semtelhas @ 11:24

Dom, 07/07/13

 

 

 

 
 
 

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semtelhas @ 12:44

Sex, 05/07/13

 

Todo o vício é pornográfico, a pornografia é viciante. Post Tenebras Lux, ou depois da escuridão a luz, ou depois da tempestade a bonança, um filme mexicano refletindo sobre o mal.

 

 

 

 

Anda por ali o Diabo e os sete pecados mortais espreitam a cada esquina. A fuga do mundo urbano, ainda por cima pleno de dinheiro e poder, em direção a um interior carregado de misticismo, maldade, pobreza e vício. Fugir dos prazeres mundanos levados ao extremo da submissão à ditadura do corpo, do sexo instrumentalizado. Como qualquer fuga materialista, vogando sobre a superfície, a permanente insatisfação leva à sistemática adição até à destruição final. A salvação é rara e sempre dolorosa.

 

Para o personagem principal (para o próprio autor?), o refém, talvez demasiado tarde, mas não para os filhos, as crianças, único antídoto contra as tentações protagonizadas pelo Diabo, que foge do olhar ingénuo das mesmas.  Eis um sinal de esperança, um raio de luz nas trevas em que se pode tornar uma vida viciosa.

 

Somos conquistados desde o primeiro segundo pela cristalina distinção dos sons, pela arrepiante proximidade das imagens, mas sobretudo pela natureza destas. Durante mais de metade do filme não assistimos a qualquer representação, simplesmente porque o realizador está a filmar poderosas demonstrações da natureza, animais, especialmente cães, em ação, ou crianças a interagirem entre elas, os elementos e os bichos. A excelência do som, das imagens, e de como tudo isto potencia os personagens que se limitam a ser, dão uma sensação de realidade tal que aquilo autênticamente se cola à pele.

 

Grito contra o individualismo, vamos vencê-los, eles têm grandes jogadores, mas nós somos uma equipa, é a última frase do filme, durante um jogo de rugby. Vício e solidão, duas faces da mesma moeda.

 


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semtelhas @ 12:01

Qua, 03/07/13

 

- Uma esbelta política loura discursou durante 14 horas no Texas para evitar a aprovação da lei do aborto - Parece estar confirmado que quando a proposta de lei voltar a votação, a senhora se vai despindo enquanto discursa num esforço suplementar de hipnose.

 

- Passos Coelho afirmou que Portugal precisa de mais trabalho e menos greves - Entretanto vai destruindo paulatinamente milhares de postos de trabalho, e poupando milhões nos salários que deixa de pagar aos grevistas.

 

- A validade da licenciatura de Relvas vai ser dirimida em tribunal - Foi para isto que um homem andou a aturar dezenas de tansos, durante para aí duas semanas, às voltas com o folclore lá da terra? Não é justo!

 

- Melros da cidade tornam-se mais timidos e menos cantantes - Pelo contrário os morcões do campo chegam à cidade e perdem toda a vergonha. É vê-los no parlamento, parecem melros!

 

- Gaspar demitiu-se - Pelos vistos pela terceira vez. Afinal a dívida de gratidão que diz ter para com o país que tanto gastou com ele não deve ser grande coisa. Ou então o homem cobra muito caro. Certo é que o país nunca empobreceu tanto em tão pouco tempo. Com amigos destes...

 

- Barroso diz que admira muito quem se dispõe a ser ministro das finanças em Portugal - Pois. Maior ainda deve ser a admiração que tem por quem aceita ser primeiro ministro mais que alguns meses.

 

- Ministério Público mandou arquivar queixa de Cavaco contra Miguel Sousa Tavares - Se estivésse no lugar dele saía já uma roda de palhaços para quem tomou tal decisão. Ou há moralidade ou comem todos.

 

- Vale de Azevedo condenado a dez anos de prisão efetiva por desviar 4 milhões do SLB - Dez!!! Como grita aquele divertido palerma do Markl. Das duas uma, ou o Benfica é muito importante, ou o resto é paisagem! Quantos vão apanhar os amigos do Cavaco?

 

- Sócrates demitiu-se do lugar que tinha reservado na Câmara da Covilhã - Mau! Isto cheira a corrupção! O que é que o gaijo está a preparar desta vez? Cerrem-se fileiras! Abram-se os olhos e investigue-se!

 

- Portas demitiu-se - Desde que o parceiro de coligação perdeu o braço direito, tem andado a treinar tiro ao alvo para o esquerdo, caiu antes de ontem. Haverá mais alguém que se sinta seguro na mira deste doce predador?

 

- Passos fica - Amputado dos dois bracinhos, é certo, mas o que é isso comparado com a inenarrável bravura de continuar a arrastar o país de vitória em vitória até à derrota final?

 

- Alberto João Jardim quer regionalizar a RTP Madeira - Este ao menos não engana ninguém! Farta-se de fazer obra com o dinheiro dos outros! Neste caso até já está tudo feito. Porque é que o sr. Silva não o convida para levar o contenente para a frente? Este come troikas ao pequeno almoço.

 


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semtelhas @ 14:00

Ter, 02/07/13

 

Segundo Witold Gombrowicz, no seu livro Ferdydurk, existimos em função de uma certa forma de estar que nos é imposta do exterior, dividindo-nos básicamente em dois rebanhos, os intelectualoides e os grunhos.

 

 

 

 

  

Como prova deste seu ponto de vista o autor arranca com a estória na cidade, onde descreve vários exemplos da deformação provocada pela urbanidade excessiva, digamos assim, refém de um certo modernismo bacoco, em que mais ou menos tudo é permitido em nome da sacrossanta arte e dos seus profetas, os artistas. A depuração da sociedade por via de uma maturidade aprendida e apreendida através desses génios, que abre os olhos aos ingénuos e infantilizados ignorantes. No outro extremo os grunhos com as suas horríveis caretas em vez de rostos, e que só procuram o caminho da crueza extrema, feia, violenta e destruidora.

 

Para que não fiquem dúvidas, somos depois transportados até ao campo, onde reina a decadente e parasita aristocracia que só subsiste em função da capacidade de afrontar a criadagem, espécie de animais para todo o serviço, que funciona sobretudo como pano de fundo para a absolutamente inócua existência dos senhores, como que dando espessura à mesma, e sem a qual a mesma não faria qualquer sentido. A ponte entre estes dois mundos nasce da necessidade inultrapassável do urbano por algo real, genuíno, que dê contornos ao vazio ali reinante, recorrendo o autor à imagem do jovem camponês, básico, sólido, dócil e humilde.

 

O que está subjacente a tudo isto é a ausência do conceito de amor na sua conceção mais pura, considerado interesseiro e lamechas, particularmente o que tem origem na mulher; a prevalência da juventude renovadora e ignorante, sobre a velhice sábia, único caminho para a salvação dessa peste que é o conhecimento (aqui o autor declara-se explicitamente contra a ideia kantiana que a felicidade vem exclusivamente pela acumulação de saber), através da destruíção de todos os estériotipos; a opção do humor sarcástico como melhor maneira de atingir esse objetivo maior que resulta na libertação da prisão que representa a dependência da forma, de toda a ética e estética.

 

Obra profundamente crítica, provocadora, por vezes quase insana e mesmo sadomasoquista, a vaguear entre a maior humildade à mais irritante presunção,  está assente numa vasta cultura do autor, nomeadamente de filosofia, como fica bem demonstrado na entrevista que é apresentada no final do livro editado pela 7 Nós, que ajuda, e muito, a compreender o seu pensamento

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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