semtelhas @ 11:18

Qui, 14/03/13

 

Não faltarão as habituais matilhas de lobos a afiar o dente agora que o FC do Porto foi eliminado da Liga dos Campeões.

 

Piores, muito piores, que aqueles que abertamente vão demonstrar o seu contentamento, são os que, com falso ar entre o suave sofredor e a forçada impotência, vão lamentar o sucedido e alvitrar futuros radiosos, enquanto desejam com toda a sua alma a continuação das derrotas até ao desastre final. Já os comecei a ouvir e a ler por essa comunicação social fora a tremer de contida euforia , alguns mesmo próximos do júbilo, o que aumenta a minha simpatia pelos grunhos que pura e simplesmente se babam de prazer.

 

Há já muito tempo que não se via o FCP a mostrar um futebol tão escorreito como já o fez esta época. Após a saída de Hulk, Vitor Pereira viu-se obrigado a optar por soluções de equipa em detrimento de pôr esta a jogar para alguém que era suposto resolver. Foi evidente que esta alternativa agradou a muitos jogadores, claramente incomodados com a outra hipótese, ainda que em nome do bom ambiente e, diga-se em abono da verdade, rendidos à enorme capacidade do Incrível, lá foram deixando a coisa avançar ainda que com algumas dores como por exemplo as reações de alguns de entre eles, a maioria dos quais profiláticamente corridos. 

 

Entretanto começou a pairar sobre a equipa o medo que a chegada de eventuais lesões poderiam fazer-lhe porque, e esse terá sido o maior erro de VP, tornou-se cada vez mais evidente que o plantel era curto em função das várias frentes em que o FCP normalmente está envolvido, sobretudo porque luta sempre pela vitória em todos os jogos. Acresce que o estilo de jogo adotado vive muito de uma grande dísponíbilidade fisíca, grande pressão sobre o adversário com a bola quando a defender, trocas de posição rápidas nas fulminantes transições para o ataque, mas especialmente em desgastantes meiínhos que previligiam a posse e acabam em desconcertantes desmarcações. Tudo isto é muito eficaz mas carece de rotinas bem enraízadas pelo máximo de jogadores possível, particularmente nos casos em que o desempenho destes é vital para o funcionamento da máquina. De entre estes Moutinho, James, Lucho e Fernando são, óbviamente, os mais destacados. Se nos lembrar-mos que Lucho está esgotado, Fernando recorrentemente lesionado, James a sair de uma lesão prolongada e ainda longe do seu melhor nível, e Moutinho a braços com uma lesão de dimensões ainda desconhecidas (como ontem, desgraçadamente pudemos comprovar), então está tudo dito.

 

É nos momentos maus que se vê o real valor das pessoas, nos bons é demasiado fácil. Chegou a hora de Vitor Pereira demonstrar que tem valor suficiente para treinar uma equipa com as responsabilidades e o valor do FCP. Ao contrário do que os nossos detratores tentam fazer crer a época está longe de se poder considerar fraca. Ou chegar aos oitavos de final da champions, ganhar a taça da cerveja e ser campeão nacional é pouco?


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semtelhas @ 14:29

Qua, 13/03/13

 

Corpo cai cansado,

Espiríto cede inquieto.

Um sono disfarçado,

Superficial, desperto.

 

Pulsação acelerada,

Aflição despertada,

No suor navegada,

No acordar contida.

 

Nevoeiro, memória,

Angústia, violência.

Repete-se a estória,

Espreita a demência.

 

Viagem ao horror,

Ao ódio profundo.

O medo o terror,

Vivem lá no fundo.

 

Reviver tenebroso,

Todo o mal inflingido.

Um repetir o odioso,

Falsamente esquecido.

 

Assusta o monstro.

Cai-se, desiquilibrio.

Sujo, sonso, esconso.

Algo aterrador ouvido.

 

Olhos arregalados,

Pedido de clemência,

No escuro perdidos.

Urge cair na ausência.

 

Roga-se, como fugir?

Recorrente inferno,

Substitui o dormir.

Preferível o eterno.

 

Sempre o espanto,

Infância desvendada.

Desesperar em pranto,

Dignidade enlameada.

 

Sacrifício ir-se deitar,

Mais horas em alerta.

Vicío arriscar, enganar?

Escolhe mente desperta.

 

Enfrentar o escuro?

Combater o Mal?

Ousar saltar o muro?

Como conseguir tal?

 

Fantasmas enterrados,

Os vampiros matar,

Quando à luz revelados,

São cinzas ao acordar.

 

Escuridão... eis o ogre,

Impossível derrotar.

Resta a paz podre,

De nas trevas lutar.


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semtelhas @ 13:29

Ter, 12/03/13

 

Em Nova York o mayor Myke Bloomberg está a travar uma guerra nos tribunais, na tentativa de proíbir a venda de bebidas ricas em açúcar. 

 

Depois da tenaz perseguição aos fumadores chegou agora a vez dos consumidores de bebidas doces, tendo como justificação a mesma preocupação com a saúde pública.

 

Claro está que muita tinta e meses vão decorrer até que a decisão seja tomada pelos tribunais, mas não deixa de ser espantoso que, no topo do mundo, se continue a tentar corrigir erros através de sagas/sanhas proibicionistas. Os EUA foram o maior exemplo no que de negativo e positivo essa política pode ter, aquando da Lei Seca que ditava a não permissão de consumo de álcool. Foi um período terrível naquele país durante o qual proliferava o crime e a violência em volta do tráfico daquele. O mesmo se passa hoje relativamente a outro tipo de produtos, igualmente apelativos por mascararem a realidade e induzirem a uma habituação feroz, e também altamente prejudiciais à saúde. Parece do mais básico bom senso começar, tal como se faz por todo o lado relativamente ao consumo de tabaco, por agir na prevenção, nomeadamente na informação massiva sobre os malefícios do uso do produto em causa, e na proíbição, aí sim, dos constantes apelos publicitários ao consumo.

 

Dirão os defensores desta política de perseguição a tudo o que se possa revelar prejudicial às maiorias, que estas não têm obrigação de, depois, verem os serviços sociais sobrecarregados com ordas de incapacitados a sustentar pelo Estado, ou o enfraquecimento de outros rácios económicos devido à indisponibilidade de uma população ativa saudável. São argumentos que a realidade tem demonstrado serem falsos, primeiro porque surpreendentemente ou talvez não, quem defende as proibições são os mesmos que querem acabar com o chamado estado social, depois porque o que de facto pode levar as pessoas a rejeitar fugas para a frente, ilusões fantasiosas que fatalmente acabarão no abismo, são a informação credível, a educação, uma sociedade que se preocupe mais com a pobreza que com o enriquecimento. A história não deixa dúvidas quanto aos resultados de qualquer tipo de interdição que não tenha haver com a agressão de direitos humanos fundamentais, mais que o rotundo falhanço, são oportunidades para que os homens revelem o pior lado da sua natureza.

 

A solução proibicionista é a mais fácil mas também a mais falível sobretudo pelos riscos que traz associados. Se o objetivo de Bloomberg for atingido não demorará muito tempo para se começar a ouvir falar dos Fantagangs, dos Pepsidealers ou de uma internacional Sugarconection, não porque ela não exista hoje mas porque, ilegalizada, passará a recorrer a métodos objetivamente criminosos. 


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semtelhas @ 13:19

Seg, 11/03/13

 

Suíços votam maioritáriamente na diminuição da diferença entre os salários mais altos e mais baixos - Porque haveriam de votar de outra maneira? A maioria não ganha menos? A novidade aqui está em colocar a questão, o que já não é pouco porque diz muito.

 

Filipe Pinhal lídera um grupo de reformados contra os cortes porque passou de 70mil para 14mil€ - Quem é que não de queixava? Não se percebe é o que estão a fazer naquele grupo os que recebem 1500€. Estão na guerra errada, aliás aquilo é mais um enfado.

 

China vai virar-se para o aumento do consumo interno para combater a crise - Está todo o mundo na primeira fila à espera para ver esse milagre.

 

Primeiros camelos vieram do frio - E ainda lhes chamam camelos! Veja-se como procuraram o quentinho.

 

Foi feita uma investigação a um eventual cartel bancário - Sendo as multas em questão trocos se comparados com os benefícios do óbvio trabalho em conjunto entre, pelo menos, os principais bancos, alguém continua a fazer de nós parvos.

 

Passos Coelho deu como exemplo a Irlanda onde o salário minímo baixou - Quem parece ignorar duas realidades tão distintas para serem comparadas, das duas uma, ou seria sempre um asno acabado mesmo que não fosse primeiro-ministro, mas mais um desempregado a dar uma opinião no café da esquina, ou está a fazer (outra vez) de nós parvos.

 

Dona de cão que matou criança acusada de homicídio involuntário - Finalmente um juiz com bom senso. Até parece que não deve ser esta a principal característica de quem julga sobre a vida dos outros!

 

Os sargentos deixaram uma ameaça velada ao poder político - É o costume. Caso resolvam fazer algum coisa, e se, ainda mais improvável, algo mudar, lá vão aparecer os generais que agora falaram à boca pequena, com um ar severo e muito importante a dar a cara.

 

Mourinho ganha a Ferguson - mais uma vitória da esperteza do predador, sobre a paciência do sábio.

 

Doentes mentais abandonam tratamentos por falta de dinheiro - Vai andar por aí muito maluco à solta. Depois não se queixem!

 

Lance Amstrong vedeta em Hollywood - Finalmente o homem vai seguir a sua verdadeira vocação, enganar.

 

Portugal parte à conquista de Nova Yorque com alheiras e morcelas - Já estou a ver aquele pessoal  todo rendido quando a gente as tirar para fora, das embalagens, e eles, frenéticammente, as comeram todas.

 

Mandela foi hospitalizado mas não há razões para preocupações - Pois não. Todos nós sabemos que o homem vai durar eternamente.

 

Mais uma vez comprova-se que o vinho tinto faz bem à saúde - Esse já sabíamos. E que a cerveja também. Para quando o branco, o uísque, o brandy, vodca, run, gin, absinto, etc., etc.? Não têm direito ao negócio?

 

Fantasporto com mais de 40mil visitantes apesar do centralismo lisboeta, afirmou Mário Dorminski - Porque é que esta gente insiste em estar sempre a falar do estrangeiro?

 


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cores da lua @ 19:55

Dom, 10/03/13

Mal posso esperar, pelos bons momentos que advinho.

 


Marisa Monte


Muse

Marés Vivas

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semtelhas @ 12:27

Dom, 10/03/13

 

2U, 4U2, U2, U2, U2...

 

 

 

 
 
 
 
 
 
   
 
 
 
 
 
 
 

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semtelhas @ 11:47

Sex, 08/03/13

 

O filme Efeitos Secundários "são" dois filmes.

 

 

 

 
 

 

Uma primeira parte onde essa doença dita dos nossos dias, a depressão, é abordada numa perspetiva quase que poderemos dizer médica, sobretudo atendendo ao perfil demonstrado pelo realizador, Steven Soderbergh, noutros filmes (Sexo, Mentiras e Video; Erin Brockovich; Traffic, etc.), que têm todos em comum um cuidado trabalho de pesquisa, mas também aquilo que é o senso comum a propósito da tal epidemia como é frequentemente apelidada nomeadamente pela classe médica. É dito, por exemplo, que a depressão é a doença das pessoas que não vêem futuro ( e aqui é inevitável imediatamente pensar numa espécie de depressão coletiva), e são dados alguns conselhos para a combater, dos quais retive a regular prática do desporto pelo facto desta ajudar a libertar endorfinas e serotonina, criando uma sensação de bem-estar. Também a utilização de fármacos é referenciada como essencial em muitos casos, dir-se-á que em todos a partir de um certo ponto de desenvolvimento da doença e, é aqui que começa a segunda parte do filme.

 

Nesta matéria como em todas as outras que envolvam dinheiro, e o que daí deriva o que, no nosso tempo é, ou assim se faz crer, básicamente tudo, são praticados todo o tipo de abusos com esse objetivo final de enriquecer. Não é por se tratar de uma matéria tão sensível como a saúde que nesta guerra dos laboratórios farmacêuticos há quaisquer contemplações, bem pelo contrário, é precisamente utilizando a fragilidade das pessoas que se praticam os maiores crimes. Acresce que, no caso da depressão, se estar a tratar de uma doença pouco quantificável, ou demonstrável com objetividade, ainda mais se abre o campo da utilização dos mais inacreditáveis meios para atingir os fins mais abjetos. Simplificando terrívelmente a questão digamos que, atualmente, a tal epidemia é não só alimentada pela vida cada vez mais consciente de uma realidade que está longe de corresponder ao idílio prometido pelas máquinas publicitário/consumistas, nomeadamente nas sociedades mais desenvolvidas, mas também, ela mesma, logo odiosamente aproveitada com requintes de malvadez, muito em particular a sua artificial (num primeiro momento, porque depois torna-se bem real) multiplicação promovida por uma certa classe ligada à saúde pública, que devia ser a primeira a estar acima de qualquer suspeita, e dos laboratórios que fabricam anti-depressivos. De tudo isto é feita prova através de uma espécie de thriller muito bem conseguido.

 

Parece cada vez mais claro que o futuro a ser oferecido às pessoas não pode passar, pelo menos no essencial, pela acumulação de bens materiais. Está provado que se instala um vale-tudo que resulta num cíclo vicioso onde a maioria acaba por cair, de fora para dentro de cada um, num abismo  de frustrações e negação.


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semtelhas @ 12:52

Qua, 06/03/13

 

É bem conhecida a frase de Churchill, a democracia é o pior dos sistemas políticos excetuando todos os outros. A qual sempre tinha, e tem, implícita uma certa ideia não só de inevitabilidade como de admiração por aquele sistema político.

 

Há uns dias Barack Obama viu-se obrigado a aprovar uma lei de corte de verbas orçamentais nos EUA, que vai atingir indescriminadamente milhões de pessoas, o que resultará num encolhimento da economia que, entre outras coisas, levará ao desemprego mais um milhão a juntar aos muitos que já ali existem. Esta lei foi a contrapartida exigida pelos republicanos para que cortes muitissímo mais severos não fossem feitos, os quais conduziriam, como eles próprios reconheceram, a um retrocesso de décadas na qualidade de vida naquele país, vai daí há que chantagear os democratas de forma a evitar que os cortes não incidam sobre os mais ricos, como Obama e os seus pares pretendiam, mas sobre todos. E assim, no mais poderoso país do mundo, com uma infuência decisiva sobre os restantes, nomeadamente naqueles situados na mesma área geopolítica e economico-financeira, fica refém do poder de quem detém o capital o que certamente conduzirá, mais tarde ou mais cedo, ao regresso aos abusos dos quais estamos a sentir os efeitos na pele. Toda esta situação é possibilitada pelo número de votos nos republicanos, em grande parte obtidos precisamente nas zonas mais pobres, mas também menos informadas dos EUA.

 

Ontem morreu Hugo Chavez e com ele, muito provávelmente, um caminho de mais de uma década em que a Venezuela praticou uma democracia digamos, pragmática, no sentido em que, segundo se diz, algumas das regras daquela não eram cumpridas em nome da proteção da largamente maioritária população mais pobre, essa sim a sua regra de ouro, a qual terá sido muito beneficiada pela pelas práticas de Chavez, como as expropriações, nacionalizações, redistribuição mais equitativa do capital, etc.. Também internacionalmente desenvolveu uma atividade intensa com líderes que lhe pareciam, no essencial, defender as mesmas ideias, Lula da Silva, Armanidejad ou Fidel Castro, com os quais tinha o sonho de criar uma espécie de frente de países populares, como que uma resposta às organizações ocidentais, os G's para isto mais os G's para aquilo. Os perigos deste tipo de governação são óbvios, particularmente por assentarem o seu poder em sentimentos de revolta, apaixonados, logo mais sujeitos a decisões pouco estruturadas e portanto muito falíveis a médio, longo prazo. A história mostra à saciedade como a utilização do populismo pode ser pernicioso para o futuro de um país, qualquer país. O que fazem os republicanos nos EUA senão a descarada utilização desse mesmíssimo populismo sobre os mais ignorantes?

 

Dizer que a democracia, mais que o menos mau que os outros, é mais um como todos os outros sistemas políticos, é exagerado e perigoso, mas que talvez o percurso da ciência que estuda o pensamento das ideias políticas, esteja perante uma curva muito fechada, que não deixa ver o que lá vem parece um facto. Provam-no o tipo de pessoas impreparadas que cada vez mais são eleitas, como única forma de protesto, ou então o puro e simples ignorar do voto, o que, sendo este o principal ato em democracia, deixa cada vez mais dúvidas quanto à sua eficácia.


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semtelhas @ 15:16

Ter, 05/03/13

 

Era uma vez um menino que tinha algumas dificuldades em se expressar mas que vivia num mundo de ternura. Todos o ajudavam dando-lhe o tempo que precisava para se explicar, aceitando os seus silêncios quando era essa a sua escolha, e até as suas pequenas revoltas, tudo para que se sentisse confiante e feliz.

 

O menino vivia numa casa de madeira, com grandes janelas por onde entrava muita luz e pelas quais se podia ver a floresta verde e o jardim com flores de todas as cores. Corria sempre algum vento que inclinava um pouco as árvores, ouvia-se a água corrente do ribeiro que passava perto, e também os badalos dos animais que por ali andavam à solta bem como o cacarejar das galinhas e o ladrar dos cães, estes mais ao longe. Tal como o pai e a mãe, vestia roupas de algodão e lã coloridas, ásperas ou macias mas sempre bem secas. Durante as refeições bebiam chá e leite, os alimentos eram muito variados e estavam espalhados pela mesa em pratos. Comiam em silêncio, devagar, e comunicavam sobretudo pelo olhar, que era muito tranquilo. Também sorriam, mas só quando era preciso.

 

O menino ía à escola onde o professor tinha por hábito pedir aos alunos para aplaudirem quando um deles lia corretamente. A esse aluno também era oferecido um pequeno prémio que lhe era preso na lapela do casaco. Como ele não estava muito acostumado a falar em casa, apesar do pai com ele treinar, não lhe era fácil ler. Mas ele tentava sempre e pedia-o ao professor, que o incentiva a insistir.

Em casa, quando para o menino era complicado responder às perguntas do pai, este sussura-lhe qualquer coisa baixinho ao ouvido, a que ele, também sussurando, conseguia responder. O pai construía brinquedos que, uma vez concluídos, espalhava pela casa para que o filho tivesse uma surpresa ao descobri-los. Como aconteceu com aquele barco à vela, que o menino depois ofereceu ao colega que estava doente em casa, com quem tinha trocado o caderno com o trabalho de casa feito, pelo dele, que nada tinha escrito, e que valeu uma repreensão a esse colega que, se calhar, foi por isso que ficou doente. 

 

Por vezes acompanhava o pai e o falcão que o seguia quando fazia deslocações mais longas, para colocar colmeias no cimo das árvores de onde mais tarde viria a recolher o mel. Quando o pai ficava pelas redondezas o falcão acompanhava o menino à escola escutando o tilintar de um sininho que tinha sempre com ele. Quando saía com o pai para a floresta passavam por um lago acima do qual estavam sempre suspensas pequenas núvens que pareciam nevoeiro, que eram muito bonitas mas que o assustavam porque não se via o que estava atrás. Com eles também seguia uma mula branca e meiga, que carregava todo o material, e á qual o pai não tinha de dar instruções porque ela era muito inteligente. O pai subia lá para cima e lançava-lhe uma corda onde ele atava, ou a galheta do fumo para afastar as abelhas, ou a caixa para meter o mel, e outras coisas. Quando o pai lhe devolvia presa na corda a caixa com os favos de mel, ele provava e  lambia os lábios, enquanto parecia estar num sonho porque tudo à sua volta era calmo e perfeito. Como ele gostaria de, nesses momentos, poder ler para o professor e para os colegas da escola. E ao pai, e à mãe!

 

Até que, porque as abelhas começaram a escassear o pai teve que se deslocar para mais longe. E demorou muito a voltar. Um dia foi com a mãe à feira onde havia muitas pessoas e algumas cantavam e dançavam alegremente ao som  de violinos, gaitas de beiços e pandeiretas, tentar saber se alguém tinha visto o pai. O mesmo dia em que o seu professor, mesmo não tendo conseguido ler muito bem, pediu palmas para ele e o condecorou. Quando voltou para casa encontrou algumas pessoas a falar com a mãe, que chorava, diziam-lhe que o marido tinha caído do alto de uma árvore e morrido. Foi então que apareceu o falcão a chamar o menino para a floresta, para onde voou para não mais voltar. Ele correu seguindo-o com o sininho a tocar, e depois, sózinho muito quieto encostado a uma árvore, ouviu e sentiu, como haveria de sentir para o resto da sua longa e feliz vida, as mesmas coisas que sempre sentia quando o pai estava com ele entre aquelas mesmas árvores, o falcão o protegia, e o ribeiro o embalava com a sua suave canção que lhe dizia que ele era capaz de fazer tudo o que quisésse, que iria a receber muitas palmas e a admiração e o respeito de todos.

 

 

 


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cores da lua @ 20:18

Seg, 04/03/13


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semtelhas @ 13:39

Seg, 04/03/13

 

Celestiais.

 

 


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semtelhas @ 13:37

Dom, 03/03/13

 

Alexandre Soares dos Santos perguntou, compungido, porque é que tem que se estar sempre a mamar da teta do Estado - Deve ter sido para não colaborar com a mamada generalízada, que passou a pagar os impostos relativos ao Pingo Doce na Holanda. Um artista português.

 

Cavaco Silva diz que a coesão social é o maior ativo da sociedade portuguesa - Era. Bons tempos! Pensará Cavaco, aqueles em que o povo era quase todo analfabeto, passava a vida com os olhos no chão e a tremer de medo na sua infinita ignorância.

 

Menor violada pelo pai foi chicoteada por praticar sexo precoce - A única parte que faz sentido neste mundo ao contrário é o chicote, mas se fosse usado na besta violadora como supositório para ver se ficava melhor.

 

Cómico pode ser o fiel da balança em Itália - Pôde e podia se ainda alguém lhe achasse graça, mas parece que já há muita gente a levá-lo demasiado a sério.

 

Luís Figo aceitou a propaganda a Sócrates para obter informações sobre o BPN e o BPP onde tinha grandes somas - Resta saber se atingiu os seus objetivos, porque quanto ao resto, onde está a novidade?

 

Maradona disse que quando esteve no Nápoles, não sabia de nada do que se passava com as questões burocráticas relativas ao seu contrato - Mamado como o homem andava como poderia lembrar-se?

 

Durão Barroso acha que Portugal é culpado da situação em que se encontra - Bem fez ele! Vendeu a alma ao diabo e pôs-se a andar daqui para fora.

 

Bispo Carlos Azevedo acusado de assédio sexual - É tal o disparate, e contra natura, que cada vez mais me convenço que aquela coisa do celibato deve ser só para dar mais te... pica.

 

Morreu Stéphane Hessel, o pai do Movimento dos Indignados - Nunca um pai deixou tantos descendentes!

 

Lebre enforcada recebe primeiro ministro na Faculdade de Direito de Lisboa - Ao menos ali não nos serviram Coelho por lebre.

 

Milionário norte americano escolheu tripulação de meia-idade para primeira viagem a Marte - Os marcianos já mandaram um e-mail a reclamar, querem donzelas e jovenzinhos!

 

FC do Porto empata em Alvalade e pode perder liderança - Com tanta bala desperdiçada qualquer dia não há munições que cheguem para ganhar a guerra.

 

Ontem mais de um milhão de pessoas protestaram pacificamente em 40 cidades do país - E amanhã continuará tudo como dantes. Desde que, mudos e quedos, ordeiramente não interrompam os srs ministros enquanto, imperturbáveis, os mandam arrebanhar

 


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semtelhas @ 14:02

Sex, 01/03/13

 

Depois de uma década a passar a correr, ou andar, por ela, o passadiço da praia, deu para reparar em algumas peculiariedades dos meus companheiros de viagem.

 

Acabei de me cruzar com uma senhora que caminha usando um vistoso xaile que me parece em lâ, e lhe está constantemente a cair dos ombros, proporcionando-lhe assim a possibilidade de também exercitar os braços enquanto repetidamente o reposiciona. Ao lado, muito mais alta e magra, num apertado fato de treino imaculadamente branco, acompanha-a uma outra da mesma faixa etária, (cinquentas?), que, calçando umas elegantes sapatilhas com um salto alto em cunha, a juntar aos gestos largos e elevado tom de voz, atrai a atenção dos restantes caminhantes vários quilómetros em volta, para grande desconforto da companheira a quem só falta tapar a cara com o xaile. Mais adiante um senhor parece estar a passear numa qualquer rua do Porto, tendo em conta a indumentária de reformado encostado numa esquina a ver a andar os elétricos. Quando começo a sentir o chão a tremer e uma espécie de expirar de búfalo a bufar é sinal que se aproxima um jovem atleta a bom ritmo. Começam a invadir-me a memória espécimes mais exóticos:

 

O Desportista - Normalmente vestem berrantes peças de licra que se colam ao corpo, e passam por nós como balas disparadas que cansam só de ver. Ele há de todas as idades e de ambos os sexos ainda que, naturalmente, prevaleça a juventude. Altivos, pura e simplesmente ignoram toda aquela velhada que anda por ali só para os incomodar, não se coibindo mesmo, em alguns casos, de dar um encontrão ou outro e de mandar uma bocas, especialmente quando seguem em ruidosos rebanhos. Por vezes surgem exemplares sofisticadissímos ao longo dos quais, desde a cabeça que ostenta um vistoso capacete, até à musculada e esbelta coxa, proliferam garrafas e garrafinhas, zonas prudentemente almofadadas, inexplicável fiarada a sair dos sítios mais insuspeitos, e toda uma bateria de cronómetros e instrumentos vários, todos a funcionar automáticamente e ao mesmo tempo. Avassalador!

 

O Janota - De fato completo, gravata a condizer e sapatos impecávelmente engraxados, ou o correspondente feminino numa discreta saiacasaco para o travado, maquiagem carregada e cabelo preso, ambos bem perfumados, parece terem dado o grito de Ipiranga mesmo no último momento e andam para ali meio perdidos, sem saber o que fazerem da vida, depois de deixarem o patrão ou o chefe a falar sózinho com um cliente importante

 

A Miúda Atrevida - Aparecem mais no verão. Usam duas peças de roupa reduzidissímas as quais, enquanto correm, o que fazem sempre como elegantes gazelas, vão escorregando para dentro das várias concavidades e orifícios, generosamente ajudadas pelas secreções várias que entretando vão espelhando aquilo tudo, deixando o pessoal circundante catatónico, à beira da apoplexia e muito perto cometer um disparate.

 

Os Profissionais - Chamemos-lhes assim...Indíviduos que estratégicamente, e só a partir de certas horas, se colocam numa das várias escapatórias para a praia, fazendo estranhissímos movimentos com os dedos ao longo das cordas que delimitam o passadiço, enquanto lançam lânguidos olhares aos transeuntes, os mesmos que também podemos sentir apalpar-nos, desde para aí cinquenta metros antes de umas senhoras esquisitas por nós se cruzarem, só aí os despregando da potencial vitíma.

 

Os de Esquerda - Lá vêm eles ou elas, é indiferente, com as suas coloridas camisas aos quadrados, de flanela, calças de ganga bem coçadas, mocassins em pele, vistosos casacos de malha, o cabelo muito comprido ou cortado à escovinha, nunca normal, e sempre aquele enorme tipo de alforge ao ombro onde transportam básicamente tudo: cadernos pautados para escrever a qualquer momento, a Bic meia comida, uma vasta bibilioteca, uma farmácia bem fornecida e, evidentemente, produtos naturais vários. Normalmente ostentam um ar cansado de quem carrega todas as preocupações do mundo às costas. Não será o peso da mochila?

 

Os Asnos - Os dos cães e das bicicletas. Quanto aos primeiros confesso que muitas vezes me sinto tentado a perdoar aquelas meninas queques de canixes pela trela, que param para cheirar o meu gato nas sapatilhas, e elas os admoestam severamente debruçando-se sensualmente para os retirar, enquanto deixam escapar um sorriso inteligente. Já os dos Pitbull sem coleira remeto-os para aquela mulher, sentindo o perigo a rondar os filhos que brincavam na areia gritou: não deves ter filhos meu f. da p., se ele ferrar os miúdos o meu marido vai procurar-te e f.-te todo, cabrão. Um poema! Quanto a mim, se ela fosse a concurso e eu sueco, o prémio Nobel da Literatura estava entregue. Os ciclistas são todos uma espécie de analfabetos porque não sabem ler os avisos, mas pior! nem com os desenhos que proliferam lá vão. A mim, não fosse o medo dos danos colaterais, apetecia-me era dar-lhes uma cuzada lateral quando passam a sprintar, para ver se aterravam trinta metros à frente, no fundo da duna.

 

As Púdicas - São aquelas meninas, ou senhoras, que porque têm, ou disso estão convencidas, um belo traseiro, tratam de o tapar com biombos de vários tipos, mais habitualmente uma peça de roupa atada à cinta. Devia ser proíbido! É que aquela visão faz mais pelo desportista que mil livros de ginástica, ou cem horas de programas televisivos para pôr o corpo em forma. Uma cenoura à frente do focinho do animal. Em certos casos o estado hipnótico é de tal ordem naquele esquerda-direita, esquerda-direita, que a marcha podia ir por ali fora nem que o caminho só acabasse em Viana do Castelo.

 

Claro, depois há os gaijos como eu, que que por inércia ou esquecimento vão de pijama, ramelas nos olhos, os cabelos como se acabados de ser varridos pelo Katrina, cheios de sorte por o carro já saber o caminho porque só acordam a meio do percurso, quando lhes começam a doer as mãos por irem a arrastar pelo chão, mas acabam o percurso de peito feito, sorriso de orelha a orelha, esquecendo-se sempre que, passada meia hora, estão como se tivessem levado uma tareia do Mike Tyson dos bons tempos, e prontos para entrar na urgência do hospital mais próximo.

 


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