semtelhas @ 14:15

Dom, 16/12/12

 

Um, dois, três...

 

 

 
 
 
 
 
 



semtelhas @ 11:19

Sab, 15/12/12

 

Saramago era visionário, se calhar por isso, um pessimista que, apesar de tudo, escapou ao resto do filme o qual, confirmando a regra de que a realidade sempre supera a ficção, não augura nada de bom.

 

Recorrendo à Alegoria da Caverna demonstrou magistralmente o lado perverso do consumismo consubstânciado nos centros comerciais (nos quais aliás Portugal dá lições ao mundo), tendo deixado para outros, intencionalmente ou não, a reflexão sobre os elefantes brancos, os enormes cemitérios, em que aqueles se estão a tornar.

 

Com cada vez mais estabelecimentos a encerrar vão-se mantendo algumas daquelas maiores lojas, das grandes multinacionais, naturalmente exploradas por detentores de maior capital, e as mais ou menos relacionadas com as necessidades básicas dos utentes, nomeadamente os restaurantes. No entanto, mesmo nessas, é visível a desertificação galopante, de gente e de artigos, bem como uma crescente perda do brilho que encantava e encandeava o povo.

 

Do que me venho apercebendo ultimamente é que o nosso país se está a tornar numa espécie de centro comercial, ainda naquela fase tão bem retratado pelo escritor em A Caverna, onde nós, a população comum, ainda nos vamos sentido uma espécie de meninas do shoping, todas aperaltadas, ou homens da segurança, com cara de "poucos amigos" de quem está a defender o seu território, mas à qual se seguirá a que assistimos hoje nas catedrais do consumo, o desencanto e a decadência. Estamos a vender os espaços, leia-se as empresas, a quem dá mais, assegurando os meios para ir-mos sobrevivendo, e acreditando(?) que quem os compra os vai manter ativos garantindo assim a subsistência de todos que em volta gravitam. O entusiasmo é grande. Os chineses rejubilam enquanto bebericam "espumoso" e espreitam sorrateiramente sobre o copo; ainda ontem ouvi um alemão, de enigmático sorriso nos lábios, qualificar os portugueses como absolutamente fiáveis, enquanto se posiciona para arrematar a ANA; aquele brasileiro, polaco, ou lá o que é, vai falando da TAP como se de uma mercearia se tratasse; e os angolanos já esfregam as mãos de contentes na expectativa de, depois de muitas outras (ontem foi a Otimus), tomarem conta da RTP.

 

Vamos ser o primeiro país europeu sem um único aeroporto (de dimensões internacionais) do estado, que, depois da energia elétrica, se prepara para alienar as Águas e, pasme-se, entregar a um país evidentemente impreparado para exercer uma gestão minimamente aceitável, o canal de televisão público. Ou isto tudo não passa de um pesadelo do qual vamos acordar a tempo, ou então que tipo de loucura atingiu esta gente? O que lhes (nos) garante que daqui a meia dúzia de anos, tal como acontece atualmente nos grandes centros comerciais, face ao eventual baixo retorno do investimento feito, aqueles atualmente entusiastas e mesmo amigos investidores, e porque na verdade, nunca passámos de uma gota de água no seu universo, se vão retirando de fininho, deixando-nos para aqui a definhar, agora já sem que sequer o chão que pisámos nos pertença? Que tipo de sensibilidade, de conhecimento do terreno e de quem o habita, pode ter aquela gente numa situação tão delicada como a que passámos atualmente? Como podem gerir com eficácia sem qualquer sentimento de pertença? Ou gerir é só pôr números uns debaixo dos outros? Se calhar é, mas então encontre-se outra justificação para o abismo em que o mundo governado segundo princípios liberais do mercado puro, se encontra.

 

Saramago falava de uma caverna, nestes tempos estaremos metidos num túnel, inicialmente profusamente iluminado, mas que se vai tornando mais e mais escuro e ao fundo do qual não se vislumbra luz.

 


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semtelhas @ 13:10

Sex, 14/12/12

 

Carlos Alexandre, o super juíz.

 

Cada vez que surge a noticía de que alguém conhecido da nossa praça é apanhado numa qualquer suposta irregularidade, lá aparece o nome desta sombria, misteriosa e esquiva personagem. Penso tratar-se de um fenómeno que já se pode dizer durar há décadas. Talvez tenha visto a ilustre criatura uma vez, de fugida, na televisão, mas o homem tem-se fartado de se meter na minha vida. Desde o mais comezinho problema, ao maior crime lesa pátria, lá está Alexandre, o grande.

 

Não tenho a mais remota prova factual para duvidar das mais nobres intenções deste notável, e notório, magistrado, mas que me faz enorme impressão vê-lo sempre ligado a tudo e mais alguma coisa não o nego. Até parece que não há mais juízes cá na terra.

 

É que isto de ser sempre o mesmo, quer se queira quer não, começa a deixar pistas, o estilo, a repetição nos procedimentos, tanto nos vai dando na cabeça que acabamos por encontrar ali uma escola, uma filosofia. E o que é que, ano, após ano, temos visto? Trepidantes acusações, escandalosas revelações, enormes parangonas, resmas de colunáveis e/ou políticos, ainda ontem venerados, adorados, serem simpáticamente tirados da cama às sete da manhã (aquilo é que é profissionalismo!), e, ainda que pareça de somenos importância, absolutamente inocentes, porque num país verdadeiramente civilizado é preciso provar que alguém é culpado, e, mesmo que tal desiderato se mostre uma triste e desoladora impossibilidade, o pior caminho é o de meter todos no mesmo saco. À porta, já prontinhos porque préviamente avisados (para o habitual achincalhar terceiromundista a que de facto pertencemos) a aguardar a estrela, as televisões e os jornais, são metidos na pildra, uns por horas outros durante meses, e depois de rios de tinta e horas de emissão e muitos milhões dados a ganhar a toda a fauna que grassa em volta daquele circo, escritórios de advogados, máquina judicial do estado, comunicação social, e sobretudo manter o pagode entretido, acontece quase sempre o mesmo, ou seja, nada fica provado. Entretanto pelo caminho foram desgraçadamente ficando, injustamente ou não, nunca o saberemos, uma certa ideia de dignidade que todos tínhamos, especialmente as pessoas mais próximas, dos alvos do sôfrego justiceiro. Pergunto-me, como é que alguém realmente capaz, sem mácula, e mesmo com grande espiríto de missão tem coragem para arriscar meter-se em semelhante labirinto? E, como se sentirá o nosso héroi, este magno Carlos, com tanto rato depois de tão expectantes montanhas? Pode ser que sim, mas não me parece muito incomodado. Não muda coisa nenhuma!

 

Oxalá me engane, é um desejo sincero, mas o que paira no ar é o cheiro do costume a vaidade, inveja, a caractér persecutório. Não é todos os dias que se pode ser, simultâneamente, Magno e Grande. Ou será que cada um tem o Baltazar Garzón que merece? 


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semtelhas @ 15:43

Qua, 12/12/12

 

Ou, Os Nús e os Mortos, onde o autor, Norman Mailer, relata a sua experiência enquanto militar ao serviço dos EUA, nas Filipinas, durante a II Guerra Mundial.

 

Terminada a leitura o sentimento que prevalece é que, em última análise, os homens fazem as guerras para se sentirem vivos. Desafiam a morte para provarem a si mesmos que existem, da mesma forma que insultam um vizinho para provocar uma rixa. Esta perspetiva considerando o termo guerra na aceção mais vasta que lhe pudermos dar, tudo o pode ser quando aquilo que se procura é quebrar as rotinas. É algo intrínseco à natureza humana, e não constitui novidade.

 

Neste romance o que é diferente é a crueza, mesmo a crueldade, com que o autor descreve aquilo a que assistiu. Ocupa-se explicando detalhadamente os porquês. A sobranceria, o academismo, a burocracia reinantes entre os oficiais, normalmente longe das linhas da frente de combate, e a sujeição, o sacrificío, a indignidade de carne para canhão de todos os restantes. Para o efeito caracteriza a fundo os principais personagens, desde o general, passando por dois dos oficiais, até à totalidade dos soldados que constituem um pelotão de reconhecimento, através daquilo a que chama Máquina do Tempo, com da qual nos faz recuar até ao essencial da vida de cada uma delas. Profundo retrato psicológico, que no seu conjunto nos dá um mosaico relativamente alargado dos componentes da sociedade dos EUA daquele tempo, óbviamente transponível e comparável a outras paragens.

 

Conhecendo aqueles homens, os seus antecedentes, melhor podemos compreender tudo o que se vai passando naquelas semanas, durante as quais é suposto conquistarem uma ilha aos japoneses. Antes, muito antes, de terem que defrontar o inimigo, têm de se confrontar consigo próprios e com os companheiros. Essa é a maior e mais dolorosa parte da luta. O face a face com quem está do outro lado da barricada é tão rápido e tantas vezes em condições tão inesperadas, que pouco mais sentem que estupefação ou o ódio animal de quem tem de matar para sobreviver. O ressentimento, as amarguras nascidas dos sentimentos de vingança, os ódios laboriosamente construídos dia a dia, esses moram no mesmo lado de cada trincheira. E porquê? Porque ainda que cada uma daquelas pessoas sinta aquilo à sua maneira, interpretando-o como a vida lhes ensinou, é comum a todos a certeza do quanto, por um lado, profundamente erradas são aquelas ações e, por outro, absolutamente indispensáveis para que os homens cumpram a sua natureza.

 

Algumas das discrições que Norman Mailer faz, pelos seus olhos de soldado, das paisagens idílicas que aquela ilha lhes proporciona a determinadas horas do dia, invocando muito o que de mais fundo a alma humana pode sentir observando e vivendo A Beleza, pouco antes, ou imediatamente após, terem literalmente esmagado a cabeça a um soldado inimigo, faz-nos pensar na incontornável condição de animais que somos, naquilo que ela tem de mais básico. Também quando nos conta de intermináveis marchas, em circunstâncias inimagináveis devido ao peso que transportavam, às terríveis  incidências do terreno, a um clima absurdamente inóspito, às dores provocadas pelas doenças que os afligiam, ao medo de, a qualquer momento, serem emboscados e atingidos, para, mesmo assim (ou sobretudo por isso, como profetizava o general, os homens só funcionam sobre pressão), serem capazes de correr como crianças, com uma agilidade surpreendente, se as circunstâncias o exigirem, como que a provar que só batendo mesmo no fundo se dá o máximo.

 

Antes deste já tinha lido outras romances deste autor, dos quais recordo Os Duros Não Dançam, por me ter deixado marcas inesquecíveis. Escrito mais de trinta anos depois, já Mailer escrevia muito mais segundo os cânones. Este não. Ainda relativamente novo, pode-se dizer que o jovem Norman o escreveu a direito, a tinta com que o fez foi o sangue que viu ser derramado. Quem o ler vai para a guerra.


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cores da lua @ 21:14

Ter, 11/12/12

Vislumbre


A horas flébeis, outonais
Por magoados fins de dia
A minha Alma é água fria
Em ânforas d'Ouro... entre cristais...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© Andrew Osokin

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semtelhas @ 16:30

Ter, 11/12/12

 

Encontram-se por todos os lados mas são mais perigosas nuns que noutros.

 

Para quem anda por cá há algum tempo já aprendeu a distinguir quando alguém está a tentar esconder algo. Muitas vezes, diria mesmo na maior parte delas, deixámo-nos enganar por uma de duas razões, ou a caso não merece que nos incomodemos, ou pura e simplesmente nada podemos fazer para evitar que tentem fazê-lo. Há no entanto uma circunstância, pelo menos, em que é muito importante estar atentos.

 

Tive recentemente duas experiências diametralmente opostas relativas a tratamentos médicos. Numa delas um familiar meu foi abordado por uma enfermeira que, procurando uma veia para introduzir uma agulha, mostrou tal falta de competência e/ou sensibilidade, que só à terceira tentativa e depois de muito sofrimento (ainda hoje, quase quinze dias depois são bem visíveis as marcas deixadas pelo escarafunchanço), foi capaz de o conseguir. Durante o processo, visívelmente atrapalhada até pelas crescentes reações de dôr da vitíma, foi largando, uma série de pretensas piadas, desafiando uma sua assistente com todo o tipo de brejeirices, a qual, já habituada, ía escondendo o olhar o melhor que podia. Atónitos, desarmados por aquela atitude insólita, e sobretudo aflitos, fomos incapazes de agir, até pela nossa bem real situação de fragilidade. Não sei se a senhora estava num dia mau, mas não me pareceu a caso, tenho mesmo sérias dúvidas que seja enfermeira encartada. Talvez uma habilidosa a quem a crise deu uma oportunidade. Uma coisa é certa, a mim ou a algum dos meus, não vai ela tornar a lavrar nas veias.

 

Não muitos dias depois, obrigado a recorrer aos serviços de um oftamologista, deparei com um profissional verdadeiramente excecional. Direto, discreto, e afável, teve que me aplicar uma série de procedimentos que lhe exigiram uma mão absolutamente segura, nomeadamente quando teve que utilizar uma pequena agulha. Enquanto o fazia, com uma voz clara e firme que transmitia confiança, aconselhava que nada receasse, e que me mantivesse estático. Foram alguns minutos emocionalmente intensos, mas durante os quais senti que podia confiar plenamente naquele estranho que tinha à minha frente. No fim explicou-me detalhadamente o que se estava a passar, deixando-se tranquilamente interromper sempre que o questionava, e deu-me uma série de instruções para resolver o problema. Um excelente profissional.

 

Infelizmente, a maior parte de nós não pode escolher quem nos trata da saúde, ou da falta dela, mas, quanto a mim, quando pressentir treteiro na costa, vou logo apurar o ouvido e abrir bem os olhos, e, se fôr caso disso, reagir. Pode ser que consiga evitar males maiores.

 


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semtelhas @ 16:03

Ter, 11/12/12

 

Há músicas que convocam a paz.

 

 


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semtelhas @ 13:45

Seg, 10/12/12

 

Marcelo Rebelo de Sousa, aos domingos, no jornal das oito da TVI.

 

 

 

Entre muitas outras coisas, nomeadamente a excelência da sua memória por todos elogiada, o que mais interessante achei num apanhado que li algures sobre as memórias de MRS, foi ele ser, desde sempre, um irredutível amante de pregar partidas a quem o rodeia. Só a título de exemplo, e porque me parece bem demonstrativa da natureza das ditas (enfraquecer a vítima no seu âmago?): o seu sogro seria uma pessoa muito metódica, um lugar para cada coisa, cada coisa no seu lugar, pelo que ficou deveras perturbado quando certo dia os seus adorados e imprecindíveis chinelos de andar em casa, misteriosamente desapareceram, pura e simplesmente se esfumaram no ar. Depois de aturadas  e minuciosas investigações toda a família acabou por desistir. Um fenómeno! Até que, algum tempo depois, a filha do desconsolado senhor, mulher do nosso héroi, utilizando o automóvel do marido e tendo que ir à mala, descobre bem aconchegados ao fundo os famigerados chinelos!

 

Não há semana nenhuma em que, ouvindo MRS, não fique com a sensação que o homem está a pregar alguma a alguém, aquilo está-lhe no sangue. Possuidor de uma sagacidade que impressiona, junta-lhe a tal memória de elefante, e uma capacidade de comunicar fora do comum, para nos oferecer quarenta e cinco minutos de absoluta excelência. Independentemente da sua côr política, ou dos seus interesses do momento, é realmente brilhante a maneira como para tudo encontra uma explicação plausível, a justificação aceitável, a evidência na culpa ou na desculpa. Espantoso como manuseia a seu belo prazer as palavras levando-as a induzir quem ouve exatamente para onde pretende. Um sofista autêntico! Imbatível na rétorica.

 

É utilizando todo este manancial que este professor, na verdadeira aceção da palavra, vai descascando, dessacralizando, pondo a nú, todos, ou quase todos os seus ilustres colegas, particularmente os políticos. Se ouvido atentamente, e mesmo descontando a evidente faceta exibicionista para alimentar a legítima vaidade dos que se sentem, e são, visionários, não deixa de ser surpreendente como boa parte daquela gente, que acima de tudo procura poder e reconhecimento como seria expectável, o faça de forma tão básica. Claro que os esclarecimentos de MRS ajudam muito para esta conclusão. Imagino o cuidado que os amigos devem ter quando na sua presença. Devem sentir o seu olhar como uma espécie de bisturi prestes a dissecá-los.

 

Numa sensacional prova de inteligência MRS autorizou o seu biógrafo a escrever o que quisésse, nem quis fazer uma leitura prévia, passando-lhe desde logo toda a responsabilidade da escolha, enquanto esvaziava qualquer tentativa de polémica. Como tudo na vida tal decisão teve dois efeitos inversos, não teve problemas, mas também pouco contribui para a sua notariedade. Desta vez, como das outras, jogou pelo seguro, na essência foi honesto, mas, como sempre, deixa as pessoas na dúvida, desconfiadas, como que pressentindo que dali pode vir algo de inesperado (qual a armadilha que aquele olhar travesso, de puto reguila, esconde?). A verdade é que não serve os interesses, tantas vezes inconfessáveis, dos seus pares. Por isso sempre ficou numa segunda linha que, tal como foi insuficiente para chegar a primeiro-ministro, voltará a sê-lo para ser candidato a presidente da república. 

 

OBS- Para que serão aquelas "notas finais" onde são enaltecidas algumas pessoas por terem conseguido notariedade nesta ou naquela atividade? Para aumentar o nível de auto-estima de que o país tanto precisa, ou para agradar à plateia, aos potenciais eleitores?

 


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cores da lua @ 13:55

Dom, 09/12/12

 

Que se passará do outro lado?
© Magdalena Szurek

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semtelhas @ 13:33

Dom, 09/12/12

 

O rei, a rainha, e o princípe:

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 

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semtelhas @ 12:51

Sab, 08/12/12

 

Goldman Sachs, o banco dos bancos.

 

São eles quem escolhe os clientes, exclusivamente grandes empresas e países. Considerado uma universidade de elite porque só recrutam os melhores, leia-se os que manifestam a combinação ideal (na perspetiva financeira) entre ambição e inteligência, e porque quem por lá passa fica indelévelmente ligado a uma filosofia de vida, bem como a uma espécie de divída de gratidão que vai continuar a pagar até ao fim.

 

Com um tipo de exposição pública em tudo diferente do comum dos bancos, cultiva um perfil discreto que lhe permite fazer uso da máxima, o segredo é a alma do negócio, na plenitude. Ao longo de décadas tem estado na base dos maiores negócios globais, usando como arma essencial para o efeito os seus homens, colocados em pontos estratégicos das finanças em todo o mundo, onde, após a passagem pela universidade, são colocados afim de continuarem a trabalhar  no chamado estado sachs, agora fora da firma, como também é conhecido, mas mantendo o objetivo de o servir. A título de exemplo atualmente tem desempenhando este papel ativamente, entre outros, Mário Dragui à frente do Banco Central Europeu, Mário Monti como primeiro ministro italiano e Antonio Borges, a eminência parda do governo português, seu principal conselheiro para uma política liberal radical.

 

Entre um sem número de negócios altamente compensadores, três figuram como paradigmáticos no historial da firma: a especulação sobre o preço do petróleo no dia 11 de Setembro de 2001, ainda antes da queda da segunda torre; ter deixado cair a Lehman Brothers aquando da crise financeira de 2008, que arrastou consigo várias entidades financeiras pelo mundo fora (nomeadamente na Europa, criando graves problemas em muitos países), pelo facto daquele banco ser seu concorrente direto (na ocasião a responsável pelo tesouro americano, no governo Bush, era um monge do estado sachs); nesse mesmo período ter salvo a AIG da falência, o que custou biliões aos EUA, porque, sendo aquela um dos seus principais clientes, se não o fizésse seria irremediávelmente contagiado pelo desastre; e, talvez aquela que constitui a principal pena no seu chapéu, ter "ajudado" a Grécia a enganar(?) os seus parceiros europeus durante anos, sobreavaliando transações feitas com aquele país para ir sacando enquanto ouve aneis, para, quando chegou a vez dos dedos, o obrigar a ir bater à porta daqueles, e, muito mais importante, empurrar os gregos para um abismo de austeridade do qual ninguém vislumbra o fundo.

 

Tudo indica que a luta de Obama contra a firma já teve melhores dias. Apesar de ter avisado que: muitas das empresas que estão de volta aos lucros de milhões estão em divida para com o povo americano, não deixarei que o que aconteceu se repita. A verdade é que parece que é exatamente isso que está a acontecer. Há uns tempos perguntaram a Jean Claud Trichet, o irredutível defensor do euro, o que pensava de ter sido substituído por um exgoldmansachs, pediu desculpa mas não queria responder aquela questão...(afinal o homem deve ter perigosas tendências vermelhas, com manias de perseguição e teorias da conspiração que não passam de inveja...).

 

À pergunta, será possível parar a firma? Alguém respondeu, desde que há vida na Terra, nunca coisa alguma, frio, água ou fogo, conseguiram eliminar baratas, vespas ou ratazanas, resistem a tudo! Será que aquela gente se tornou numa espécie de caruncho da humanidade, já tão profundamente disseminado, que só queimando tudo e começando de novo? Ou nem assim? Como as ratazanas.


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semtelhas @ 14:23

Sex, 07/12/12

 

 

 

Também de aceitação trata o filme Amour, de Michael Haneke.

 

Realizador que obsessivamente procura a perfeição, lembro-me de Brincadeiras Perigosas (violência juvenil), A Pianista (educação castradora), e Laço Branco (a semente dos extremismos), como filmes muito rigorosos e onde cada tema é aprofundado sem, ou quase, sem limites. A preocupação é exatamente encontrar situações extremas de forma a que a mensagem passe sem quaisquer espécie de dúvidas.

 

Foi portanto sem surpresa que durante duas horas fui atropelado, por uma sucessão de sentimentos fortissímos porque impossível de serem evitados, dada a dose de verdade com que somos confrontados assistindo aquelas imagens. Aparte todas as questão mais cinéfilas, digamos assim, argumento, atores, cenários, realização, fotografia, música, etc., aqui todas elas absolutamente irrepreensíveis, a reflexão que me dominava imediatamento após o visionamento deste excecional documento sobre a condição de ser velho, era o facto de quer o realizador, quer os dois protagonistas são pessoas nessa condição.

 

Aquelas três pessoas (e mesmo Isabelle Hupert, a terceira personagem que compõe o tripé em que assenta a estória, que também já não é nova) não estiveram a trabalhar sobre um assunto distante, mas a possibilidade de se tornar uma realidade de um momento para o outro. Ser capaz de enfrentar olhos nos olhos, a sua (nossa) enorme fragilidade e incontornável efemeridade daquela maneira, só pode dar-lhes força para encararem bem de frente o tempo que lhes resta, possuídos de uma imensa tranquilidade. Conhecer as regras do jogo daquela maneira é dominá-lo. Porque todas, ou pelo menos as mais importantes questões da velhice estão lá, mesmo a eutanásia, que estando longe de se limitar a esta fase da vida, é nela que atinge a sua maior dimensão. No fim o que verdadeiramente interessa é interiorizar que não somos eternos pelo que chegar a velhos, e todos os dias o somos mais um pouco, e só mais uma fase desta nossa presença neste mundo, que temos de abandonar para que os nossos filhos e netos dele possam usufruir, até que chegue a vez deles.

 

Num tempo em cada ninguém está autorizado a morrer em nome do advento consumista que nos mantém vivos e felizes, acresce que esta é uma daquelas ideias que são sempre óbvias quando aplicadas aos outros, mas terríveis quando chega a nossa vez. Segundo Haneke não tem de o ser. Para ele o caminho da aceitação faz-se amando. As respostas virão sem amargura, natural e tranquilamente.

 

 


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semtelhas @ 18:03

Qua, 05/12/12

 

Exatamente no dia em que tinha recebido o meu primeiro salário, aos dezasseis anos, havia jogo nas Antas. Já não me recordo do nome do adversário do FCP, mas lembro-me perfeitamente da minha mãe - não vás com esse dinheiro todo na carteira (eram para aí cinco contos, o que naquele tempo era dinheiro). Não lhe dei ouvidos. Foi impossível resistir à tentação de sentir o prazer de carregar comigo o resultado do meu trabalho no último mês, de que muito me orgulhava, prolongando assim, de certa forma mesmo oficializando, dando corpo, aquele momento decorrido umas horas atrás quando tinha recebido o dinheiro da mão do chefe - aí tens, não começas nada mal!

 

Como já acontecera outras vezes, levei o meu irmão, com rigorosamente metade da minha idade, comigo. O facto de ter poucas memórias a propósito do jogo faz-me crer que nada de especial se terá passado, mais uma vitória portanto. Terminado o jogo, ainda bem imbuído do espiríto vencedor que me dominava, e a precisar de mais razões para continuar a passear e prolongar o meu contentamento, resolvi que iríamos ao pavilhão Américo Sá, ali contíguo ao estádio, para vermos um jogo de voleibol da nossa equipa, desporto no qual o meu irmão estava a dar os primeiros passos e que mais tarde viria mesmo a jogar pelo FCP.

 

Embriagado pela sensação de poder que nunca tinha experimentado, e contrariando uma habitual atitude ponderada que me caracterizava, avaliei mal a situação e, porque muito mais gente tomou a mesma opção que nós, ir ao pavilhão, de repente vímo-nos envolvidos por uma multidão que afunilava no acesso ao mesmo. Poucas vezes me vi tão aflito. Não podendo deixar o meu pequeno irmão no chão, rápidamente teria sido espezinhado e sabe-se lá mais o quê, peguei nele, levantei-o bem acima da minha cabeça, e ao fim de alguns minutos de terror, fui desaguar dentro do recinto juntamente com mais uns quantos, lembro-me de ter feito a parte final do percurso literalmente pelo ar.

 

Ainda mal refeito de um pesadelo entrei noutro. Não foi preciso muito tempo para me aperceber que me faltava a carteira. Incrédulo percebi que tinha escolhido o pior dia para ser estúpido e pouco cuidadoso. Obrigado a esperar longos minutos para não voltar a meter-nos em apertos, sem um tostão para sequer um telefonema, começamos a olhar desesperadamente em volta na esperança de encontrar alguém conhecido. Enquanto uma enorme sensação de desalento e raiva me aferroava o coração, tive que ganhar coragem para, prestes a rebentar em lágrimas, pedir a um adulto (que eu afinal ainda estava longe de ser, como amargamente intuía), depois de expôr o que se passara, umas moedas para o transporte público. 

 

No dia seguinte, após de uma noite muito mal dormida, e um mar de lágrimas mesmo depois dos meus pais, vendo a dimensão com que eu tinha sentido a desgraça, me terem dito que me íam dar o dinheiro - mas é para o depositares na tua conta - aproveitou logo o meu pai, fomos à esquadra que ainda há ali perto da Igreja da Antas, reportar o sucedido. Passadas uma horas devolveram-me a carteira, que tinham encontrado junto de mais algumas, onde faltava o dinheiro. Um dos policías disse: tiveram sorte de dar com profissionais.

 

A partir daí nunca mais nada voltou a ser como era relativamente aos meus conceitos de segurança e prevenção, sorte e... profissionalismo.


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semtelhas @ 09:46

Ter, 04/12/12

 

Menos de duas horas a pé para percorrer Espinho de lés-a-lés deu para sentir uma cidade feita a régua e esquadro.

 

 

 

Meia hora de espera no parque de estacionamento em frente ao hospital, só confirmou a sensação de, também naquele edificío, uma certa obediência a uma espécie de plano geral. Linhas retas, dois andares no máximo, arruamentos à volta de quadrados ou retangulos relvados bem delineados (ainda que atualmente mal tratados), janelas e portas geométricamente colocadas, iluminação eficiente, informação adequada, enfim toda uma funcionalidade já anterior e posteriormente confirmada lá dentro. Impecável, práticamente sem falhas. Feliz o país que usufrui de um serviço de saúde estatal deste nível.

 

Era dia de feira, logo de muito movimento. Nada que atrapalhe aquela gente. Tive a possibilidade de assistir ao montar das últimas tendas até práticamente ao desmontar da última. O costume. Não falta lá nada, só mais gente, especialmente da que compra. Por aquela avenida fora (só até pouco mais de meio do que era antes), os cafés, restaurantes e restante comércio, deve fazer mais negócio neste dia da semana que no somatório de todos os restantes. Impressiona o frenesim, mesmo alegria, e sobretudo simpatia, que paira no ar, quase como se as pessoas, num ato de contrição afirmassem, prometemos que nunca mais vamos menosprezar ou desvalorizar o que temos, o que conseguimos, mas comprem, comam e bebam, e voltem, voltem sempre. Ali, por aquela zona da feira, a crise parece fazer intervalo, vive-se aquele salutar ambiente de confiança de quem compra, casacos a cheirar a novo, tira chapéu, põe chapéu, em frente da vendedeira com um espelho partido na mão, esse é que lhe fica bem filha!, sacas a abarrotar com a rama dos nabos a lamber tudo à volta, etc., etc.. Se uma pessoa não tem uns tostões para ao menos levar alguns miminhos para casa, então o que anda aqui a fazer?

 

Ao longo do percurso, o moderno multiusos tipo nave espacial, a ampla e moderna biblioteca (pena fechar tão cedo), logo a seguir, em pleno jardim, um belo café restaurante, enorme e a respirar qualidade. Do outro lado da avenida impôe-se o bonito edificío do tribunal, também ele, como a biblioteca, pleno de linhas retas, todo em pedra com muito vidro em portas e janelas, relativamente recente. Por todo o lado montes e montes de rapazes e raparigas a sair das escolas em direção às paragens dos autocarros. Também por ali não há crise, saltam, gritam, empurram-se, beijam-se. Alguns grupos de rapazes jogam um último desafio no relvado mais amplo do jardim, ou afastam-se, para zonas mais escondidas entre as árvores. Aventuras.

 

Ao fundo a câmara municipal, imponente. Depois é descer pela rua 19 até ao casino. As luzes de natal já brilham e os altifalantes já cantam. O olhar desanimado e algo suplicante, que nos chega do fundo dos estabelecimentos vazios rua abaixo, dá para perceber que a feira está longe e a crise a apertar. Apesar de tudo as montras estão enfeitadas e carregadas de material. Ainda há esperança para um último esforço. Pelo meio dos transeuntes maioritáriamente normais, vê-se um numero surpreendente de gente que se pressente sem rumo, abandonada, pelos cabelos desgrenhados, pela expressão no rosto sujo, pelas sacas plásticas e/ou mochilas gastas penduradas nos braços ou nas costas. Junto ao casino e ao bingo, outro tipo de indigência, percetível nos olhares fugídios de culpa, pelo andar rápido de nervoso miudinho, a ilusão ao entrar na roleta da porta giratória, a desilusão, o desespero, ao sair. 

 

A redenção dá-no-la o mar. Está cá em cima, bravo e barulhento. Enche-me os pulmões e a alma. Outra vez as linhas retas, a funcionalidade. Toda aquela zona à beira-mar, desde o Cabana até lá ao fundo, mesmo no fim. Excelentes condições. A piscina, o Aquário, os goffes ou os gelados mesmo ao lado, o Golfinho, sai um príncipe com tremoços, e depois dezenas de marisqueiras (tudo às moscas, outra vez a crise), lá está o Zagalo das mariscadas dos bons tempos. Era noite cerrada, estava frio e ameaçava chuva, mesmo assim algumas pessoas imitavam-me a pé, mais uns quantos ciclistas, até ao limite do caminho para o efeito. Voltar, subir a rua 23, paralela à 19 e benefeciária dos excedentes daquela aquando das vacas gordas. Mais fraca, como a maior parte das imitações. Subindo atravesso uma larga avenida parcialmente ajardinada, onde antes passavam os comboios, e lembro-me daquele senhor com um rosto gordo, e vagamente aciganado, ou indiano, principal responsável por essa obra notável pelo que representa em termos ambientais, para além de muito do que até aqui descrevi. Parece que andaram para aí umas noticías pouco abonatórias para o homem. Verdade, ou a inveja do costume?
 
Certo certo, é a autêntica construção lego que é esta bonita cidade. Consegue imaginar-se uma enorme mão sobranceira a desenhar as ruas e avenidas paralelas, a colocar cientifícamente as diversas estruturas sociais, a, sábiamente, com o longo dedo, empurrar carros, camionetas e comboios, a experimentar e constatar a fluidez. Depois, afasta a gigantesca cabeça, goza com a visão de harmonia e a sensação do dever cumprido, um espaço comum onde as pessoas podem interagir produtiva e tranquilamente.

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cores da lua @ 19:08

Seg, 03/12/12

Com o som ligado (seleccionar a imagem 1).

Diminui o stress, aumenta o vicío. Ora Bolas.

 

Mas o que eu gosto mesmo é do modo "maniac",  soa a estalada; isso sim, alivia o stress - eheheheheheheh

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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