semtelhas @ 12:30

Qua, 13/06/12

Telenovelas, reality shows e talk shows. O que está a dar. Atores, concorrentes e apresentadores são as respetivas almas do negócio. Um bom ator vende o pior dos argumentos. Um bom concorrente, o polémico, independentemente das razões, cativa multidões. Um bom apresentador torna interessante o mais insosso dos convidados.

 

Atualmente o talk show Cinco Para A Meia Noite tem de tudo. Filomena Cautela e Fernando Alvim deixaram saudades.

 

Para começar a semana o Boinas, simpático, empenhado, numa palavra, esforçado, não consegue disfarçar que lhe falta o melhor, talento. O programa pretende-se radical, o Luís Filipe Borges é demasiado "normal" para o efeito.

 

As terças foram entregues a um habilidoso. Sabe-se lá porquê. Um mistério até porque não seria dificíl arranjar melhor que aquilo. Paradigma do chico-esperto não lhe falta nada: arrogância, má educação, auto-convencimento balofo, tudo derivado de uma insegurança latente e deprimente. Passa a responsabilidade do programa para os convidados, escolhidos a dedo para o efeito, esquecendo-se ou ignorando que é ele quem os deverá fazer brilhar. Resulta confrangedor ver Mário Soares ou António Costa, que tanto poderiam contar, a desajeitadamente tentarem salvar o infeliz apresentador em pânico. José Pedro Gomes deve receber metade do cachet, ou então é um homem bom. Lá se vai vingando insultando do piorio José Pedro Vasconcelos quando este, rasteiro, tenta minimizar o papel daquele no programa.

 

A meio da semana, estratégicamente colocado, tipo bóia para manter o programa à tona, a primeira hora dos "cinco" que vale a pena ver. Nuno Markl tem graça, um certo estilo na piada, entre o irónico e o instintivo, uma certa acutilância de raciocínio que cativa. Usa aquela imagem de (falsa) auto-fragilidade de quem se ri muito de si próprio que resulta imediatamente na simpatia via ternura e sentimento de proteção, muito vulgar num determinado momento da nossa jovem democracia, que vestia camisas aos quadrados e comia em restaurantes caros. Neste desdobrar de personalidades tão distintas acaba por se tornar abrangente, consensual.

 

Às quintas o programa volta a dar um trambolhão. Não é que o seu responsável não seja um bom profissional, com alguma qualidade e preocupado em fazer bem feito, mas... faz-me lembrar aqueles filmes muito certinhos, bom argumento, bons atores, boa direção, mas falta ali qualquer coisa. Sempre que vejo Pedro Fernandes fico com a sensação que há ali algo por resolver. Uma espécie de hiato que se sente no programa e do qual nunca se descola.

 

Para o fim, o melhor. Ponte para um fim de semana sem Cinco Para..., Nilton cumpre com brilhantismo o objetivo. Possuídor de talento intrinseco, com ele as coisas vão fluindo com naturalidade. Inteligente como é, soube fazer-se acompanhar de um músico, sempre presente, que para além de o ser, serve também de ligação com os convidados, com as diferentes novidades que vão animando o programa tornando-o mais fluido, sem vazios. Tira o melhor dos convidados, frontal, intelectualmente honesto e sem cedências, faz-se protagonista em cromos desarmantes, e durante os quais mostra as sua grandes qualidades de ator, e ainda tem tempo de meter-se com o público, levando-o a participar através de jogos simples e com piada.

 

Imagino que deve ser dificil cumprir o muito bom título do programa, especialmente nestes período de ditadura do Euro2012, ou se calhar não, ajudava a disfarçar o enjoo. Se para além de serem cinco os apresentadores, passa-se aos cinco minutos para a meia-noite, criando essa rotina, seguramente que o "cinco" iria fidelizar muito mais pessoas. Com mais ou menos qualidade acaba sempre por ser uma lufada de ar fresco, bem necessária nos tempos que correm, para dispersar nevoeiros de interrogações e poeiras lançadas ao ar.


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semtelhas @ 16:17

Ter, 12/06/12

O jardim pronto, mais de três horas de trabalho duro, que resulta num contentor, daqueles da rua, cheio, umas quantas mazelas nas mãos, nada que o Betadine, como de costume, não cure, e os recompensadores cinco minutos a olhar a obra. Valeu! está impecável, esta chuva que tem caído pô-lo viçoso, compacto. Agora é desfrutar para, daqui a um mês, voltar à carga.

 

 

Banho tomado, dói-me tudo. Normal, amanhã, seis km na praia e fica tudo nos trinques.

 

Já na cozinha, enquanto, o micro ondas faz o seu trabalho, pôr a mesa e ligar o rádio. Está a passar Beethoven, sinfónica de Lisboa com Pedro Burmester, fixe!

 

Almoço. Posta de salmão grelhada, três batatas, um oitavo de uma couve branca, e uma cenoura, tudo cozido e regado com azeite suave. Um branco mediano, fresco. Uma laranja, ou melhor, o sumo de uma laranja, tirado dos gomos. Dois em dois. Uma pequena porção de pão seco, em bocadinhos, com doce de abóbora, caseiro.

 

Tudo arrumado. Chega a hora do computador. Comunicar. Interromper(?) a solidão. Escrever estas linhas. Outra divisão, outro rádio, outra música. Grieg, concerto para piano. Magnifíco. Seguir-se-á João Paulo Borges Coelho, O Olho de Hertzog, as andanças dos alemães na guerra contra os portugueses e os ingleses, em África, durante a primeira grande guerra. Temos uma história fantástica e escritores fabulosos para a contar.

 

Não sei até que ponto uma vivência dura, durante a infância e a adolescência, no sentido do ambiente familiar ser pouco harmonioso, a educação rigída, cheia de regras e muita austeridade, mais rica em castigos e escassa em reconhecimento, e se, apesar de tudo, se consegue escapar minimamente equilibrado dessa espécie de vida militar na qual a autoridade é exercida em nome dos bons princípios mas, também, fruto de alguma prepotência de quem dirige o quartel, não tem algo de positivo. Por um lado as expectativas ficam baixas, aprende-se a encontrar valor nas coisas mais simples, por outro talvez se mate a ambição.

 

 Ainda assim, quando hoje vejo os exageros no sentido inverso, uma vida de facilidades, um mundo de permissividades, para depois, como atualmente se constata, perante as dificuldades da vida real, o que sobra é muita frustração e violência resultante do vazio provocado pela estado de insatisfação permanente, fico na dúvida. Sendo tão óbvio que a virtude estará algures no meio, quanto o é o ser dificíl consegui-lo, qual será o mal menor?


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semtelhas @ 12:20

Seg, 11/06/12

 

Recordo com alguma nostalgia um programa radiofónico em que eram protagonistas Carlos Magno, no Porto, e Carlos Amaral Dias, em Lisboa. Chamava-se Freud e Maquiavel,  ou seja, Amaral Dias e Carlos Magno. Discorriam sobre tudo e mais alguma coisa segundo a perspetiva mais prática, mundana, do jornalista, como a que teria/tinha Maquiavel/Magno, confrontada com a do foro psicológico do psiquiatra Freud/Amaral Dias. Digamos que um trazia os temas mais apetecíveis e, o outro dissecava-os. Muitas vezes, num interessante exercicío, trocavam de posições. Ontem tive a oportunidade de conhecer o cofundador de uma associação de psicanalistas com Amaral Dias, Antonio Coimbra de Matos.

 

Distintinguido por uma organização dos EUA, pelo contributo dado na sua área de intervenção,ouvindo-o percebi porquê.

 

Começando desde logo por explicar claramente quanto Freud está ultrapassado: toda a teoria por si construída se baseava no estudo do indivíduo quando, desde há muito, se sabe que todo o relacionamento humano só faz sentido na sua interação com os outros. Segundo aquilo que hoje se sabe, mais importante que a auto-análise é o conhecimento do outro. O erro de Freud terá sido, porque queria criar uma doutrina, eternizando-a em documentos minimizou a dinâmica de mudança que esta matéria envolve. Conhecermo-nos a nós próprios é importante, como inicío, base para avançarmos para o conhecimento do outro. E, daí, partir para um bom relacionamento.

 

Outra área em que este psicanalista de destaca é na pedopsiquiatria. Também neste caso deixou uma mensagem muito clara: se amar uma criança é essencial para que cresça mentalmente saudável, não é suficiente. Ao amor deve juntar-se o reconhecimento e a valorização. Deu um exemplo, quando uma criança pede qualquer coisa, deve ser-lhe explicado que a mesma lhe será dada dentro de determinadas condições, e num certo período de tempo. Só assim, a uma demonstração de amor, se poderá obter/dar/ensinar os mecanismos do reconhecimento e da valorização, essenciais para a formação de uma personalidade, mais que resistente, resiliente, capaz de aceitar mas, também, alterar o meio ambiente que a rodeia, numa positiva interação social.

 

Contudo a ideia fundamental parece-me ser o centrar de todo o poder nas pessoas. Admirador de Nietzsche, leu "Assim Falou Zaratrusta" com quinze anos, a ideia da morte de Deus acompanhou-o desde muito cedo, levando-o a concentrar todo o seu interesse nelas. Tal como aquele filósofo, cujo pensamento tantas vezes foi, e é, adulterado, acredita, acima de tudo no poder da vontade.


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cores da lua @ 20:17

Dom, 10/06/12


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semtelhas @ 12:56

Dom, 10/06/12

O palco estava pronto. Violinos, violoncelos, saxofones, flautas, tubas, trombones, clarinetes, piano, harpa, bombos, pandeiretas, etc.. Tudo distribuído por dezenas de músicos liderados por um maestro com um penteado esquisito. Também entraram o baterista, as guitarras solo e baixo e ainda dois, vocalistas, dois, um mais vocacionado para cantar outro para falanimar. Lá em cima quatro a fazer de côro a cantar e, lá em baixo, milhares para escutar. Também aqueles que não vemos ou ouvimos e que nos permitem ver e ouvir.

 

Então começaram e foram por ali fora. Melodias simples e bonitas, enfeitadas de palavras com sentido, a ganharem corpo e beleza suportadas pelos rapazes da banda e alimentadas pela orquestra, metendo-se dentro de nós e muito para além daquele palco. Violinos entrelaçados nas guitarras, os sopros a desafiar a bateria, as flautas e os clarinetes a cantar com os vocalistas, tudo misturado em alegria crescente, dentro de cada tema, e de tema para tema. Ás tantas juntam-se mais umas dezenas aos quatro que formavam o côro e começámos a adivinhar dentro de nós o nascimento da euforia dos grandes momentos. Os músicos todos, o maestro, os vocalistas, o côro, o público, um só, a dançar, a cantar, a bater palmas ou de braços no ar celebram a alegria da união. Até que entraram uns senhores, caras fechadas e aspeto austero, onde descobríamos o homem comum, o nosso familiar, amigo ou conhecido, com uns enormes bombos pendurados ao pescoço nos quais batiam furiosamente, também eles no ritmo, também eles fluidos. Percebemos que, ali, estávamos todos.

 

 

Chegou o momento de tocar o último tema, O Amor É Mágico. E foi. Enquanto caíam do céu milhares de luzinhas a brilhar deu-se o milagre da comunhão total. À  medida que íam morrendo, num último sopro, os acordes, despertava-se para a urgência do coroar do momento de eleição, e as pessoas, expontânea e efusivamente, desataram a abraçar-se umas ás outras, o trompetista com o senhor do bombo, a violinista com o baterista, os do côro entre si, o maestro e os vocalistas, esses,  já há muito se agarravam. Suspeito, tenho a certeza, que entre o público acontecia o mesmo.

 

A banda eram os Expensive Soul, de Leça da Palmeira, o maestro, Rui Massena, de Gaia, que dirigiu músicos maioritáriamente portugueses, alguns estrangeiros e, também o côro. O acontecimento foi em Guimarães, mas podia ter sido noutro sítio qualquer. Enquanto durou foi o topo do mundo. Espero e desejo que seja divulgado por todo o lado. Quem o vir reconciliar-se-á um pouco com a vida. Simplesmente maravilhoso.

 

 


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cores da lua @ 11:09

Dom, 10/06/12

 

© Joshua Bell

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semtelhas @ 12:02

Sab, 09/06/12

É, infelizmente, um dos mais comuns sentimentos na nossa sociedade, transversal.

 

A génese está na mediocridade e no medo da sua exposição. Nada melhor para disfarçar a nossa incapacidade como o dizer mal dos outros, criando confusão, escondendo-a atrás do levantar de núvens de pó.

 

A excelência, ou a qualidade superior, ou o simples facto de estar acima da média num determinado desempenho, para além do muito menos habitual talento natural, depende de muito trabalho. Capacidade de sacrificío será, talvez, a característica principal, ou indispensável, a quem tem essa força superior de insistir incansávelmente na procura do sucesso. E essa não é, todos os admitimos, uma das qualidades dos portugueses. Temos outras.

 

Dessas também não faz parte a organização. No sentido do método a utilizar. Ser capaz de estabelecer um plano rigoroso, à partida, devidamente ponderado, em todas as suas probabilidades, não será, apesar de tudo, a nossa principal dificuldade. A prová-lo temos, por exemplo, a facto de sermos um dos países que mais, e melhores leis tem. O verdadeiro problema está, primeiro em implementá-las e, depois, pior ainda, vigiar o seu cumprimento e fazer as respectivas correções. Exige perseverança, auto-confiança na aplicação de eventuais correções e coragem na de sansões. E nós não queremos estar de mal com ninguém. É mais fácil a penumbra e o morninho de também não estar completamente bem com seja quem fôr.

 

Curiosamente, ou não, este é um cenário só possível quando jogámos em casa. Afinal estámos entre os nossos, não podemos, como se diz, dar parte de fracos. Lá fora, longe, a familia, os amigos ou os colegas não veêm, tudo bem, dá-mos o litro. E, imagine-se! quando devidamente orientados, ou se pelo nosso valor, nos dão a oportunidade de liderar, e longe da mesquinho medo "do que possam pensar", somos dos melhores, tantas vezes os melhores. Triste fado.

 

Ouvir mediocres ou, vá lá, medianos, como Manuel José, ou vaidosos e ressabiados como Carlos Queiroz, já para não falar nessa horda de comentadores que engordam o rebanho da nacional maldicência, muito provávelmente na doentia esperança de poderem vir a gritar, veêm como tinha razão!, e assim manter audiências e a coluna lá no pasquim, é triste. Não tanto pela tal atração pela derrota por eles anunciada, afinal todos temos que ganhar o pão! cada um ganha-o à sua maneira. Mas pela desgraçada figura que vão fazer se a seleção se sair bem desta empreitada. Aí brilharia o outro lado da sua bafienta personalidade, a hipocrisia. Era bem feito! 


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semtelhas @ 14:26

Sex, 08/06/12

Num país de morenas e velhos, olhar à volta e ter dificuldade em encontrar cabelos escuros ou brancos, não deixa de ser um mistério.

 

© Blonde Parede

 

A necessidade de mulheres ainda jovens, cada vez mais, alterarem a côr do seu cabelo para louro ou ruivo, quando as brancas ainda não espreitavam, é algo que tenho dificuldade em perceber. Talvez e oxalá me engane, mas , mais uma vez, parece-me que se trata de tentar mudar uma pele na qual não se está bem. Só isso já seria triste em pessoas tão novas, mas pior, muito pior, é a maneira como tentam fazê-lo, exteriormente. É mais fácil, mais rápido, provávelmente mais barato, os euromilhões dos nossos dias, simplesmente, tal como este último, é muito raro resultarem.

 

Toda a resposta para a mudança está dentro de cada um de nós e nunca no que lhe é exterior. Por muitos trapos, cosméticos ou livros de consumo rápido, para os quais as respetivas industrias e marketing associado nos empurram, que compremos, nada vai mudar por muito tempo, e quando muda é para pior, quando nos descobrimos mais frustrados e mais pobres.

 

Já encontrar cabelos brancos se está a tornar um achado. É só louras, ruivas e senhores com estranhas cabeleiras pretas. Como quem está na esperança de uma eternidade qualquer, ou então num disfarçado, e a todo o tempo, assobiar para o lado. Por trás liceu, pela frente museu. Cá está uma frase que cada vez é mais confirmável por todo o lado. Não assumir as realidades, numa espécie de mais ou menos inquietante fuga para a frente, não pode ajudar coisa alguma. Mais uma vez a adaptação tem que ser feita interiormente, no caso dos mais velhos ainda mais importante. Está em causa manter a atentividade, os reflexos, a capacidade de concentração. Idealmente operem-se ambas as mudanças, interna e exteriormente, mas, para que por fora valha a pena é por dentro que se deve começar.

 

Moralismos à parte, quarenta anos depois da liberdade seriam no minimo idiotas, parece-me que estas duas realidades podem, em muitos casos, cruzar-se. A pessoa jovem que não se habituou a procurar a mudança dentro dela, vai ser aquela ou aquele velho para quem a morte há-de ser sempre um terror e não a última consequência de se estar vivo. O faz de conta, a ficção, a arte têm aqui um papel muito importante a desempenhar. Costuma dizer-se que mais vale um mau livro, filme ou música que coisa nenhuma, e é verdade. Mas desde que, no fundo, haja essa obstinada e insaciável procura do autêntico, da verdade. Caso contrário é um embuste, espécie de deserto do qual nunca se sai, iludidos pela visão do oásis da facilidade.


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semtelhas @ 12:43

Sex, 08/06/12

É no que acaba por se tornar o filme Cosmopolis, último de David Cronenberg.

 

O que não deixa de ser surpreendente num realizador cujos filmes costumam ser tudo menos vulgares. Ou estão muito à frente, visionários, entre os quais eXistenZ ou A Mosca sobressaem, ou recriam adaptando ao nosso tempo, dando a conhecer a novas gerações, realidades que quando foram escritas eram inovadoras, M. Butterfly, Crash ou Métodos Perigosos são disso exemplo.

 

Se houve alguma novidade relativamente a Cosmopolis foi quando Dondelillo escreveu este romance há uma década atrás. Hoje ler qualquer jornal na diagonal nos proporciona estórias mais pungentes do que as relatadas naquele livro. Acontece que Cronenberg fica prisioneiro do relato do romancista não lhe acrescentando coisa alguma. Nem os bons momentos como a frase do barbeiro, é incrivel como o cabelo de rato pode ser tão humano, enquanto fazia um corte ao protagonista, nem os habituais truques utilizados por este realizador, nomeadamente aqueles ambientes surrealistas, ou os momentos de grande tensão(?), resultam neste filme, chegam mesmo a roçar o ridiculo. Sabemos que a realidade sempre ultrapassa a fição, mas normalmente tal só acontece uns anos depois. Quando o que vemos num filme pode passar, numa versão mais realista, horas depois no jornal televisivo... As loucuras dos mercados financeiros, as obsessões pela estética dos equilibrios perfeitos, a mania das doenças, ambos luxos só ao alcance dos poderosos, o vicío do sexo, o horror ao falhanço, a desesperada procura das origens e as sensações de tangibilidade que proporcionam, a violência questionada perante a paisagem de criaturas semelhantes, os engarrafamentos colossais e a analogia entre as  ratazanas e os donos do mundo  estão na ordem do dia. Nada de novo.

 

Os atores são o melhor que levámos daquelas duas horas. Aquela era Juliette Binoche? Paul Giamatti no habitual papel de desiquilibrado, e o protagonista são a alma do filme. Quanto a este último já o tinha visto em Bel Ami e, aqui, mantém o registo. Se naquele filme a amargura lhe vinha da pobreza extrema, aqui provém do excesso de riqueza. Os esgares de sofrimento nos piores momentos ou as máscaras de volúpia nos melhores são os mesmos. Aquela assimetria no rosto (também na próstata?) ajuda muito.

 

A juntar à sensação de normalidade que emana da visão desta fita, que acredito atinge todos aqueles que estão minimamente informados do que se está a passar no mundo, haverá uma outra, de dificuldade em entender o que se pretende transmitir, esta mais comum a todos os restantes, mais distraídos ou desinteressados, para os quais a linguagem de Cronenberg nunca foi fácil. Quem sobra?

 


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semtelhas @ 12:35

Qua, 06/06/12

À tona da rotina, a boiar descontraídamente de carro e ouvindo música clássica, descubro nesta duas naturezas distintas entre si e, no entanto, inseparáveis e complementares, enquanto um todo.

 

Se há compositores que, pela paixão e força que põe nas suas obras, nos convocam por completo, quase provocando uma momentânea cegueira para tudo o resto tal é a disponibilidade e atenção exigidas, entre os quais destacaria como exemplos, Wagner, Tchaikovski ou Ravel, outros há que, anúnciam-se mas depois, como que nos hipnotizam, e, já não conscientemente presentes, vão deixando espaço à vida para que desempenhe o seu papel, mas influênciando-a decisivamente na forma como a olhámos, funcionando como facilitador, preciosa ajuda para melhor  descodificarmos o que vai passando à nossa volta. Obras como os noturnos de Chopin, as sonatas de Beethoven,  alguns concertos e sobretudo, os divertimentos, de Mozart, são disso bons exemplos.

 

Este último parece-me ser o que melhor desempenha essa magistral capacidade de trazer alguma luz quando algo ameaça ensombrar a alma.  Trata-se de um dos mais talentosos e também mais profícuos compositores. Óperas, quarenta e uma sinfonias e muitos concertos. Mas, é

ouvindo os denominados "Divertimentos", que melhor sinto a apaziguadora brisa que da música deste génio emana, pacificadora e abrindo caminho a paisagens interiores plenas de harmoniosa clarividência.

 

Mozart - Divertimento K-136. Allegro

 

 


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semtelhas @ 12:15

Ter, 05/06/12

Normalmente por vaidade incontida, mas também por puro e simples desprezo, maldade, ou impregnado sobranceirismo, tantas vezes fruto de gerações de intocáveis, sempre no alto das suas torres de marfim, longe da suja e vulgar populaça, completamente imunes a qualquer contágio por um qualquer resquicío de humanidade, mas também provenientes de novos-ricos, ascenções meteóricas só explicáveis pelo uso de métodos desonestos, salvo rarissímas e honrosas exceções, recorrentemente surge um destes espécimes a mostrar os dentes. Dado já não ser novo, portador, por isso, de alguma experiência, prova disso as mãos e os dedos, testemunhas da alma, que já não se embrulham enquanto escrevo estas linhas, permito-me algumas reflexões sobre o fenómeno.

 

Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, estes não são os mais perigosos, nem sequer os principais fautores destas crises, que afinal não são mais do que o agudizar de uma triste e histórica normalidade: as enormes diferenças de nível de vida que caracterizam a sociedade humana. Estes incontinentes, são os mais fracos deles, os verdadeiramente diabólicos nunca os vemos, sequer conhecemos. Vivem em castelos inacessíveis e deslocam-se em fortalezas motorizadas.

 

Os exemplares em apreciação só não fazem parte dessa macabra elite porque, em algum momento, acabam por sucumbir às fraquezas humanas  habituais entre os mais favorecidos, em especial a luxúria. Portadores de um certo pedigree, quase sempre ostentado através de vistosos e ainda mais dispendiosos embrulhos que os protege, mansões e viaturas, ou cobre, trapinhos  usados ou por fêmeas de olhar lânguido, muitas vezes gula filha do tédio, que, no seu deslizar, vão deixando um rasto de indiferença e mesmo, porque não dizê-lo? de superioridade que despreza fraquezas. Normalmente bem tratadas e melhor alimentadas, bem cientes e seguras do seu poder, brilham a alto nível nos escaparates que escolhem para se exibir, criando rios de baba e intermináveis coscuvilhices. Ou então por vistosos e, tantas vezes, vigorosos machos, plenos de energia, ambição e otimismo. O contrário é que seria para admirar. Ainda assim, mais elas, também têm os seus problemas existênciais! É um corropio às terapias. O que seria de alguns desses "profissionais", nos sofás de quem se deitam, sem esta fauna! Quando não estão, com todo o seu empenho, na liderança de bancos, seguradoras, grandes empresas, à frente de ministérios ou países, a tentarem descobrir a melhor maneira de manter e expandir o seu poder, custe o que custar, legítimo esforço a pensar no futuro dos seus descendentes. Isto, no fim, é cada um por si, pensam. Também eles, ainda que naturalmente menos enfeitados (?), que as suas escorregadias parelhas, vão aparecendo com as suas alvas e completas dentaduras, sempre prontas a exibir-se, magnificas e a transbordar de auto-confiança, que iluminam sonoras gargalhadas. Raça de puros sangue, autênticos. Seja nas glamorosas e variadissímas receções aos mais altos dignatários, seja nas cerimónias de fecho de contratos multimilionários que, desta vez é que é, vão trazer enormes beneficíos às populações, nos agradabilissímos ainda que extremamente fatigantes, torneios de golfe ou ainda nas festas privadas a que temos acesso ( imagine-se as outras!), também têm direito!, onde já desfilam não menos brilhantes e promissores rebentos e, perante as quais, desfile de eminências, assustados e a tremer de vergonha e insegurança, nos curvámos abrindo as nossas malcheirosas, felizmente longe, bocarras, e nos estarrecemos de admiração e inveja.

 

Quando uma destas inteligências, que ganhando vinte mil euros ou mais por mês, que foi quadro do banco que mais roubou, e rouba, por todo o mundo, que, imagine-se!, foi corrido do FMI, tal é a voracidade do ilustre, diz que a saída para a crise está em baixar salários, tornando ainda mais dificíl a vida de quem já quase só sobrevive, que cada vez tem menos para sustentar os filhos ou minimizar o sofrimento dos seus velhos e, por outro lado, apesar da incansável luta de alguns, os melhores de entre nós, em tentarem minimizar os maleficíos desta desgraçada situação,  porque de uma questão de natureza (humana) se trata e, essa, ninguém consegue mudar, pouco se altera, só encontro uma saída, não cair na armadilha que, ao som de cantos de sereia, nos oferecem como única alternativa, continuar a comprar-lhes o que nos vendem para que a farra, o encher os bolsos deles, se eternize.

 

Pôr um fim a este consumo diabólico, a este frenesim que não leva a lugar algum, que não seja um sentimento de insatisfação permanente. De frustração em frustração até à rendição final. Mudemos os paradigmas. Defendendo mais os valores do SER e menos do TER, numa luta tranquila, silenciosa mas pertinaz, obstinada, a cada um a sua parte, o todo surgirá. Somos pequenos, mas, também, MUITOS!  


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semtelhas @ 12:47

Seg, 04/06/12

A morte é certa. Foi para contrariar esta certeza e tornar a existência humana mais do que simples sobrevivência, angústiante espera pelo fim, que as religiões surgiram. Deus como figura etérea, omnipresente, o profeta, seu representante entre os homens, e os apóstolos, quem espalha a mensagem. Estrutura mais ou menos comum às mais importantes.

 

E se não houver vida para além da morte? Ou se não conseguirmos ou não quisérmos acreditar? Como suportar a existência? Vivendo a Arte. Quem o diz é Alain de Botton. Pelo que entendi aquela cumprirá o papel de deus, os artistas de profetas, e ele, e outros como ele, o de apóstolos. E assim se suportará melhor uma existência a termo.

 

Discordo da essência da questão, a admissão de um fim, de algo que desconhecemos em absoluto, sequer como começa, prefiro a dúvida, a abertura a um sem fim de possibilidades. Dir-se-á que esta acaba por ser uma visão religiosa. Não sei. Como poderia saber? Na verdade ninguém pode ter certezas sobre seja o que fôr. Seguindo este espiríto encontro muito de válido nas ideias deste homem.

 

Desde logo a maneira como defende o papel da religiões ao longo da história da humanidade. Se chegarmos a uma qualquer universidade e fizérmos perguntas tão óbvias como, qual a melhor maneira de superar o infortúnio?, ou como devo lidar com as minhas expectativas?, ou outras do género, o minímo que nos pode acontecer é sermos olhados com apreensão. Hoje mais que nunca as universidades preparam as pessoas para certezas e, por isso, as religiões continuam a ter, como sempre, um papel importante no colmatar das dúvidas.

 

O mito da normalidade, poderia chamar-se ao fenómeno que ele diz ser responsável por muita da insegurança e medos que flagelam a sociedade. Segundo o filósofo há um sem número de estéreotipos que são impostos ao comum dos mortais como uma inevitabilidade, gerando dessa forma uma espécie de horror ao falhanço que é alimentado pela sociedade, em nome da competição. A arte, pelo contrário, é muito mais compreensiva com o falhanço, transformando-a, tantas vezes, em processo de aprendizagem para futuros sucessos. 

 

As respostas para as nossas dúvidas e angústias estão aí, por todo o lado, e não é nas universidades. É na arte, nas mais variadas formas em que se apresenta. Aquilo que os artistas fazem é dar-nos saídas para os nossos problemas. Ler os grandes romances, por exemplo, pode ser uma das maiores ajudas que podemos ter na condução das nossas vidas. O importante é criar processos para que estas mensagens sejam realmente assimiladas e, para isso, deverão ser valorizadas pela enorme importância que contêm em si mesmas. Pela forma como nos reconciliam com nós próprios, ao apercebermo-nos que somos só mais um, igual a tantos outros. Nem bons nem maus, normais.

 

Sem pôr em causa o brilhantismo destes cérebros, bem pelo contrário, e este em particular, basta analisar o seu percurso, ao ouvi-los, fico sempre com a sensação de sentir, não frustração, mas um sopro de nostalgia ao expôrem as suas ideias. Fica-me a impressão de que à falta do talento para profetas aceitam, com empenho, mas também indisfarçável tristeza, o papel de apóstolos. Perdidos no labirinto que criaram ao expôrem-se aos perigos da fama e suas consequências?


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semtelhas @ 13:50

Dom, 03/06/12

 

 

 

Agora é McDonalds, sinal dos tempos. Ainda assim dos mais bonitos que já vi. Vem de trás.

 

Os sábados eram sagrados. Normalmente juntávamo-nos na casa da minha avó materna, onde era costume jantármos. Depois lá íamos. Eu, menino, e o meu pai na Lambretta, o meu tio Zeca, único irmão homem da minha mãe, duplamente acelarado pelo pós refeição, comandava na sua nervosa Vespa azul.

 

Destino, café Imperial, ali na praça da Liberdade. O café e o bagaço já eram tomados no salão de bilhar, numas mesas contíguas ao campo de batalha. Entretanto, a mim, cabia-me a tarefa de ir preparando as armas e ferramentas. O empregado, diligente, como era costume já tinha posto o contador a andar. Bolas nos respetivos lugares, triângulo arrumado, giz devidamente inspecionado. Os tacos, escolha para sábios, era da responsabilidade deles.

 

Começava o espetáculo. Anda pequenina, bateu nas mamas, podes sentar-te enquanto acabo isto, lá estás tu a esconder a branca, ou a preta, só estou aquecer, a p. não entrou!, etc., etc,. eram apenas alguns dos mimos que eram trocados, semana após semana, sempre iguais, e de onde sobrava sobretudo amizade fraterna, descanso de guerreiros, e, vejo-o hoje, uma saudável e saudosa ingenuidade. Enquanto isso eu ía deambulando por ali, dando os meus bitaites, espreitando outros duelos, sempre na expetativa do intervalo, cerveja para eles, sumol para mim.

 

Lembro-me de um sábado especial. Desde o início que me apercebi de um nervosismo no ar, não percebia era porquê. Nem da razão de um numero anormal de gente reunida junto à estátua central da praça. Até que, estávamos a meio da noite, entram pelo salão, de rompante, um monte de policías, de cacetetes (belo francesismo!) em riste. O meu pai só teve tempo de me arrastar dali para fora, a correr. Quando parámos estávamos na viela dos Congregados. Era 1 de Maio, dia em que uns quantos corajosos, poucos, desafiavam a ditadura.

 

Não sei se naquele dia, à semelhança dos outros, fizemos a ronda da ordem, Congregados era sinónimo de bacalhau e branco para eles, sumol para mim, no Onix marchava uma sande de lombo com presunto, para acabar. Que já eram horas. A não ser que fosse uma daquelas noites quentes, nesse caso ainda passávamos na Adega da Cerca. Para o caminho.

 

Aquele era um dos pontos altos das minhas semanas naqueles anos. Tantas e tão boas horas passadas na companhia daqueles homens,  honestos e ingénuos trabalhadores. Ainda hoje me pergunto como conseguiram ensinar o caminho aos velocípedes! Preços a pagar!

 


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semtelhas @ 13:38

Sab, 02/06/12

Ao rever Catherine Deneuve, devastadora paixão platónica da minha adolescência, a que não terá sido estranha a visão muito prematura de La Belle du Jour, recuei ao periodo imediatamente após o 25 de Abril, no qual foram cometidos os mais variados excessos revolucionários dos quais invasão e exibição de filmes anteriormente proibidos, sem qualquer critério sobre quem os poderia ver, terá sido um dos menos graves.

 

 

De Bunuel, além do já referido La Belle du Jour, no qual abundam cenas sado-masoquistas, vi ainda Via Láctea, descrição do percorrer do caminho de Santiago da forma menos convencional que se possa imaginar e, durante o mesmo, a religião e as crenças que caracterizam aquela peregrinação são tratadas da forma mais rude, para muitos abjeta, que se possa imaginar.

 

Do espanhol Arrabal vi dois filmes absolutamente surpreendentes, pelo choque que em mim provocaram, ainda hoje tenho bem gravadas na memoria algumas das imagens de Viva la Muerte e Irei como um Cavalo Louco. A guerra civil espanhola, o sexo, a familia, a bestialidade, etc., tudo misturado numa sucessão de imagens verdadeiramente surrealistas. Literalmente já que este realizador era grande admirador deste movimento.

 

Pasolini considerava-se discípulo do Marquês de Sade ( do qual destaco o impressionante A Filosofia de Alcova, o qual podemos classificar, sem exageros, como a defesa e demonstração, teórica a prática, da mais depravada forma de ver a vivência humana ). Dos vários filmes que vi deste realizador italiano, o primeiro, no tal tempo revolucionário, foi o arrepiante, 120 Dias de Sodoma. Itália fascista de Mussolini em 1944, uma mansão afastada, fascistas completamente degradados sobre todos os pontos de vistas, e uns quantos adolescentes. Verdadeiramente arrasador.

 

Menos marcantes lembro-me ainda de Contos Imorais, sobre uma iniciação sexual nada convencional, A Mãe e a Puta, dissertações sobre ménage à trois, e a Grande Farra, que foi para mim a primeira abordagem sobre as loucuras do consumismo, o desperdicío e a miséria moral que daí derivam, e que mostrava quatro senhores bem colocados na sociedade, das mais "nobres" profissões, a cometerem suicídio por via da ingestão de comida até à morte, só momentânea e raramente interrompida, como que para "tomar lanço", quando utilizavam uma prostituta contratada para o efeito ( aliás, ela própria, a imagem da gula).

 

Excessos foram cometidos, estes terão sido dos menos graves, tanto mais, que nesta mesma área do cinema, nesta mesma leva, chegaram também muitos outros filmes, alguns deles bem mais estruturantes.


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semtelhas @ 13:53

Sex, 01/06/12

Gonçalo Tavares, Suu Kyi, Soromenho Marques, Merkel, Obama, jovens, alta finança, etc.. O que é que têm em comum e de diferente os nomes, ou grupos, nomeados? Uns querem a mudança os outros a continuidade.

 

Conceitos como "a moral das máquinas", a aclamação da eficiência, da competência, em detrimento da moral assente nos afetos ou na solidariedade. A necessidade urgente de encarar o investimento como um meio para criar empregos com o fim de diminuir a pobreza da maioria,  que tem crescido em número e gravidade, e não aumentar a riqueza de alguns, que são cada vez mais ricos. Encarar frontalmente o absurdo que é encontrar a saída para a crise no crescimento da economia, numa lógica de aumento de produção, mais oferta, mais procura, assente na criação de falsas necessidades, pela aplicação do marketing sobre as pessoas, quando é o próprio planeta que começa a dar sinais de saturação.

 

Verificar em locais públicos, nomeadamente nos transportes, a maneira como os jovens se comportam, em coisas tão simples quanto esclarecedoras como por exemplo, pondo displicentemente os pés em cima do banco onde outros se vão sentar, e sujar, e sobretudo como reagem violentamente quando chamados atenção. Continuar a assistir ás autênticas hordas de gente que o ensino vai atirando para a sociedade, depois de uma passagem tantas vezes desordeira, mas muitas mais inóqua, tanto do ponto de vista do aprendido para a futura vida profissional, como do apreendido, para uma salutar vida de partilha em sociedade. É angustiante olhar para a frente e ver o nada, para onde? fazer o quê? Mas tal não justifica a agressão sem sentido a tudo o que nos rodeia! Haverá concerteza formas mais criativas e ordenadas para mudar o estado das coisas, e com mais hipóteses de sucesso. No caso de Portugal, em particular, o ter saído de uma revolução tem tido as costas largas, tudo legitimando. Ter-se-á percebido que agora acabou? Constatar que a estes jovens, na Europa, nos EUA, no Japão, lhes foi prometido algo que não vai ser possível dar-lhes enquanto, simultânemente se estava a esvaziá-los completamente de quaisquer valores para além do sagrado TER, em nome da tal idolatrada competência e competetividade, criando um exercito de esquizofrenia e insatisfação, extremamente bem preparado para exercer a sua alta eficiência e se tornar super eficaz na aplicação da violência, resultado da vingança pela frustração e desespero insuportáveis.

 

Se por um lado, em muitos países desenvolvidos, aparentemente ultrapassado o olho do furacão da crise, se está a voltar a mais do mesmo, o alargar do fosso entre pobres e ricos, por outro, alguns homens poderosos, independentemente das suas razões mais profundas, humanistas ou calculistas, doaram boa parte da suas incomensuráveis fortunas para causas que favorecem a diminuição desse fosso. Seria bom que muitos outros os emitassem, percebendo que não há outro caminho que não seja uma mais equitativa distribuição da riqueza. Caso contrário, e como é costume, quando a barragem não mais conseguir suster a força do desespero e a desesperança passar, em  definitivo a reinar, vai tudo à frente da enchurrada. Como diz o povo, na sua infinita sabedoria: quem semeia ventos colhe tempestades.

 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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