cores da lua @ 21:01

Ter, 07/08/12

Sozinho; Coisa mais linda; Você não me ensinou a te esquecer; Você é Linda; Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim; O Leãozinho; Alegria, Alegria; Nosso Estranho Amor; Mimar Você; É proibido proibir; O Quereres; Eu Sei Que Vou Te Amar; Sonhos; Luz do Sol.

De todas estas musicas tenho dificuldade em eleger só uma. Digamos: tenho dias para umas, tenho dias para outras.
Hoje, o dia vai para - London London. Musica do álbum CAETANO VELOSO (1971) escrita no Brasil, por altura do seu exílio político em Londres.

 


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semtelhas @ 15:36

Ter, 07/08/12

Os desenhos animados e especialmente a banda desenhada podem ter grande influência no gosto pela leitura e, na capacidade de imaginar, processo indispensável para desenvolver o raciocínio e a concentração.

 

 

Walt Disney foi o grande mago da fantasia do meu tempo de criança. Maravilhosos filmes como a Branca de Neve e os Sete Anões, A Gata Borralheira ou A Bela Adormecida, fazem parte do imaginário de várias gerações. Desenhos animados cujos heróis eram o inteligente e matreiro coelho Pernalonga, o arreliado e trapalhão pato Duffy, o sempre muito correto Porky Pig, o Piu Piu na sua  infernal capacidade de moer o juízo ao gato Silvestre, o "espináfrico" (comam legumes) Popey sempre a tentar impressionar a formosa Olivía Palito, ou um dos meus primeiros ídolos, o Superrato, qual superhomem a salvar o mundo e especialmente a amada, alegraram e iluminaram o caminho do crescimento a outras tantas. Mas foi principalmente na criação de figuras como o Pato Donald, Mickey, Pateta, Minnie, Pluto, Tio Patinhas, João Bafo de Onça, Professor Pardal, Lampadinha, Gastão, Zé Carioca, Margarida, Clarabela, Horácio, Huguinho, Zézinho e Luisinho, Maga Patalógica, Madame Min, Os Irmãos Metralha, etc.,etc.,etc., que ele se notabilizou. Cada uma destas personagens tem a sua personalidade própria resultando o conjunto num fabuloso mundo alternativo que fez, e ainda que muito menos continua a fazer parte da construção mental de milhões de crianças. Tendo por principal arma o humor, a aventura, o pouco comum, a surpresa e uma estrutura de comunicação que para além da narração, já se dividia entre o que de dizia e também o que, simultâneamente, se estava a pensar, apresentada em diferentes "balões" o que obrigava a uma formidável ginástica mental, resultava na receita ideal para manter grande  atentividade. Fiz viagens plenas de sensações sobretudo lado a lado com o Mickey na sua luta contra o bandido João Bafo de Onça, na qual tinha sempre a preciosa ajuda do atrapalhado, brincalhão e desconcertante Pateta, o meu preferido.

 

   PATETA - O FILME   

 

Ainda na banda desenhada destacava-se a coleção O Falcão, da qual ainda tenho alguns números, os antigos com mais de quarenta anos. Ogan o valente viking que viajava e guerreava num belissímo barco. Kalar, em Africa numa permanente luta contra caçadores furtivos. Major Alvega, o fantàstico piloto da RAF que, durante a 2ª guerra mundial se fartou de abater "Zeros"  japoneses e ainda mais Messerchitt nazis, com o seu magnifíco Spitfire. Também Mademoiselle X a corajosa agente da resistência francesa e ainda Ene 3,  entrépido espião inglês. É imenso aquilo que se aprende a brincar, tirando prazer enquanto o estamos a fazer, lendo esta excelente banda desenhada que, naquele tempo, estava práticamente imune aos exageros que hoje, tantas vezes subvertem e deturpam a mensagem conduzindo-a normalmente para os caminhos do sexo frívolo ou da violência. O mercado, a concorrência, a sobrevivência, bla, bla, bla.

 

É óbvio que atualmente se fazem muitas coisas boas, algumas bem melhores que no passado também pela evolução das tecnologias. Sagas como o Toy Story, o Schlecker, Madagascar, ou filmes como a Dama e o Vagabundo, Pinoquio, UP ou Gru O Mal Disposto, Fantasia, ou noutro género A Noiva e o Cadáver ou O Mágico, Persepolis, e muitos mais são verdadeiras obras de arte.

 

A magia da banda desenhada e, muito mais importante nos dias que correm em que o audio visual lidera em absoluto, a animação, têm essa imbatível vantagem de fazerem tudo possível. Literalmente. Até se diz que, a breve prazo, os atores serão dispensáveis, também eles substituídos pelas máquinas que irão criar imagens humanas completamente verosímeis, acabando aqueles, tal como já uma boa parte de todos os outros, no desemprego. Quando esse tempo chegar provávelmente o mundo já será dominado pelas máquinas restando aos humanos o papel que hoje é reservado aos animais domésticos.

 

Onde é que eu já li, ou vi isto?

 

 


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semtelhas @ 12:59

Seg, 06/08/12

As galerias exteriores da escola, de um lado e por uns bons trinta metros, tinham uma parede com as várias entradas para as oficinas de carpintaria, serralharia, eletricidade, etc., do outro era aberta ( com colunas de x em x metros) para um campo de jogos. O chão de uma tijoleira lisa e polida, o que permitia que nela corresse bem um pequeno taco de madeira. Delimitado o terreno e definidas as balizas estávamos prontos, dois de cada lado, para renhidissímos confrontos que realizávamos religiosamente entre aulas. 

 

Os quatro com doze/treze anos quando nos conhecemos, mantivémo-nos juntos até ao fim do curso, já perto dos dezoito. A saga começou no ano da revolução, 1974, o que, no meio de toda aquela turbulência, contribuiu para reforçar ainda mais a relação. Unia-nos acima de tudo infâncias pouco pacíficas. Por razões diferentes, qualquer um dos quatro, e apesar de tão jovens, já tinham atrás de si um passado do qual tinham apreendido a resiliência, a insegurança, alguma timidez, e uma enorme vontade de contrariar o destino mostrando que eram capazes.

 

Após o primeiro dia em que se conheceram nas apresentações da turma escolar, não foi preciso muito tempo para perceberem que tinham muito em comum e, sobretudo, que em conjunto seriam mais fortes. Todos muito competitivos, o confronto não se limitava ao taquinho. Cedo organizaram um esquema de pontuações baseado nas notas que cada um ía obtendo nos testes a cada e todas as disciplinas, de forma a encontrar um líder. Processo que viria revelar-se fundamental no crescimento de cada um deles enquante estudantes e futuros homens.

 

Os meses e os anos foram passando e aqueles miúdos, no inicío gozados e jocosamente tratados por campeões do taquinho,  tornaram-se os melhores alunos da turma, por todos admirados e invejados, exemplo dado pelos professores, ao ponto de no ultimo ano do curso, de verdadeira razia, terem sido os únicos a obter aprovação. Para mim aqueles foram alguns dos melhores anos da minha vida.

 

Separámo-nos na confusão daquilo que eram as carreiras(?) escolares daquela altura. Fômo-nos reencontrando aqui e ali, uns mais outros menos, enquanto cada um de nós começava a tecer novas amizades. Fui o primeiro a mostrar alguma insensibilidade na capacidade de absorver um deles na minha nova teia. Pelo menos ainda não a tinha experimentado. Hoje vejo-o com clareza, mas, na ocasião estava demasiado "turvo" para o perceber. Ele próprio há uns tempos num encontro casual, mo deu a entender. Muito tempo depois cruzei-me com outro deles e com a mulher, à porta do cinema. Naquela confusão de sentimentos provocada ao reencontrar alguém que se estima mas que não vemos há anos, disse uma daquelas banalidades na qual, por manifesto desconhecimento da pessoa que sou, fui mal compreendido pela companheira do meu amigo,  que, ato contínuo, me respondeu grosseiramente. Despedimo-nos cheios de "sorrisos amarelos". Um destes dias passei por eles a caminhar na praia. Conheci-os ao longe e, para evitar constrangimentos escondi o olhar. Ignoraram-me. Imaginei o diálogo: Ela, aquele não era o teu amigo...? Ele, disfarçando, acho que sim. Ela, não gosto nada do gaijo. Achas que ele já vai embora ou ainda vem de volta? É melhor pararmos aí numa esplanada para ver.

Quando no fim do percurso, e após os cinco minutos de alongamentos da praxe, voltei para trás, pouco depois do sítio onde nos tínhamos encontrado, pelo canto do olho, descobri-os ao fundo de uma esplanada, bem longe do passadiço.

 

Estranha aritmética esta, à qual ninguém, ou quase, escapa, que do somatório de duas pessoas tenha que resultar a subtração de uma parte de cada uma, por vezes de só uma, delas! 


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cores da lua @ 09:29

Seg, 06/08/12

 

 

...



semtelhas @ 11:47

Dom, 05/08/12

Após dolorosas semanas de afastamento voltei às entranhas do meu dragão preferido, aquele onde já foram dizimados muitos e poderosos adversários. Como quase sempre gordo de gente, ontem com um rugido mais efeminado pela massiva presença de familías inteiras de emigrantes.

 

Ali ao lado ainda os restos do estádio das Antas. Das primeiras vezes que lá fui ficou uma imagem de beleza e funcionalidade. Com as pistas para ciclismo e para atletismo, a entrada das equipas a ser feita por dois túneis que desembocavam em cada um dos topos do relvado, e sómente a bancada central com cobertura, resultava geometricamente agradável. Á medida que foi crescendo foi perdendo esse equilibrio.

 

A antiga Luz, majestosa, enorme, o jogo ainda não tinha começado e o Benfica já estava a ganhar! Também o velho Alvalade marcava pela harmonia criada pelo verde, que parecia nascer do relvado e espalhar-se por todo o lado. Agradava-me particularmente uma certa sensação de euforia generalizada que parecia causar. Dos novos, não gosto tanto. Não conseguiram libertar-se de um certo ar utilitário, a roçar o grosseiro na Luz e para o moderninho em Alvalade.

 

Portentoso o Santiago Barnabéu. Uma excelente relação entre a dimensão e a beleza. Impressionante aquele monstro ali, afundado na Castellana, no coração de Madrid. Brutal o Nou Camp. Monumento ao pragmatismo. Curiosamente nos antípodas daquilo que é "jogar à Barcelona", ou, se calhar, talvez não...

 

O Olímpico de Munique. O melhor de todos que conheci. Foi em 1976. Nos arredores da cidade, inserido num enorme espaço verde, de uma beleza surreal. A cobertura, uma espécie de vidro translúcido, simula enormes tendas de circo, suportada por colossais colunas de aço, inclinadas, de onde suavamente "caíam" toneladas de metal e vidro, como de véus de tratassem. Fenomenal.

 

Ainda por cá de referir a monumental "pedreira" do Braga. Aquilo é muito mais que um estádio. Também o velhinho Bessa onde aprendi a ver a bola, ali a cinco metros, única forma de perceber o que realmente está a acontecer. Uns quantos homens de barba rija, a deixarem tudo em cima da relva, muitas vezes até à exaustão. Em conjunto procurando entrar no mais guardado dos tesouros, que é a baliza do adversário e, para complicar, a chave é uma bola. Parece fácil!

 

 

Voltando ao princípio. O Dragão, para além de ser um belissímo estádio, beneficia do facto de ter sido construído em simultâneo com toda a área envolvente, à qual aliás, posteriormente foi acrescentada mais um a autêntica obra de arte que é o pavilhão desportivo, também conhecido, devido à sua configuração, por "feijão". É realmente uma obra notável! O arquiteto Manuel Salgado já tinha mostrado todo o seu valor nomeadamente através da zona de passeio da expo, junto ao Tejo, também ela muito bonita e funcional. Tal como toda a área da Antas, desde a igreja, a belissima  e vasta alameda até ao Dragão, sobranceiro em muitas dezenas de metros, ao intrincado labirinto de vias por onde circulam e zumbem, dia e noite, milhares de automóveis, tal qual zangões ou obreiras, também de vias férreas onde podemos ver comboios e descobrir o Metro que nos leva diretamente ao aeroporto e , daí, para todo o mundo. Podemos estender o olhar a muitos quilómetros de distância. Descobre-se o Douro, a ponte do Freixo e, na outra margem Gaia, até ao Monte da Virgem e, do lado do Porto, um imenso conjunto de habitações até à linha do horizonte. É vendo esta paisagem, especialmente à noite, que percebemos de que matéria são feitos os sonhos. De gente com a profunda crença na possibilidade de fazer a obra, do feliz encontro entre pessoas dessa estirpe, e da favorável confluência dos fatores desconhecidos os quais vamos nomeando de sorte, deuses ou destino.


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semtelhas @ 11:27

Sab, 04/08/12

Ver Paul McCartny a definhar na televisão, correr atrás da memória em busca do porquê, e perceber que tudo lhe será permitido.

 

Provávelmente irá para sempre constituir um enorme e indecifrável  mistério. Qual o alinhamento que os deuses escolheram para as estrelas no firmamento naquele dia, inicío dos anos sessenta do séc. passado em Liverpool, quando quiseram que quatro rapazes se encontrassem e desatassem a compôr dezenas das mais belas melodias de sempre.

 

A feliz convergência das mais importantes e globais variáveis que condicionam a evolução da sociedade a todo o momento, somada ao talento sem limites de três rapazes mais um, o qual tinha na humildade o seu, resultou num fenómeno cultural de que não temos ainda o suficiente afastamento temporal para perceber a real dimensão.

 

É sabido ainda que recorrentemente esquecido, como as linhas condutoras do comportamento das pessoas ao longo do tempo está condicionado sobretudo pelos fatores culturais e artistícos. Ocupando a ciência o indispensável papel de tentar ir correspondendo à sempre crescente, e quase sempre descontrolada, ambição humana na procura de mais conforto e segurança. É também mais ou menos consensual que, entre as artes, ser a música, pela simplicidade com que é percecionada e transmitida, a mais popular de entre todas. Se quisérmos projetar uma evolução simplista do lugar dos sons na evolução: voz, tambores e flautas, música medieval, barroca, clássica, moderna e contemporânea. Cada uma destas fases, exceto a última porque no inicío, teve os seus interpretes de eleição: os jograis medievais, Bach no barroco, Mozart ou Beethoven na clássica e quem na moderna? Resposta dificíl pela vastidão da escolha, ainda potenciada pelas multiplas e globais formas de difusão. Ainda assim creio que se a questão fosse colocada globalmente os Beatles mereceriam a maioria das escolhas.

 

A paixão por algumas canções daquela genial rapaziada obriga a nomear, de cada um, três ou quatro preferidas: de McCarthy, Penny Lane, Let it Be, Hey Jude e o eterno Yesterday; de Lennon, Help, Imagine, Woman e o hino All You Need is Love; de George, o mais místico e meu eleito, My Sweet Lord, Here Comes the Sun, Something e pungente e belo While My Guitar Gently Weeps.

 

NOTA: Entre os albuns o perfeito (afinal existe!): Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band  

 


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cores da lua @ 21:53

Sex, 03/08/12

 

 

 


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semtelhas @ 13:04

Sex, 03/08/12

Nº1, 108, 109, 125, 222, etc.. As minhas Estradas Nacionais.

 

Belo país este que oferece tantas e tão variadas paisagens. Ainda ontem entre o Porto e Entre-Os-Rios, nesta fase do ano, e se a salvo dos incêndios por ali relativamente habituais, uma bonita viagem pelo meio do frondoso arvoredo, palete de verdes, sempre com o rio Douro por companhia. Na primavera e sobretudo no outono, ainda mais interessante pela panóplia de cores que aquelas estações proporcionam, especialmente pela hora do pôr do sol. Na outra margem uma paisagem semelhante, pelo meio, mais ao fundo ou logo ali o rio vai serpenteando majestoso. Lindo.

 

© Jorge Lume

 

Ainda cá por cima, talvez o percurso que, de todos, mais gosto, a estrada Braga/Chaves, bordejando o Gerês. Aqui há uns anos, após uma decisão do momento, livre de planos, no inicío do outono e num daqueles dias quentes e abafados em que parece que o céu vai rebentar em trovões e água a qualquer momento. Os deuses reservaram a estrada só para nós. Numa paisagem deslumbrante, tudo lavado e abrilhantado pela chuva que caía suave mas em enormes gotas. No ar um incrível odor, libertado pelo contacto com a água, a terra molhada, flores, os olhos iluminados pelos verdes, amarelos, vermelhos, laranjas que nos rodeavam e, literalmente, nos caíam em cima em forma de folhas. Parámos várias vezes extasiados. Mais de duas horas em surreal levitação.

 

Quando criança os meus pais percorriam muitas vezes a estrada entre o Porto e Valença. Vila do Conde, Póvoa, Ofir, Esposende, Viana, Vila Praia de Âncora, Caminha, Cerveira. Normalmente almoçavamos num restaurante no Cabedelo, em Viana. Ainda sinto o sabor daquele delicioso pão com manteiga com que nos íamos entretendo antes do bacalhau. Aquilo por ali acima! Pejado de todas aquelas praias de areia finissíma, muito clara a contrastar com o azul escuro que o mar daqueles lados tem, normalmente revolto, pleno de espuma branca, que faz libertar um intenso cheiro a iodo. Uma após outra pequenas vilas e cidades muito arranjadas, no seu vistoso jardim, orgulhosa igreja ou formoso largo central, onde todos se juntam na conversa, e nós parávamos para "tomar qualquer coisa" e dar uma volta. Quando ao fim da tarde descíamos tranquilamente até casa, vínhamos felizes.

 

...

Há três anos atrás subimos a 222 de Gaia até Sabrosa, onde dormimos. Foi uma experiência inesquecível. Metade da viagem, mais ou menos a partir de Cinfães, mas especialmente da Régua, é feita pelo meio das videiras que hão-de dar o Vinho do Porto. A paisagem é indescritível. Sempre rodeados por centenas de metros de vinhas por todos lados, dispostas naquelas escarpas em escada, circulamos por vias relativamente estreitas, pouco frequentadas, e de onde, aqui e ali, podemos vislumbrar o Douro a correr lá muito ao longe, tanto que parece um pequeno ribeiro. Por vezes só o descobrimos pelo brilhar da água. Silêncio absoluto. Sem dúvida uma das grandes obras da humanidade, só visto dali para o compreender! Muito sangue suor e lágrimas tiveram que correr para sacar daquela terra feita de pedras, naquelas condições, aquele néctar ímpar que leva desde há séculos o nome do Porto e de Portugal a todo o lado. A grandeza e o valor das vitórias quase impossíveis.

 

Outras das estradas a que sempre que podemos voltámos: aquele bocado entre S. Pedro de Moel, Nazaré, S. Martinho do Porto, até à Foz do Arelho. Por vezes, quando há tempo, dá-mos um esticãozito, junto à costa, até à Ericeira. Uma mistura entre a planicíe e o mar que torna aquela zona muito bonita e uma espécie de abrir apetites para mais longínquas paragens, e gentes já considerávelmente diferentes. Refiro-me ao pedaço que vai entre Sines passando por Porto Côvo, Vila Nova de Mil Fontes, até Odeceixe, por onde avistámos praias realmente maravilhosas, tantas delas, pela dificuldade no acesso, práticamente desertas. Paraísos.

 

Ainda antes do Alentejo e Algarve, como não referir um pedaço de estrada por trás da Serra da Arrábida? Galápos, Portinho da Arrabida até Sesimbra? Ouvi que está um pouco estragado. Felizmente o que guardo na memória do final dos anos sessenta, são os coelhos e as perdizes pousadas nos caminhos onde éramos um dos rarissímos intrusos. Chegávamos a parar para os tentar agarrar. Aquelas pequenas praias lá em baixo eram autênticas visões! Também desde esse tempo as várias travessias do Caldeirão, a novidade e o descanso da frescura, e interrupção das velocidades loucas e inconscientes nas retas a perder de vista do deserto alentejano, onde tínhamos que fechar as janelas e quase morrer sufocados, para escapar ao gume que era o calor nos braços e no rosto. Íamos a caminho de fantástica praia de Monte Gordo, areal a perder de vista que proporcionou fins de tarde memoráveis a chapinhar em água morna já a fazer contas ao besugo grelhado. Também das incontáveis travessias da 125, verdadeiro trilho cosmopolita nesses tempos e, já na altura uma aventura para nela circular, tal era a confusão de entradas e saidas para dezenas de praias quase tropicais. O fascínio da sensação de estar num mundo em tudo diferente. Inesquecível.

 

Mais de setecentos por cento e tal quilómetros com algumas estradas, elas próprias e os locais onde nos conduzem, que proporcionam experiências tão variadas que parece termos atravessado um continente. Uma benção, tanto em tão pouco! 


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cores da lua @ 22:11

Qui, 02/08/12

 

Entre os dias que correm, a velocidade furiosa, como encontrar o equilíbrio? Que tal, espreguiçar o olhar e a mente sobre estas paisagens idílicas? Uaauuuu!!!!!!!

 

 

© Marcin Sobas

 

Campos de cultura na Toscania e República Checa (1ª foto)

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semtelhas @ 10:08

Qui, 02/08/12

Decorridos quase metade dos Jogos Olimpicos algumas reflexões.

 

Durante umas horas foi sensível a grandeza de uma "folha de serviços" que os britânicos foram orgulhosamente desfolhando, e que nenhum país do mundo desdenharia. Se os chineses há quatro anos, no seguimento do que vinha sendo feito, optaram por uma cerimónia de abertura subordinada à grandeza da geometria desenhada com e pelas pessoas, alcançando dentro deste estilo, porventura, a máximo possível, já os ingleses, rompendo com a tradição, escolheram a diversidade, o humanismo representado pelo aparentemente caótico que é a sua existência, mas que, na verdade, tem subjacente uma harmonia aqui magistramente demonstrada. Simplesmente mágico.

 

 

Cada quatro anos é disponibilizado ao mundo o resultado da espécie de barómetro da existência humana, que são os Jogos. Continua a ser, a anos luz de distância, o maior acontecimento planetário sobre todos os pontos de vista. Não obstante a inevitável comercialização omnipresente, e alguma batota, ambas causa e efeito dos tempos que correm, é impressionante assistir à entrega total, à insuperável vontade de vencer que alguns dos melhores de entre nós insistem em demonstrar. Lição de entusiasmo para todos. Enquanto a humanidade for tendo energia e disponibilidade para tanto, bem podemos aceitar-lhe algumas motivações menos nobres, em nome do pragmatismo da evolução.

 

Até ao momento, no que a resultados objetivos diz respeito: a confirmação da China como incontestável potência dominante em ascensão; o curioso desempenho da Índia, que vem confirmar que ter mais população não é o mais importante, mas sim como culturalmente, em todos os sentidos do termo, toda essa gente é condicionada; o relativo apagamento da Rússia, num processo mais acelarado que o chinês, no qual pelo enfraquecimento de um estado centralista, pela emergência de uma sociedade mais livre por um lado, mas por outro ainda pouco evoluída, os interesses das pessoas estão dirigidos para questões mais frívolas, imediatas, materiais; a manutenção dos EU como grande e mais jovem país das liberdades e excessos, pela mão de um sistema politico super agressivo, com tudo o que isso tem de bom e de mau; e a evidência de uma União(?) Europeia que, mesmo não o sendo pulveriza em número de medalhas conquistadas per capita (mesmo não contabilizando qualquer espaço russo), prova da excelência do desenvolvimento das nações que dela fazem parte.

 

Pelo menos de algumas...é que quanto a Portugal pior era dificíl. Parece-me sentir-se uma espécie de derrotismo intrinseco que não deixa conquistar aquele segundo, aquele centímetro ou aquela centelha de energia restante que podem fazer, e fazem toda a diferença. Será que há uma espécie de maldição dos resgatados? Um complexo de inferioridade que condiciona? Cadê os gregos, os irlandeses, os espanhóis?

 

Mas não desesperemos. Costuma dizer-se que os Jogos só começam com o atletismo, e isso é só amanhã. Não sei se para nós portugueses, mas, e se a intempérie o permitir, suspeito que esta última semana pode fazer destas olimpíadas uma das mais memoráveis da história.


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semtelhas @ 12:30

Qua, 01/08/12

 

 

                                                                        

                                                    Sinto que me estás a fugir

                                                    É mortiço e sem brilho o olhar,

                                                    De gargalhar para o simples rir

                                                    Do feliz sorrir para o triste esgar. 

 

                                                    Olhei, e por momentos não cria.

                                                    Vi que não te reconhecia.

                                                    Onde antes era a alegria,

                                                    Agora é o esperar outro dia.

 

                                                    Olhar parado. Estás a perceber?

                                                    Será que me faço entender?

                                                    Sim, sim, claro que percebi.

                                                    Mas foi só vazio o que vi. 

 

                                                    O peso do irreversível,

                                                    O desalento da indiferença,

                                                    O desespero do inacessível,

                                                    A impossibilidade da presença.

 

                                                    Jamais razão para desistir,

                                                    É chegado o tempo de aceitar.

                                                    Falta sentido no despedir,

                                                    Por de um a outro lado passar.

 

                                                    Por algum tempo ausentes,

                                                    Todos algum dia vamos estar.

                                                    Talvez sómente nas mentes,

                                                    Algures nos vamos reencontrar.

                                                                                                                                                                                                                                  

                                                                           


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