência?

 

-Moody's não vê diferenças entre Dilma e Marina - Apesar de uma até ser mulata e a outra branca. Talvez a única circunstância em que estes americanos não são racistas, quando é para lhes ir ao bolso até podiam ser azuis às riscas!

 

- Governo justifica aumento do déficite com pagamento dos salários - Enquanto FMI aconselha investir nos ricos e mais austeridade para os pobres. Estaremos já naquele estado de loucura da atração pelo abismo, que precede as grandes desgraças globais?

 

- Fernando Pinto: Já apresentei ao governo três ou quatro interessados - Também se sabe que pretende continuar à frente da TAP após privatização. Até que enfim tudo se explica e compreende!

 

- Reunião de urgência para discutir presença de bustos de presidentes ditadores num corredor no parlamento - Onde foram buscar tempo para tão elevada discussão? Continuam a gozar connosco.

 

- O novo comissário europeu para a digitalização afirmou: não vou proteger celebridades suficientemente estúpidas para se fotografarem nuas - Claro! E depois como protegeria os milhões de candidatos a celebridades?

 

- Ricardo Salgado afirmou querer saber quem foi o desconhecido que também recebeu luvas na compra dos submarinos - Aviso à navegação de que a vingança é um prato que deve ser servido frio...

 

Bruno Carvalho chamou rufia a Pinto da Costa - Enquanto insulta e despede sportinguistas ilustres, e acusa FCP e SLB de quererem destruir o futebol português. Além da já conhecida estupidez e do óbvio desespero, começa a cheirar a demência. Ninguém manda internar o pobre homem?

 

- Júlio César tem lesão crónica nas costas - O grego parece cansado e Cristante não pára de chorar em resposta aos lancinantes apelos para que volte, sobram o Talisca e umas tijoladas do Eliseu. Se calhar até chegava, pena é não poderem levar os árbitros para a Champions...

 




semtelhas @ 16:03

Qui, 02/10/14

 

A gente vai por ali fora, rio abaixo, parte da nascente na Alemanha e cruza Viena, Budapeste, Bratistava... ao longo de vários países até à foz na Roménia. Ficámos a conhecer os sítios e as pessoas, desde os primórdios, naquilo que pensavam, como agiram, que influência tiveram em outras. Naqueles lugares, por onde o Danúbio passou, viveram alguns dos melhores, mas também dos piores de nós. A chamada Mitteleuropa conheceu os melhores compositores, filósofos, escritores...mas é igualmente verdade ter gerado no seu ventre das piores criaturas que a humanidade já conheceu, tendo por isso aí sido chocados os ovos da serpente dos maiores conflitos à escala mundial.

 

Claudio Magris escreveu Danúbio durante, segundo as suas palavras, um radioso mês de Setembro de 1986. Quando, na companhia de alguns colegas e amigos, partiram para aquela aventura de percorrer as margens do famoso rio, não tinha ainda em mente ir tão fundo na análise da influência decisiva no futuro da humanidade, das pessoas que por lá viveram. A verdade é que todos os astros parece terem-se alinhado para proporcionar um estado de espírito absolutamente genial ao escritor, tal é a profundidade atingida sob todos os pontos de vista, histórico, cultural, literário, tudo pautado por uma permanente sensação de bom humor, e sobretudo dotado de um sabor poético que embala o leitor de princípio ao fim, tornando a leitura deste magnífico documento para a História um prazer sem limites.

 

 

 

 


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semtelhas @ 13:33

Qui, 02/10/14

 

Ao longo da rua colada à praia, lado a lado com belas vivendas, sobretudo renovadas mas também mais recentes com os seus orgulhosos proprietários cortando a relva dos bonitos jardins fronteiros, os cães de raça a desafiá-los para a brincadeira escondidos atrás das vistosas máquinas último modelo, podem-se ver outras semiabandonadas, tudo fechado, marcas de alguma degradação, jardins caóticos. Sinal dos tempos.

 

Já passei por ali centenas de vezes, no entanto só hoje reparei numa em especial. Cercada por uma autêntica floresta nascida do crescimento e multiplicação excessivos de vários tipos de árvores e arbustos por todo o lado, só com alguma atenção se pode descobri-la lá no meio. Enorme, daquelas com dois pisos para além de mais uns acrescentos adequados a pequenos sotãos altaneiros, com as suas típicas janelas, ali autênticas vigias para o mar a escassas dezenas de metros, bastante larga e comprida, ainda lhe descobri, bem ao fundo do vasto jardim, uns quantos edifícios mais pequenos que julgo serem vários anexos e garagens. Tudo indica ali ter albergado, durante largos anos dado o proveta idade que aparenta na sua evidente robustez, uma família numerosa onde, muito provávelmente atendendo às excelentes condições, terá vivido os seus dias mais felizes . Ainda antes de perceber porquê comecei a sentir algum incómodo, parecia faltar-me o ar, até que vi tudo aquilo que havia sido entrada de pessoas, luz, ar, pura e simplesmente tapado com tijolos, que formavam paredes obviamente mais recentes que as originais ainda que, também elas, já com alguns anos. E a quantidade de janelas, portas, postigos, etc., que aquilo tinha!

 

Como se uma daquelas peças de plástico e afins injetadas de uma só vez se tratasse, constítuida por uma peça só, monstruosa, que, seguramente, terá o tal pequeno e muito disfarçado orifício por onde entrar, o plástico no molde, as pessoas benvindas nesta casa. Pus-me a imaginar o que terá levado alguém a assim tão violenta e selváticamente sufocar semelhante castelo. Concerteza tentando protegê-lo dos ladrões, que, mesmo assim, não se coíbiram de roubar parte do que cobre o placa de betão, resisto a chamar-lhes telhas apesar daquela para essas parecer estar preparada, dando mais  a impressão de serem umas placas em xisto, mas perfeitamente cortadas para o encaixe. Compreende-se a preocupação e o cuidado, o que é difícil aceitar é essa mesma proteção não ser feita por outros meios menos, digamos, definitivos. É que é uma verdadeira agressão ao olhar e para a alma, deparar com esta magnifíca construção, mesmo do ponto de vista arquitetónico, assim sufocada. Acredito que quem quer que o tenha decidido fazer se defrontasse com grandes dificuldades ao optar, ali mesmo em frente à vastidão do mar naquela belíssima paisagem, tão cruelmente cegar e abafar aquela casa como quem venda e amordaça uma linda mulher, ainda na sua pujança e plenitude, para a esconder e abandonar, deixando-a a envelhecer cada vez mais e mais esquecida.


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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