semtelhas @ 14:48

Seg, 20/08/12

Sendo um produto e profundo admirador da cultura ocidental, não deixo de encontrar razão, e de procurar refletir, em algumas críticas sobre a mesma, especialmente quando chegam de pessoas reconhecidamente capazes.

 

Lendo uma entrevista no Jornal i de hoje, de uma especialista em medicina tradicional chinesa, natural daquele país, e onde são defendidos conceitos tão genéricos como, mais importante que cada um dos orgãos internos do corpo humano, o ser a energia vital que corresponde ao meridiano em que os mesmos estão inseridos, conjunto de vários que vão ter influência no funcionamento de um deles, ou tão específicos como o da importância enorme que tem no bem estar geral o mergulhar diáriamente os pés em água bem quente (sem queimar), despertou-me para o que parece ser uma certa credibilização do que chega do oriente, a que não será concerteza estranha uma sensação de falência dos modelos ocidentais.

 

Aqui há uns tempos vi na RTP2, no programa O Tempo e o Modo, uma entrevista a uma senhora indiana, Vandana Shiva, que me ficou gravada na memória. Formada em fisíca quântica, no Canadá, e empenhadissíma na defesa dos direitos humanos e na sustentabilidade do planeta, pareceu-me, na ocasião que a ouvi, algo fundamentalista. A dúvida que me ficou foi se esse exagero não era propositado, consciente de que só assim se pode combater ainda piores excessos.

 

Segundo esta mulher informadissíma e seguramente muito inteligente, se há uns quantos séculos a europa espalhou o seu poder pelo mundo enviando piratas (ou cruzados...) que saquearam e adulteraram tudo o que lhes apareceu à frente, hoje assiste-se a uma reconquista, ou nova colonização, por exemplo por via da tentativa de criar patentes sobre descobertas na área da agricultura, de há centenas de anos atrás, procurando assim dominar o controle sobre as sementes e a biodiversidade, uma espécie de biopirataria. Deu exemplos: o célebre arroz basmati (aroma em indiano); o trigo indiano por ter menos gluten, já que o ocidental, fruto de tratamentos contínuos à procura de maiores produções, é cada vez mais rico naquele componente notóriamente prejudicial à saúde se excessivo, etc..

 

Fez a habitual caracterização do sistema ocidental: tendo como objetivo o crescimento da economia para a acumulação do capital, o uso e abuso do consumismo que gera consumidores obesos, estúpidos e deprimidos. Mais grave ainda a criação de uma espécie de espiritualidade ocidental em que o credo principal é a ganância com os resultados a que hoje se pode assistir: onde se prometia a fartura encontra-se a fome; o bem estar estar é trocado pelo crescimento exponencial dos sem abrigo; em vez da saúde o multiplicar de virus e bactérias cada vez mais dificeis de combater. Simultâneamente desaparecem trezentas espécies animais ou vegetais diáriamente, a água é cada vez mais escassa e a terra infértil, tudo fruto da crescente agressão ambiental em nome do deus crescimento.

 

Faz parte das soluções uma curiosa inversão do poder que deve ser maioritáriamente ocupado pelas mulheres que, ao contrário desta masculina política, irracionalmente competitiva em busca de uma rápida vitória via poder, tendencialmente escolhe o caminho da partilha, da bondade e da proteção. Em suma, da defesa da vida. Porque é exatamente aí que está a resposta.

 

Conceitos como: cada um fazer o que está certo, ditado pela sua consciência, conduzirá ao bom caminho comum; provocar uma alteração na espiritualidade da ganância por uma outra de partilha; da defesa do meio ambiente, contra o desperdicío e no retorno à natureza na sua pureza, sem geo ou genético engenharias; bem com o alerta de que países como a China e a Índia estão a cometer os mesmos erros do ocidente, e que isso está a levar a revoltas cada vez maiores, mais habituais, e que a algum lado hão-de conduzir, completam nada idílico quadro traçado por esta eminente personalidade.

 

Antes de terminar a entrevista fez uma afirmação no minímo muito pertinente, ninguém é dono da Terra, todos somos parte dela. Infelizmente, há uns mais donos que os outros, como diria Orwell.


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cores da lua @ 13:50

Seg, 20/08/12


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semtelhas @ 11:41

Dom, 19/08/12

Dois filmes antagónicos, o mesmo resultado.

 

Ontem a RTP2 (é aproveitar enquanto dá) exibiu um filme dos irmãos Cohen, Um Homem sério e outro, cujo realizador desconheço, Dorian Gray, baseado na obra homónima de Óscar Wilde, que li há uns anos. Ambos abordam a temática da postura de um homem perante a vida, um pelo lado da dita seriedade, o outro pela via do prazer.

 

No primeiro caso  relata-se a estória de um homem em tudo cumpridor daquilo que são normalmente consideradas as obrigações de uma "pessoa de bem": mulher, um conveniente casalinho como filhos, um desmiolado familiar, neste caso irmão, a quem dá humanitária guarida na sua hipotecada casa, e um emprego com razoáveis perspetivas de promoção e segurança. Tratando-se de uma família judia não falta toda uma panóplia de princípios e deveres morais (tal qual como em todas as outras, afinal de contas), que o desgraçado deve cumprir escrupulosamente. O que gostosamente faz. Acontece que um dia aquilo que parecia uma imutável, tranquila e corretissíma situação, é virada completamente do avesso. O homem é pura e simplesmente devastado por uma série de acontecimentos que, normalmente à mistura com muito humor, se vão sucedendo, acabando o nosso heroi por questionar aquilo que tinha de mais sagrado na vida, ser sério.

 

Em Dorian Gray, num filme em tudo diferente do outro, digamos que se aquele se passa numa espécie de paraíso, este acontece no inferno. Um pleno de luz, o outro quase sempre nas trevas da escuridão. Um jovem milionário cai nas mãos de um poderoso, e sobretudo cínico, membro da alta sociedade londrina da primeira metade do séc passado, que o leva a uma total inversão do que aparentemente poderia ser uma vida de amor e felicidade, numa outra de luxúria e morte. Tratando-se de uma pessoa profundamente hedonista, o dito lord arrasta o pobre rapaz para o mundo da perversão e do vicío, convencendo-o que a vida só vale a pena ser vivida no fio da navalha, experimentando e levando ao limites todos os prazeres que nela encerra. Através de um engenhoso arteficío, Óscar Wilde conduz-nos através daquele que sabermos ter sido o seu mundo na vida real, acabando por sofrer as consequências que também conhecemos. Uma espécie de autobiografia.

 

Nos dias que correm, possuídos por essa perigosa e quem sabe fatal, dictomia entre o "sério" mundo dos alemães, ou dos povos do norte da europa, e o hedonista(palavra de origem grega...) e "preguiçoso" modo de vida dos gregos em particular e dos povos do sul em geral, talvez não seja má ideia refletir um pouco nas conclusões dos supracitados filmes.


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semtelhas @ 13:20

Sab, 18/08/12

Terminada a leitura de um pequeno livro de de Henry James, Daisy Miller, a recordação de um outro do mesmo autor, Retrato de Uma Senhora e, com esta, as de outras personagens femininas celebrizadas pela literatura.

 

As protagonistas das obras que li de Henry James para além da beleza só têm em comum uma personalidade muito forte. Extremamente descritivo dá-nos num caso o retrato da bela Isabel Archer, herdeira de uma enorme fortuna e que, implacável no seu propósito de independência, acaba quase inteiramente à mercê de um caçador de fortunas. Daisy configura a jovem milionária, irrequieta, irresponsável e inexperiente, que tem por supremo gozo arrastar exércitos de pretendentes aos seus pés. Em ambos os casos sempre a ambivalência entre o poder e a fraqueza no feminino, duas faces da mesma moeda. Fruto da poderosa narrativa é dificil escapar à paixão pelas magnificas mulheres, e profundo desgosto pela trágico destino que lhes podemos adivinhar desde bem cedo.

 

Duas adolescentes universalmente famosas fizeram e fazem as delicías de milhões de leitores, Lolita, de Nabokov, e a jovem protagonista do romance A Amante da China, de Marguerite Duras. Ambas carregadas de sensualidade seguramente abriram caminhos a inúmeras paixões. O mundo continua cheio de lolitas, jovens raparigas na idade de descobrirem os segredos e os desejos do corpo, e ainda incapazes de perceber os riscos da prática de um perigoso jogo de seduções, que muito pode comprometer um futuro desejávelmente saudável e equilibrado. Para se aproveitarem destas naturais fraquezas, também por aí continuam os predadores que, tal qual Nabokov, arriscam bastante, sobretudo em carregar a sua consciência. Para em parte contrariar este raciocínio aí está a cultura a baralhar ideias feitas. A pequena e oriental criatura, tão bem caracterizada por Duras no seu romance e, posteriormente num não menos belo filme, transmite harmonia, segurança e naturalidade. Resta o bom senso e o que os avanços naquilo que é o conhecimento sobre os labirintos da mente humana, para percebermos o que é um mundo "ás direitas".

 

Vítimas das convenções e preconceitos foram por exemplo, Fanny Owen, de Agustina, ou a condessa Olenska em A Idade da Inocência, de Edith Wharlow. Esta é uma espada que sempre esteve, e permanece, sobre a cabeça das mulheres, sobretudo num mundo maioritáriamente governado por homens, os quais procuram assim manter um certo "controle da situação". Casos muito diversos se passam nestas obras, se na de Agustina uma série de equívocos conduzem a um estúpido desperdicío, no outro há a assunção desse mesmo desperdicío em nome das convenções da época. Impossível não relembrar o inesquecível desempenho de Michelle Pfeiffer, no papel de condessa em filme de Martin Scorsese.

 

Para caracterizar o seu lado mais frívolo e volúvel os verdadeiros ícones da fatalidade, traição, fraqueza, perversidade, etc., adjetivos dependentes da época ou sociedade a que se reportam, Madame Bovary, de Flaubert, Anna Karenina, de Tolstoi, a Lara de Doutor Jivago, de Boris Pasternak, Lady Chaterley, de DH Lawrence e mesmo Nana, de Zola. Para começar não deixa de ser curioso, pelo número de obras referenciadas, ser este um dos temas preferidos dos, exclusivamente, masculinos autores. Sobre pouco mais coisas se terá escrito tanto, do que a propósito da natureza feminina, e das implicações que a mesma possa ter sobre o cada vez mais etéreo conceito conhecido por fidelidade, medos escondidos com rabo de fora. Nas obras referidas os vários autores abordam este assunto sobre variados pontos de vista, oferecendo-nos conclusões para todos os gostos. Se no caso da Bovary e de Nana há quase que uma natureza que apela  à promiscuidade, já Karenina, Lara e Chaterley são escravas do amor. Aqui o uso das palavras promiscuidade e amor, tão distantes e próximas nos seus limites, é tão dúbio e periclitante, como o foram as vidas destas personagens nos intemporais romances respetivos. Carregados de sensualidade os de Lawrence e Zola, de trágicas e longas sagas, estórias de amor, o de Pasternak e sobretudo o de Tolstoi, e, no caso de Flaubert, autêntico paradigma da imponderabilidade e insustentável leveza de algumas mulheres, são todos eles profundamente conhecedores da natureza feminina.

 

Para o fim Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, a prova daquilo que faz da mulher o que de mais belo e completo a natureza tem: ingenuidade e malicía, impulsividade e calculismo, beleza e sensualidade, sensibilidade e bom senso, fragilidade e força. São elas quem nos salva!

 


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semtelhas @ 13:13

Sex, 17/08/12

A Casa na Floresta não se inscreve em nenhum dos até agora conhecidos géneros de filmes de terror.

 

Lobisomens, fantasmas, zombies, alliens, demónios, vampiros, psicopatas, etc., são tudo veículos para, durante um determinado período de tempo, nos tirar do "sério", possibilidades de evasão via emoções fortes à semelhança de outras com mais, ou menos, resultados.

 

Os filmes de Robert Rodriguez (Planeta Terror, e muitos outros) por exemplo, são um puro exercicío de divertimento macabro, pleno de mortos-vivos, violência a rodos e música verdadeiramente pesada, que fazem as minhas delicías e as de muitos mais. John Carpenter é outro grande mestre, e os seus filmes O Nevoeiro, também A Coisa, obras primas no género, digamos, mais inventivo ainda que, neste caso, menos explicitamente violento. Na área dedicada ao suspense a saga Sexta Feira 13 fez escola. Jamais esquecerei o primeiro, do qual saí literalmente com os cabelos em pé. Dos mais antigos ficaram-me os arrepiantes Dráculas, os Lobisomens e os Vampiros.

 

Houve depois um que representou como que uma viragem deste género de filmes para uma zona mais próxima da realidade, mais verosímeis, que foi O Exorcista. É certo que já tínham aparecido outros como Rebeca, ou também de Hitchcock, por exemplo os Pássaros, ou Psico, que remetiam para um terror mais psicológico, mas acredito que foi a partir daquele revolucionário filme que se iniciou como que uma espécie de junção entre os horrores da mente e da violência fisíca de formas mais credíveis. Assassino Pelas Costas, primeiro e genial de Spielberg, Massacre no Texas, Fim de Semana Alucinante, Terror na Auto Estrada, Shinning, de Stanley Kubric, O Silêncio dos Inocentes ou o mais recente REC, situam-se neste tipo.

 

A Casa na Floresta atira com todos estas variáveis para as calendas pelo simples facto de os instrumentalizar ao máximo, arquivando-os por tipos e a eles recorrendo num jogo, esse sim assustador, muito comum nos nossos dias, os reality shows televisivos. Que estes estão a ultrapassar todos os limites daquilo que ainda vai sendo considerado decência, é opinião mais ou menos geral e, terá sido este facto que levou quem pensou e fez esta fita a dar esta espécie de alerta. As necessidade de audiências, aliada à indesmentível tendência para o intrinsecamente mau que todos temos, uns mais que outros, está a levar a uma sensação de que vale tudo que, atendendo ao poderoso meio de difusão utilizado, já está e pode potenciar ainda mais o disseminar de ideias e práticas que a todos prejudicarão.

 

É possível que este filme possa representar para a indústria do cinema, neste género em particular, um marco tão importante quanto o terá sido O Exorcista. Abordar os verdadeiros horrores que estão a ser gerados nos ventres desses monstros que são as grandes produtoras e meios de comunicação social virados exclusivamente para o lucro, utilizando o seu próprio jogo, a sedução do "faz de conta", mas pelo lado da desmistificação, revelando a triste e assustadora realidade, pode ser o caminho para tentar travar a loucura a que assistimos. Sem fundamentalismos proibitivos, mas subtilmente, e usando as mesmas armas do agressor, mostrar o que se está a passar. É o que faz magistralmente esta obra.


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semtelhas @ 13:43

Qua, 15/08/12

Religiosas, amorosas, clubísticas, politícas...

 

Anos a fio lá íam à Senhora da Saúde, nos Carvalhos. Em cumprimento de uma promessa feita aquando de um problema de saúde de infância da minha mãe. Esta brincando com a dela, minha avó, é desta que vamos a pé? Parece que estou a vê-la, virada para o altissímo, à semelhança do que fazia com uma das cinco filhas na volta do talho, arremessando o desgraçado do bife contra os azulejos da parede da cozinha, isto é duro como cornos! leva-o para trás e diz ao Neca que pago carne tenra. Talvez algo mais comedida, quando prometi não disse se ía a pé, de autocarro ou de comboio! Todos nos ríamos. Sempre pragmática só interrompeu a viagem anual quando deixou de se poder deslocar.

 

Promessas de amor eterno são quase tantas quanto as respetivas, e mais umas quantas, traições. Algumas bem célebres. Estou a lembrar-me da Carmen, a de Sevilha. Quem podia acreditar que aquilo não ía ser para sempre? Bastaram umas quantas horas e um formoso, charmoso, garboso, fogoso, e outros osos toureiro, para que alguém se sentisse com os ditos enfeitado. Esta pecadora acabou depressa e mal, o que é raro. Se a coisa se generalizasse a população diminuíria drásticamente.

 

Eu não queria...mas tenho que referir aquele clube que todos os anos promete este mundo e o outro, e depois é o que se sabe. Nos últimos vinte anos ganhou três campeonatos, dos que realmente contam, enquanto os outros, os tais que andam sempre pelos cantitos das primeiras páginas, esmagados pelas gigantescas parangonas a anúnciar preocupante diarreia do supermagnifíco ultragalático candidato a suplente, ou a megafabo(u)lástica maior contratação da história, ganharam catorze! Curiosa e muifelizmente neste caso, o crime do não cumprimento parece compensar. Gostosos mistérios.

 

Aos politícos é que ninguém ganha! São tantos e tão eloquentes os exemplos das facadas nas costas do prometido por essa galdéria promessa, que me vou ficar por uma das mais recentes. Quando alguém disse que o malvado do Sócrates ía meter-nos a mão no bolso via subsídio de natal, foi ver o nosso atual primeiro, indignar-se veementemente e, perante as câmaras da televisão clamar, são sagrados os direitos adquiridos, ai de quem não os respeite, nunca ninguém batera tão fundo!, etc., etc., isto só porque se constou! E não é que decorridos dois ou três meses o homem passou olímpicamente por cima de tudo isso!!!? e ainda muito mais? Têm costas largas as alegadas "surpresas" perante a dita "situação real". Diz-se que, por vezes, os fins justificam os meios, mas havia necessidade de mentir tão descaradamente? Quem assim é capaz de o fazer não semeia fundas dúvidas aquando de futuras promessas? Ou já vale tudo menos tirar olhos?

 

De promessas está o inferno cheio, reza o povo e comprova-o a realidade. É como diz aquela canção italiana, parole, parole, parole...

 


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cores da lua @ 21:49

Ter, 14/08/12

 

 

mar azul

mar azul       marco azul

mar azul       marco azul       barco azul

mar azul       marco azul       barco azul       arco azul

mar azul       marco azul       barco azul       arco azul       ar azul

© Ferreira Gullar


 


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semtelhas @ 14:24

Ter, 14/08/12

Os espermatozoides a nadar

 

Os brasileiros a sonhar

 

Os submarinos a emergir

 

A economia a cair

 

O desemprego a aumentar

 

Os universitários a delirar

 

A Telma a justificar

 

O Pimenta a exagerar

 

A Grécia a sobreviver

 

O Irão a esconder

 

Os espanhóis a desesperar

 

Os americanos a arriscar

 

O Benfica  a inventar

 

O Porto a ganhar

 

O Mourinho a crescer

 

Lá fora a chover 

 

Aqui...para poder respirar,

 

o 2º concerto de Rachmaninoff a tocar

 

 


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semtelhas @ 15:40

Seg, 13/08/12

Hoje vi o antigo ministro das finanças Pina Moura, na praia a tentar correr atrás de um neto(?).

 

 

 

Os mais antigos lembrar-se-ão das cadernetas de "vitórias", o papel onde vinham embrulhados rebuçados e que faziam parte de uma coleção de animais. Os mais dificeis eram os "carimbados", o cabrito, o bacalhau, a cobaia, e ainda havia um outro de que não me lembro qual (o burro?). Mais recentemente faz-se o mesmo com jogadores de futebol cujos cromos já são autocolantes. Antes, como nem para cola havia dinheiro, fazíamo-la misturando farinha com água. Mas não é dessa fauna que quero falar.

 

Não sendo própriamente um "carimbado", Pina Moura não deixa de ser um cromo com uma certa importância. Senão vejamos: originário do PCP, filia-se no PS para, mais tarde, vir a tornar-se um dos mais ferozes ministros das finanças no que a privatizações diz respeito. Todos sabemos ser esta uma das principais doutrinas do comunismo. Já bem lançado nesta desenfreada corrida para bem longe de proletárias solidariedades, em que até o país ficou demasiado pequeno para tanto talento na arte de engordar a carteira, acabou admnistrador na espanhola Iberdrola a ganhar umas dezenas de milhar por mês. A subida nos rendimentos foi de tal ordem vertiginosa que ainda hoje deve ser recorde do mundo. Se o outro se farta de "carreirar" este fartou-se de "pinar". Poucos nos terão f. tanto!

 

A propósito de exministros das finanças, é espantoso como nenhum deles tem nada a haver com a situação de falência económico-financeira do país, a começar no campeão do liberalismo, o nosso Aníbal (cada um tem o que merece), passando por mais dois inefáveis cromos, o Medina Carreira e o Catroga, até aqueles como o Campos Cunha que quando viu a camisa de sete varas em que se ía meter, pôs-se de fora a mandar umas "postas de pescada".

 

Mas voltando aos cromos. Chega a ser comovedor ouvir o Medina carreirar. No sentido inverso do Pina desatou a defender os pobrezinhos, que é preciso que sejam os ricos a pagar a crise, que não é justo deixar o povo completamente teso, que assim antes de 2020 acaba-se o dinheiro para as prestações sociais, etc.. Estará com medo que acabe o graveto para lhe pagar a pensãozita, ou já terá pedido a ficha de adesão ao PC?

 

O Catroga era o da retrete das Antas, mas como o homem é imparável, já engordou considerávelmente o currículo. Desde o elevado momento que foi a penhora de um dos wc's do antigo estádio das Antas, que sabíamos o senhor capaz dos mais espantosos cometimentos, mas tudo ficou reduzido a meros "pintelhos", para utilizar a elaborada linguagem do ilustre, perante esta sua mais recente afirmação, plena de convição, de que não está disponível para perder a acumulação das várias reformas e pensões que tem, a somar aí a uns 50 mil euros/mês que recebe na recentemente privatizada EDP. É que, como todos sabemos, o facto de ser quem é, ligado intrinsecamente aos mais altos interesses financeiros do estado há décadas nada teve a haver com a escolha feita pelos chinocas, donos da antiga elétrica nacional. Para andar a negociar os nossos tostões com a troika tinha que ser alguém altamante qualificado. E é.

 

Finalmente a Zita. Aquela que andou a dar injeções atrás das orelhas dos velhinhos e a comer criancinhas ao pequeno almoço. Agora acusa os camaradas desses gloriosos tempos, de escutarem conselhos de ministros através de condicionadas ventosidades. Seguramente tão ou mais fedorentas que as outras. Que tipo de egocêntrismo, esquecimento ou seja lá o que fôr, levará uma pessoa a renegar de uma forma tão rasteira o seu próprio passado? Terão obrigado a senhora a décadas de intensa luta ao lado dos pobres e oprimidos? (Na qual aliás se destacou, brilhando intensamente). Será que estes últimos desapareceram em parte incerta? Ou seremos todos ricos e estamos bem na vida como a Zita? Claro que ela o conseguiu sempre de "freio nos dentes", mas nunca aproveitando-se da notariedade adquirida enquanto comunista e, sobretudo como iluminada arrependida. Ou então isto é tudo mentira e trata-se muito simplesmente de falta de dignidade e vergonha?

 

Deviam criar uma caderneta com este tipo de cromos, de que estes são pequenissíma amostra. Seria um sucesso. Dificíl ía ser escolher os "carimbados", qual deles o mais especial.


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semtelhas @ 15:57

Dom, 12/08/12

E a dificuldade de lhes traçar fronteiras.

 

PASSOS COELHO

É legítimo ir para a porta da casa onde o primeiro ministro está de férias, acessível a todos, fazer uma manifestação politica? É. Mas também o é que o politico queira algum tempo de descanso. Se calhar, para a próxima, em vez de estar próximo do comum dos cidadãos, vai isolar-se num condomínio de luxo para férias. Quem o poderá condenar?

LUISÃO

É legítimo agredir uma pessoa violentamente, e depois, mesmo contra todas as evidências, afirmar perentóriamente que se está de consciência tranquila, que não se pretendeu agredir? É. Mas depois quem é que vai continuar a acreditar numa pessoa que é capaz de afirmar tal coisa?

PINTO DA COSTA

É legítimo afirmar que foi bom ter acontecido algo positivo, para compensar outra coisa negativa se tenha passado pouco tempo antes, mesmo que uma não tenha rigorosamente nada a haver com a outra? É. Pode sempre considerar-se uma questão de interpretação, mas depois que tipo de imparcialidade podemos esperar em futuras interpretações?

ALBERTO GONÇALVES (DN)

É legítimo, enquanto comentador profissional, limitar-se a dizer sempre mal de tudo e de todos? É. Trata-se do que se escolhe para comentar. Mas depois que tipo de consideração, respeito ou reconhecimento, merece quem que faz tal escolha?

VICENTE MOURA

É legítimo justificar piores desempenhos pela pequena dimensão do país? É. Porque é uma das razões. Mas então como explicar rácios população/medalhas muito melhores? Que tipo de credibilidade e sobretudo empenho transmite este tipo de "responsáveis" que dá como solução ir desviar africanos para cá?

RESP. ASSOC. BOMBEIROS

É legítimo, após uma catástrofe, centrar a atenção na procura de bodes expiatórios? É. Pode sempre alegar-se a preocupação de que tal não se repita. Mas depois quem é que vai escolher alguém com essa postura para responsável de seja o que fôr?

 

O conceito de legítimidade já teve melhores dias. Hoje face à indiscriminada e incontível profusão de opinião (da qual este texto é exemplo), e o abusivo mas acima de tudo medíocre uso que é dado ao sentido das palavras, resta-nos o saber intrínseco a cada um de nós, o único capaz de nos transmitir algo mais próximo da verdade.

 


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semtelhas @ 12:22

Sab, 11/08/12

Acredito haverem quatro momentos na vida de quem os cumpre, que correspondem a tomadas de consciência transformadores daquilo que eram cada uma dessas pessoas.

 

Por experiência própria e assistindo de perto à modificação operada no meu filho, ao completar os 10 anos de vida, quando entram na escola grande acontece o primeiro desses momentos. Foi para mim e para a mãe muito dificíl abandonar aquele petiz aos "lobos", leia-se aos professores que tendo que lidar com mais vinte nas mesmas circunstâncias, não lhe poderão dispensar especial atenção, a centenas de outros adolescentes maioritáriamente mais velhos e com bastante apetência para o conflito e também, não raras vezes, a uma iniciática vida em sociedade sem a proteção dos pais, seja no transporte público, sozinhos na rua de e para a escola ou no sistemático contacto com pessoas desconhecidas. A descoberta, primeiro assustadora e depois aventureira, de que muito vai mudar na vida de uma criança dar-se-á aí. Sentindo-se sózinha num mundo onde acontecem muito mais coisas e a um ritmo bem diferente o esforço de adaptação é enorme.

 

Quando se completam 30 anos, pela primeira vez, os medos, as inseguranças, as expetativas, as ambições, o entusiasmo, deixam de se situar exclusivamente no que está para vir, dividindo-se agora com um passado onde na maior parte dos casos já foram dados passos irreversíveis. Se não no corpo quase sempre na mente. Despedimo-nos definitivamente da juventude e interioriza-se profundamente a convicção que se é adulto. Um homem ou uma mulher com responsabilidades perante os outros, o assumir de regras e limites para a vida do dia a dia e, quase sempre, para o sonho. Para muitos autêntico cair do céu aos trambolhões. Na maior parte dos casos coincide com o atingir de uma maturidade que conduzirá ao período mais profícuo em termos de rendimento a vários níveis. É nesta fase que se consolidam, ou não,  vidas familiares e carreiras profissionais. Digamos que independentemente das escolhas de cada um, e exagerando, a fase do tudo ou nada.

 

Cinquenta. Pessoalmente já lá vão mas ainda mantenho bem viva a sensação de, já ficou mais para trás do que há para a frente. Mas, nada de confusões, pode, e acredito que para muitos é, o inicío de uma existência muito mais tranquila assente básicamente em: se não fizeste, fizesses,

uma consciência do real que acinzentando um pouco o futuro, também previne desilusões; um dia a dia bastante menos truculento pela sensível diminuição de compromissos, que resulta em importantes e indispensáveis abaixamentos do stress mau; sobra de tempo para fazer o que se gosta, nomeadamente, quantas vezes pela primeira vez, não só olhar mas sobretudo ver e interpretar o que nos rodeia, apreciando o lado solar que em tudo existe e, penso que acima de tudo, permitirmo-nos uma atitude mais tolerante e solidária desde logo para com os que nos são mais próximos mas também para os outros, a riqueza maior que nos trás a constatação que a vida é tanto melhor quanto a consigámos viver em harmonia com o mundo, o que só será possível se o conseguirmos em primeiro lugar com nós próprios.

 

Finalmente, mas não menos importante, o dia em que se encara o futuro sabendo que o fim pode estar já ali ao virar da esquina. Sendo certo que pode acontecer a qualquer um, é lógico e faz sentido que este sentimento esteja mais presente numa pessoa que ronde os oitenta anos de vida. Sempre que reflito sobre isto lembro-me de um livro de Gabriel Garcia Marquez (Memória das Minhas Putas Tristes) onde o grande escritor diz que a partir de certa idade, ultrapassadas, a maior parte das vezes suportadas, todas as doenças e achaques, acordar e descobrir-se vivo constitui uma festa diária. Sentimento que cresce na razão inversamente proporcional com que se teme a morte. Como se a vida se torne uma dávida da qual cada vez estamos mais preparados para abrir mão numa tranquila aceitação da lei natural das coisas, o incontornável e necessário passar do testemunho.

 

Estará no menor ou maior cumprimento de cada um destes momentos, atingindo-se um ou, mais naturalmente,  os quatro, o preenchimento da plenitude daquilo que é o que conhecemos da nossa terrena viagem.


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semtelhas @ 12:09

Sex, 10/08/12

 

O Ultimo Dia Na Terra, o filme escrito e realizado pelo novaiorquino Abel Ferrara. 

 

Não há muito tempo, o dinamarquês Lars Von Trier, no seu filme Melancolia, dáva-nos uma leitura perfeita sob o ponto de vista estético, quase assética, do "fim do mundo". Acontecia devido à  colisão de um meteorito com a Terra, processo de que acompanhámos os dias finais juntamente com uma familia da alta sociedade de um país nórdico europeu, aquando da realização de um casamento e dias posteriores. Não obstante as circunstâncias levarem a que muito seja posto em causa, a verdade é que dentro daquela bolha de riqueza e bem estar tudo se passa muito corretamente, quase sem dor.

 

No filme deste agitado e assumidamente "negro" realizador, são sempre desta tonalidade os seus filmes, navegámos por águas bem diferentes: Nova York, o terraço de um velho edificío, na companhia de um exdrogado de meia idade e de uma adolescente artista, a todo o momento bombardeados por noticías que nos chegam via televisão, daquilo que serão as últimas horas do planeta.

 

A agressão sistemática sobre o meio ambiente acaba por destruir-nos a casa comum. De nada valeram décadas de reuniões entre os mais poderosos e poluentes países, os lancinantes apelos,  do mais notável politico ao mais anónimo agricultor, a ambição consumista acaba por falar mais alto, e reduzir a zero as diferenças em nome das quais todos vamos morrer: ricos e pobres, brancos e pretos, bonitos e feios, inteligentes e idiotas.

 

O realizador filma mostrando-nos os já, aqui e agora, muito latentes sintomas. Aquilo a que assistimos pelas ruas da cidade paradigma ao longo do que serão as últimas horas da humanidade, degradação, fuga à realidade, decadência fisíca e moral, indiferença mais ou menos generalizada, não é, estranhamente, muito diferente do que podemos observar nas "normais" circunstâncias atuais. Como que já possámos assistir a uma desistência comum, se não a todos, seguramente mais sensível entre aqueles que podem fazer a diferença. 

 

Depois são as tragédias individuais, os arrependimentos, as redenções, as juras de amor eterno ou a mesquinhez que teima em persistir mesmo num cenário de fim do mundo. Aqui de realçar a grande amplitude sensorial que nos é proporcionada pela magistral direção e pelo desempenho dos atores, nomeadamente Willem Dafoe (primeira surpreendente coincidência entre dois realizadores colocados nos antípodas), atirando-nos dos paraísos do amor ao inferno dos ódios num piscar de olhos. 

 

Muito curioso (premonitório?) é o facto de que dois homens tão radicalmente diferentes como são Lars Von Trier, o assético esteta, e Abel Ferrara, o indisciplinado humanista, por caminhos diametralmente opostos, convirgam na sua visão pós apocaliptíca. No Fim, talvez um sinal de onde reside a nossa única esperança.

 

 


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semtelhas @ 11:03

Qui, 09/08/12

Nunca como no livro, O Deserto, do nobel francês Le Clézio, compreendi o que pode significar a liberdade para um qualquer povo indígena.

 

O processo de expulsão massiva de populações das terras que ocuparam desde sempre, posterior eliminação recorrendo a gigantescos genocídios, subsequente apropriação das mesmas e completa adulteração do seu modo de vida, onde passam a desempenhar o papel de filhos de deuses menores, constitui o essencial da historia da humanidade.

 

Do desenvolvimento deste processo mais recentemente, e a este lado do mundo, os ecos que nos chegam com mais clareza, referem primeiro a América do Sul, pela mão sobretudo dos espanhóis e dos portugueses e, mais tarde na do norte nomeadamente pelos anglo saxónicos. No entanto omnipresente sempre esteve, está e provávelmente estará, o que a este respeito se passa por todo o continente africano.

 

Este livro centra as suas estórias e reflexões no Saara, e nas gentes dali originárias, num dos processos de radicais transformações politícas sociais e económicas a que aquela parte do mundo foi sujeita, à semelhança do que ocorre neste preciso momento, numa espécie de  "Primavera Árabe" ao contrário, talvez um outono a que se terão seguido as trevas do inverno até bem recentemente. Como e para quando o verão?

 

Bastante descritivo das pessoas e das paisagens, leva-nos por dentro da vivência de uma familia e muito em particular de um dos seus membros, não se poupando nos pormenores e mesmo a exaustivas descrições, como que para que possamos sentir a repetição de tudo que é o deserto, espécie de grande espelho que nos remete para nós próprios. Ontem como hoje os El Dorados, apelos da dita "civilização", fazem com que caiam na ratoeira dos trabalhos forçados e da indigência em nome de uma vida melhor, fugindo para o sul da Europa. Sugados até ao tutano, hoje, décadas depois, começamos a vislumbrar o fim do filme. A fatura está aí e eles vão querer cobrá-la. E se é verdade que o livro não fala disso, nem podia, também o é que a personagem central como que o adivinha, oferecendo uma saída.

 

Em paralelo também nos é dada uma visão mais alargada por via do movimento das populações tribais ao longo do deserto, em fuga das potências europeias à caça das riquezas locais. Também aqui, como sempre, a história se repete. Páginas e páginas sobre o sofrimento atroz de povos que tinham por objetivo único, viver segundo os seus ancestrais hábitos, agora vitimas da ambição dos mais poderosos. A questão do costume, ainda e sempre tão discutida, não haveriam outros meios para atingir esse hipotéticamente nobre fim de levar a civilização aos que delam precisam(?) ?. Fácil perguntar, dificíl responder. Atentemos no que se está a passar na Síria.

 

Até que ponto a luta pela sensação da liberdade, aqui tão bem personificada pelo silêncio e imensidão de estrelas do céu da noite do deserto, o explorar da infinitude do universo interior que somos todos e cada um de nós, compensa uma vida mais de acordo com os canones da chamada civilização, do conforto, da segurança, da diversidade oferecida por um mundo de "coisas" que fazem disparar os sentidos? Onde está e o que é essa essa noção de liberdade?

 

A resposta de Le Clézio neste dramático relato conduz-nos para uma espécie de fatalismo enquanto sociedade e, ao nível pessoal, do querer individual, naqueles que são os dos mais belos pedaços de literatura desta obra, dá-nos a esperança e a redenção pela constante e curativa renovação da vida, venha ela pela via do morrer ou do nascer.

 


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semtelhas @ 12:53

Qua, 08/08/12

Não sei se o atual monumental e transatlântico trambolhão, vai mudar a receita que tão tristemente sensíveis resultados tem dado por cá. Mas toda a gente começa a suspeitar que não. Bastará atentarmos na facilidade e eloquência com que quem pode e manda, cada vez tem mais liberdade para usar a sua lei, a do mais forte, seja nas empresas seja nas ruas.

 

É muito comum por esta altura do ano, quando as pessoas após férias voltam ao trabalho, descobrir que afinal já não o têm. Esse efeito pode ter origem nas mais variadas causas como é óbvio. Há no entanto uma que supera largamente todas as outras, a interação entre o dono, os chefes e os empregados em geral.

 

Num país com noventa e muitos por cento de pequenas e médias empresas, normalmente de raíz familiar, e excluindo as do estado ou as multicionais, ambas "nascidas para mamar", desculpem o meu francês, esta relação não é de somenos importância.

 

Para o bem e para o mal, já experimentei as três posições no organigrama referido, sei do que estou a falar. Acredito que a posição chave é mesmo a do chefe. Desde logo por permitir que o utilizem como uma espécie de capataz à moda antiga, a quem é entregue a responsabilidade de manter as tropas serenas e a produzir o máximo, o que seria perfeitamente normal se, para isso, não recorre-se a todo o tipo de pressões e falta de respeito pela individualiade de cada um. Questões como humanidade, inteligência, civismo, cidadania, etc., são sistemáticamente subjugadas por aquelas que, aparentemente, mais defendem os interesses do patrão, muito, depressa e bem. À medida que o nível cultural das pessoas vai subindo torna-se mais dificíl impôr esta lógica. Enquanto quem arrisca o seu não perceber que o futuro está em ver os colaboradores como aliados e não como inimigos, o sucesso será a prazo. Felizmente cada vez há mais casos que contrariando esta lógica vencem e resistem às crises. Infelizmento ainda são poucos, especialmente por cá.

 

Quando após anos de um "fartar vilanagem", a vaca completamente espremida, e perante o espetro do fim, o que é que sobra? Para além da pura e simples decadência até à morte, das duas uma: ou recorrer aos descendentes ou contratar alguém que domine a arte da morte assistida.

 

Acontece que quanto ao que aos rebentos diz respeito, na esmagadora maioria dos casos, cresceram num ambiente de feroz novo riquismo do qual a única coisa que herdaram além do dinheiro que os pioneiros papás foram sacando, é uma enorme capacidade para fazerem que fazem, atividade que os deixa terrívelmente ocupados e fatigadissímos. Claro que existem piores. Aqueles que tendo comprado sempre tudo feito, julgam-se o centro do mundo à volta de quem deve girar toda aquela cambada, que não tem outra obrigação que não seja providenciar o bem estar dos "meninos". É por isso muito raro os desconsolados, e outrora heróis papás/patrões, quando espantados descobrem ter criado "monstros", optarem por esta solução, evitando assim desgraças maiores.

 

É quando contratam o "coveiro". Especialista em enterrar empresas de forma a que o dono tenha o menos prejuízo possível, senão mesmo lucrando com isso. Principescamente pagos, ainda levam percentagem se no fim a coisa correr a preceito. Merecem-no. Aquilo é uma ciência. E não se pense que é como naquele filme com o Clooney, em que o homem chega e chama os empregados um a um para combinar uma indemnização. Nada disso. Aqui a coisa é feita com requintes de malvadez. O inteligente chega, secção a secção começa a minar a confiança de todos em todos, desfaz paciente e paulatinamente tudo o que de bom existe em nome de inevitáveis poupanças, recruta de entre as tropas os mais medrosos para espalhar confusão e veneno, toma conta da área da informática a partir da qual vai distribuindo o terror feito relatórios, ordens de serviço, e suposta deteção de incumprimentos, etc.. Em alguns casos inclusivamente dota todas as instalações de eficientes sistemas de vigilância por vídeo, um Big Brother sufocante, para o qual, à semelhança da viatura de alta cilindrada que a empresa colocou à sua disposição, nunca falta dinheiro. E acima de tudo, atrasando cirúrgicamente o pagamento dos salários, invocando dificuldades que a entrega de encomendas desmente e, suprema ironia, "tirando" dos funcionários tudo o que estes têm para dar, em nome de um esforço coletivo. Então sim, chegou a hora de falar em indemnizações. Só que neste caso não é ele que os chama, são eles que fazem fila à porta do elegante e temido gabinete do espécime. Aparte os que com medo do enfrentar, pura e simplesmente desaparecem, os outros estão tão cansados das ameaças, da perseguição, do medo, que aceitam qualquer coisa.

 

Claro que também é possível fazer tudo isto sem ter que recorrer a especialistas, mas, para isso, é preciso ter realmente o supertalento de com a mesma arte e empenho desfazer o que se tinha feito. Ou não custou muito a construir, terá pesado nos ombros e na vida de outros, ou de gente muito frívola estamos a falar. Em qualquer dos casos, geniais cometimentos.

 

É pela cultura da participação, no bom e no mau, pelo respeito, pela procura da excelência, no trabalho mas também na vida de cada um, que se pode alcançar algo de bom, de positivo, não é fomentando o medo.

 


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cores da lua @ 23:07

Ter, 07/08/12

Aniversários. Há os que adoramos, há os que detestamos, os que nem por isso, os que tanto faz, os que assim assim, os que nos deixam ansiosos, os que nem nos lembramos ou lembramos que é melhor esquecer, os memoráveis e felizes, os tristes e deprimidos, os que se aumentam porque dá jeito, os que se diminuem porque ainda dá mais jeito, os que já foram, os que são, os que hão-de ser.

A todos eles, a linha do tempo é indiferente: avança, sem nada perguntar, mas sempre à espera de repostas.

Enquanto as procuramos - SABOREIE-SE!

 

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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