semtelhas @ 12:35

Qua, 14/03/12

Hoje estava frio na praia. Memórias. Dez quilómetros, a correr, a chuva, o vento e o frio. Na face e nas pernas as picadas geladas do granizo e da areia. A alegria plena de estar vivo, senti-lo. Como nunca. Nunca mais.

 

Depois o encontro no café. Com o trágico/circunspecto Zé, com o Ginja, o bom gigante, o esperto Tó, o líder Alfredo, o sofredor Martelada e mais um ou outro poeta, e um ou outro (mais) desajustado, como se chamava aquele que partiu as caixas de vidro com anúncios, das paragens de autocarro, desde o Monte da Virgem até ao Jardim do Morro? Elas eram, a esfíngica Liliam, a divertida Maria, a intelectual Manela e a andrógina e sensual Graça. Os tempos, esses, eram revolucionários. Para o provar lá estão as marcas na parede exterior da casa do Alfredo ( por onde andas? ainda existes? ), por cima do Mucaba. Nós a navegar em substâncias várias, ao som do "Riders on the Storm", chorado pelo Jim Morrisson, "girl you gare love your man, taking by the hand, maki'm understand", e, lá fora, choviam balas, as núvens estavam no quartel da Serra do Pilar. Outras tempestades.

 

As tardes de cinema. As tardes e algumas noites, nas salas e no cineclube. Uma orgia de filmes, Arrabal, Pasolini, Marlon Brando e, meu deus! Maria Scheneider, e Bergman, e Bruce Lee, e, e, e..., ou então as tardes no Majestic, lá ao fundo, nos sofás, já a degradar-se. Os livros, Kafka, Duras, Boris Vian ou Sartre, e as idéias, Marx, Engels ou Mao? As ainda não utopias. E, já (!) o esoterismo. O Espelho dos Mágicos, promessas de outras vidas. Profundas dissertodiscussões sobre o futuro do mundo, bem alicerçadas nas frequentes viagens ao jardim, lá fora. Fumegantes banhos de inspiração.

 

À noite, as viagens íam do terno ao pesadelo. Umas cervejas, para começar. Todos os gatos são pardos. A trágico/comédia, alimento de sonhos juvenis. O X, o rapaz ruivo, alegre e brincalhão, coração grande, morreu, hoje de tarde, overdose. O Y , o falinhas mansas, tem, para irmos a casa dele, corações pequenos. No fim também caem na ratoeira. Quase todos. Passa o Z, a roçar-se, brutalmente, pela parede, cheio de heroína. Para esquecer. Lá vamos, pelas escadas de serviço da ponte D. Luís, por baixo do tabuleiro superior. O gozo da vertigem, o chamamento do abismo. Outros cafés. Outras paragens. No Piolho, encostado à parede, numa mesa ao canto, uma cabeça em cima da cabeça. A cavalo.

 

Viagem ao fim noite. Ressaca. Epílogo diário. Mais uma para o caminho. Anestesias. Face a face com o vazio e a omnipresente líbido. Cinco contra um. Esvaziamentos. No horizonte a boleia de um camião qualquer. Rumo à liberdade. 

 

Hebe

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semtelhas @ 12:17

Ter, 13/03/12

Vozes da Primavera - Johann Strauss

 

Passear, demoradamente, detendo-nos em cada detalhe, as ervas e as flores, as folhas e as árvores, os rios e as margens, o céu as núvens e o sol ou as mulheres, difusas, as mulheres todas, feitas natureza, origem, beleza intrínseca, sós ou com crianças pela mão, a ingenuidade, a pureza, fruto, também elas embaladas pela brisa que sentimos, fresca na face, suave e morna na alma, descobrir a essência, tranquilo despertar para o primordial, a comunhão, por fusão, com a natureza.

 

Vermelhos, laranjas amarelos exaltantes; brancos, castanhos, bordeaux e magentas estruturantes e azuis e verdes pacificantes e esperançosos, mistura absorvente, abismo, no qual nos precipitámos, numa queda longa, tranquila e salvadora.

 

É ali, na absorção daquela magnifica explosão de côr, sussurantes movimentos e quase inexplicável sensação de perfeita harmonia, festejo e consagração do atingir de um climax, junção de todos os elementos, da terra nascidos e dela renascidos, elipse cumprida, é ali, que podemos ouvir as mais belas sinfonias, só audíveis na mente, e adivinhar as mais eloquentes palavras, indizíveis e, no entanto gravadas a fogo na, antes, cínica porque irónica e sarcástica razão.

 

Cézanne, Monet, exemplos entre tantos outros. Cada um tem os seus. Seres raros, visionários que nasceram para iluminar a vida dos outros, quase todos. As suas obras são gritos, maravilhosas chamadas de atenção para a beleza do que nos rodeia, do muito que pode representar nas nossas vidas, assim tenhamos  disponibilidade mental, e a capacidade de resistir às cortinas de fumo, filtros inibidores, maléficos, que mantêm os medos, estados se susto, de animais acossados. Em tudo se pode encontrar a beleza, depende do nosso olhar.


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semtelhas @ 20:49

Seg, 12/03/12

Por razões que agora não interessam o rapaz viu-se obrigado a cortar o pescoço à mãe. Ía ele a correr, em fuga, com a cabeça debaixo do braço, quando tropeça, cai, e ouve a cabeça dizer: magoaste-te? estás bem filho?

 

É este tipo de amor, aquele que vem das entranhas, nem sempre completamente explicável, que tenho pelos grupos Grunge em geral e pelos Pearl Jam em particular.

 

 Acredito que estes grupos estão para os dias de hoje ( do meu "hoje" ), como os Stones, os Sex Pistols, os Doors e outros estiveram para outras épocas, também por mim vividas, projetos de rebeldia, alternativos, simbolos do não alinhamento com o estado das coisas. Se os Stones ou os Deep Purple deram o ritmo, e os Doors primeiro, e os Pink Floyd depois, os conteúdos, os Perl Jam fizeram a síntese.

 

Não foram o grupo fundador deste género de rock, nem sequer o mais conhecido, aqui os Nirvana sê-lo-ão concerteza mas, talvez não pelas melhores razões. Como em muitos outros casos, o desaparecimento prematuro da alma do grupo, Kurt Cobain, deu-lhe o selo da intemporalidade.

 

Já Eddie Vedder está ali para as curvas. Compõe, canta e salta que se farta, não deixando de revelar, bem fundas, as marcas do Grunge: desconstrução da ética e da estética dominantes, reclamando-as para que sirvam a transparência da verdade, o sabor da liberdade, tocando-o e cantando-o por todo o mundo há mais de vinte anos. Acompanhado por músicos à altura, oferece-nos desempenhos sempre no limite, sobretudo nas atuações ao vivo.

 

Banda profundamente politica, completamente comprometida com essa ideia ( peregrina? ), de que é possível mudar, ou no mínimo ir tornando a sociedade mais respirável, sem ter que se recorrer à violência mais básica. E como lhes teria sido fácil alinhar pelo ruído reinante! Desde as baladas às mais puxadas, todas ou quase todas as músicas do grupo, além de sensacionais, fazem sentido.

 

Veremos por quanto tempo mais vamos tê-los por aí a sacudir-nos com baladas e trovões. Enquanto mantiverem a energia e a clarividência ao nível a que nos habituaram, e de que tanto estamos necessitados, vão continuar a ser um farol, dos bons, altos e luminosos, para muita pequenada, e não só, por esse mundo fora.

 

 

BLACK

Hey...oooh...

Sheets of empty canvas,

Untouched sheets of clay...

Were laid spread out before me

As her body once did.

 

Oh all five horizons

Revolved around her soul

As the earth to the sun

 

Now the air I tasted and breathed

Has taken a turn

Oh and all I taught her was everything

Oh I know she gave me all that she wore

And now my bitter hands

Shake beneath the clouds

Of what was everything?

 

All the pictures have

All been washed in black,

Tattooed everything

 

I take a walk outside

I'm surrounded by some kids at play

I can feel their laughter so why do I sear?

 

Oh and twisted thoughts that spin 'round my head

I'm spinning, oh, I'm spinning

How quick the sun can drop away

 

And now my bitter hands cradle broken glass

Of what was everything?

All the pictures have, all been washed in black, tattooed everything...

All the love gone bad

Turned my world to black

Tattooed all I see, all that I am, all I'll be...yeah...

 

Uh huh, uh huh, oh

I know someday you'll have a beautiful life,

I know you'll be a star,

In somebody else's sky,

But why, why, why

Can't it be, oh can't it be mine?

 

 


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cores da lua @ 23:33

Dom, 11/03/12

“Before I Die” projecto de arte, interactivo, que convida o público a partilhar as suas esperanças e os seus sonhos, no espaço público.

Projecto Arte  A ideia, não deixa de ser interessante pela forma como se apresenta mas, a receita baseia-se nas famosas redes sociais, Facebook, Twitter, Blogs . Cada um, partilha as suas ideias, emoções, pensamentos, com uma audiência quase ilimitada, e, em grande parte, totalmente desconhecida. É um registo de boas intenções.

 

Hoje, longe das redes sociais, eu e um grupo de amigos (amigos, que se conhecem, mesmo) partilhamos uma bela tarde, onde cada um se riu, falou de disparates e coisas sérias, debateu ideias e ideais, apreciou a natureza, o sol, o convívio, o episódio da esplanada, onde um desconhecido ousou provocar-nos porque entre nós alguém fumava e respondemos com outra provocação, no fim, todos nos riamos, do momento e da boa disposição. A nossa tarde, era o nosso, só nosso, pequeno mundo, partilhado pelos nossos 5 sentidos, e isso chegou para nos fazer felizes.

 

Contradição. Porque estou agora a partilhar, nas redes sociais, este belo pedaço de tarde? Se o nosso pequeno mundo, nos fez felizes, não chega? É preciso partilhar? Temos uma necessidade enorme de ter alguém que nos ouça, mas, não menos importante do que ter alguém que nos “ouve” é ter “alguém” que guarda e recorda de forma intemporal e, até mesmo, incondicional, o que nos passa pela cabeça, pelo coração. Estamos, a cada dia, mais conscientes do inevitável , “After I Die”.

 

Só por isso, acho eu, não nos importamos de falar para as paredes!

 


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semtelhas @ 13:00

Dom, 11/03/12

Não tenho tempo, estou muito ocupado(a), é muito urgente, e, depressão, cansaço, fadiga, etc., são expressões que ouvimos sistemáticamente, provenientes, na maioria dos casos, de pessoas com algum tipo de atividade profissional, aparentemente sujeitas à pressão exercida pela entidade patronal ou quem a representa. Em princípio escaparão ao tédio provocado pelo vazio, mas estão muito mais sujeitas a cair nas garras do tédio provocado pelas rotinas, seja ele provocado pela repetição da execução de tarefas, seja pela exaustiva procura de, não o fazendo, convencer-se a si,e aos outros de que se está a trabalhar. Depois há ainda o caso, em muito menor número, daqueles que já tendo práticamente tudo, precisam de enormes motivações para exercer as suas, em princípio muito atrativas e nada entediantes profissões, caso contrário também eles acabam por ser dominadas pelo veneno do desinteresse. Vem a talhe de foice o FCP-Académica de ontem. Aquele magnifico grupo de jogadores portistas só funcionam como equipa, e das boas, nas segundas partes dos jogos, quando se torna imprescindível correr, dar o litro, ou então se do outro lado estiver uma equipa estimulante, que obrigue a empenhos sérios e desde o primeiro minuto. Casos do City ou do Benfica. É por isso que dando muito jeito ter treinadores que percebam muito de bola, dá muito mais tê-los guerreiros, provocadores, entusiastas. Houve um tempo, triste, diga-se de passagem, em que por ser repetidamente prejudicado e perseguido, o FCP teve necessidade de juntar tropas, levantar barreiras e, qual animal acossado, contratacar com ferocidade, empenho e convicção. Batalha após batalha, fazendo uso, aprendendo e aperfeiçoando, das mesmas armas que os inimigos, acabou por ganhar a guerra. Hoje, mais de três décadas depois, o inimigo é outro, chama-se desleixo, irmão da insegurança, e, por viver dentro e da organização, exige outras respostas.: motivação e entusiasmo. Então e o que dizer daqueles que sempre que enfrentam o dia que se segue não encontram, digamos, qualquer obrigação a cumprir? Qual o nível de tédio? Uma vez esclarecido o erro de cair na mais que falível tentação do, a necessidade aguça o engenho, diria que a solução passará pela resposta, sincera, à pergunta: o que gosto mesmo de fazer? e, depois fazê-lo. E, não tenhamos ilusões, o dificíl é encontrar a resposta, porque a ação, se formos realmente sinceros, será instintiva. Há um sem número de reflexões sobre esta matéria e correspondentes conclusões ou pistas, desde as mais apocalipticas, que foi o profundo estado de tédio que deu origem aos piores males, às mais bondosas, que deu origem ás mais iluminadas religiões e filosofias. Provávelmente, e como é normal, ambas as hipóteses terão algo de verdadeiro. Sobra a insinuante, porque sinuosa, perceção, só nos empenharemos em absoluto em atingir um objectivo de desejármos absolutamente a retribuição correspondente. Todo o enorme e cinzento caminho até se atingir este estado ideal de entusiasmo, mais não é que uma crescente sensação de mortal aborrecimento.


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cores da lua @ 21:19

Sab, 10/03/12

Cezanne Gauguin

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semtelhas @ 13:00

Sex, 09/03/12

Alguém escreveu, li há dias, que somos controlados por psicopatas. Sombrias, desconhecidas e poderosas  criaturas, que mandam no mundo, imanando as suas leis, algures, dos bastidores das maiores organizações globais. O adjetivo passa a fazer mais sentido após o visionamento do filme, O Dia Antes Do Fim.

 

Através de um argumento construído sobre os factos recentes relativos à crise financeira de 2008 nos EUA, e recorrendo a um naipe de atores de grande categoria, essencial para um filme sem truques, que vive quase exclusivamente das magistrais interpretações destes, o realizador tenta mostrar-nos, por dentro, o que aconteceu.

 

À parte a questão mais técnica, básicamente o enriquecimento pela inflação virtual e falsa de ativos e o desmascaramento consequente,  tanto inevitável quanto fatal, percebemos sobretudo a dimensão da miséria humana de que se alimenta o monstro. Cientistas, engenheiros e outros que trocaram a vocação pela ambição, pessoas brilhantes, normalmente jovens e ingénuos, autênticas formiguinhas do processo, orientados e dominados por "homens do presidente", cinzentos personagens, primeiro vencidos e depois vendidos a estes, decisores para a manutenção dos que interessam, crivo pelo qual também eles já passaram, descartando os muitos que vão perdendo o entusiasmo inicial, empurrando-os para o rebanho comum, garantindo assim altos níveis de ambição, verdadeiro alimento para a substência da máquina. Elos mais fortes, pela sua fraqueza, tanto na desistência de subir no organigrama do poder, como na indignidade, frieza e falsidade utilizadas no dominio e tratamento sobre a "carne para canhão", autêntico vómito de frustrações, que são aqueles que teriam concerteza sido, pelas suas capacidades e brilhantismo, importantes ativos da sociedade. No topo, teto do mundo, no último andar, do mais alto edifício, da mais poderosa cidade, a cigarra. Ciente do seu poder, a todos os níveis, verdadeiramente poderoso, fica sempre a ganhar. Discurso coerente, racional, invencível. Fraquezas, fragilidades, incapacidades? Abjetas repugnâncias. O que têm eles a haver com isso?

 

Desesperança, no sentido da falta dela e de morno desespero, perigosamente perto do ódio, pode sobrar da constatação da impotência perante tal cenário. Ou não. Há sempre a opção de não alinhar, viver à margem, não dar mais para esse peditório. E os custos? Onde fica a ambição? E o olhar dos outros? E o medo? E a culpa? Que vida?

 

Caminhando, a alinhar mentalmente este texto, uma aparição, junto ao carreiro, dois carrinhos de bébé, de brincar, cada um deles com uma boneca de pano dentro, ambos ornamentados com flores silvestres de várias cores, ainda agora colhidas e já caídas, a efemeridade comum aos momentos e à beleza, quando intensos. Um pouco à frente dois idosos, talvez avós, e duas meninas de três quatro anos, gémeas?, a brincar na areia. A procura de uma educação alegre e ternurenta, na pureza do ar livre. Realidade, ou ilusão? Liberdade ou (verdejante) pasto para psicopata?


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cores da lua @ 00:05

Qui, 08/03/12

A vida dá-nos as respostas, mas, a morte, muda-nos todas as perguntas.

 

 


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semtelhas @ 13:35

Qua, 07/03/12

 

Quando perdemos alguém que nos era próximo, e se, por necessidade ou escolha,  passámos as últimas horas de presença do corpo entre os vivos, pode acontecer algo extraordinário.

 

Quando olhada aquela pessoa, que estávamos habituados a reconhecer pelo seu corpo e através de uma qualquer expressão, corporal, facial ou verbal, e somos confrontados com a inação absoluta do primeiro e completa ausência dos segundos, fica a estranha sensação de estarmos na presença de algo que nos é desconhecido, estranho, como se visto pela primeira vez.  No entanto, se recorrermos à memória, aí está de volta a pessoa que nos é querida. Tão presente na nossa memória quanto aquele corpo que olhámos.

 

Perante este sentir as coisas, perde muito sentido todos os sentimentos pungentes e toda a visão de dilaceramento manifestada pelas pessoas diante aquele corpo, e pela eminência do momento em que vão perder, para sempre (?), a possibilidade de o ver. Arriscaria até a pensar que boa parte dessas manifestações de desgosto têm muito a ver com autocomiseração, própria de quem vê parte do equilibrio do seu pequeno mundo ser destruído.

 

Num passado não muito longinquo o convívio com a ideia da morte era mais natural, uma espécie de colaboração positiva com o inevitável. Hoje, talvez porque o prolongar da existência das pessoas, muitas vezes sem a qualidade minima para que pode ser entendida como vida, represente o dar continuidade a chorudos negócios, está quase interiorizada a ideia de que somos eternos.

 

O nosso total e efetivo desconhecimento no que à existência, no sentido mais intrinseco do termo, diz respeito, talvez aconselhe à renúncia de dogmatismos, e a um abrir da mente a todas as possibilidades, consubstânciado num exercício, positivo, tranquilo, de dúvida sistemática, todo um mundo de possibilidades, as quais ninguém está, de facto, na posse de conhecimentos capazes de lhe conferir autoridade para as  negar.

 

Uma vez percebida a infinitude da nossa ignorância todo o tipo de dogmas da vida e, em particular, aqueles cuja incidência é sobre matérias muito sensiveis, talvez mereçam a nossa interrogação. Estar perante um cadáver que conhecemos, desconhecê-lo enquanto ser próximo e reencontrá-lo, enquanto pessoa, na nossa memória, tão vivo e presente como se fosse num outro dia qualquer da sua vida, pode ser o tipo de resposta que encontremos.

 


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semtelhas @ 12:30

Ter, 06/03/12

Há para todos os gostos, politicos, religiosos, artisticos, etc..

 

Se no caso dos politicos: liberalismo, socialismo, comunismo, nazismo, fascismo, etc., ou no caso dos religiosos: cristianismo, islamismo, judeísmo, budismo, etc., poderemos pensar numa certa forma de pensar circular, como se andássemos ás voltas, a tentar apanhar a cauda, tarefa condenada ao fracasso, já no caso dos artísticos, parece assistirmos a um evidente andar para a frente, avançando em linha reta.

 

Tomando por exemplo a pintura, numa interpretação mais ou menos livre, deixando para trás séculos de evolução desde as pinturas rupestres, passando pelos renacentistas, e refletindo sómente em alguns ismos, podemos perceber a tal evolução em linha reta. Senão vejamos: no realismo o artista tentavam retratar da forma mais fiel possível o que via; o impressionista dáva-nos o sua versão livre do que olhava; o expressinista a sua própria interpretação da realidade apreendida; o surrealista distorce-a e oferece-nos um primeiro vislumbre extrasensorial, para, finalmente, a pintura contemporânea, nos convidar a um quase exclusivo esforço de imaginação rumo a um qualquer sentimento. Todo um caminho percorrido, perfeitamente detetável, de fora para dentro, dos sentidos para a mente. A marca de água do sentido evolutivo deste caminho será, porventura, o facto dos pioneiros de cada uma destas fases serem, quase sem exceções, ostracizados e até perseguidos pelas sociedades vigentes, ao contrário do que sempre aconteceu na politica ou na religião, onde são sempre idolatrados.

 

Na verdade sempre que pensámos em ideias, ou filosofias, politicas e religiosas, ficámos com a sensação do tão pouco que se evoluiu, leiam-se os gregos,os romanos ou Confúcio, Cristo, Maomé ou Buda. Bem pelo contrário, tendo como padrão a liberdade do homem, no sentido da não exploração de fisica e/ou mental de uns por outros, chega-se à amarga conclusão que, sempre que parece encontrado o caminho certo, cai-se numa espécie de triste fatalismo feito de retrocessos.

 

Suportada, para o bem e para o mal, pelo pragmatismo da ciência, parece ser a arte nas suas variadas e sempre evolutivas formas de expressão, quanto poderíamos refletir sobre, por exemplo, música e literatura !, que melhor consegue, senão a atingir esse intemporal desiderato da humanidade, tornar a sociedade mais justa, feliz e harmoniosa, pelo menos a minimizar o fracasso e a ajudar a aprender a defrontá-lo, dia a dia. Assim tenhamos todos os sentidos bem atentos e disponíveis para aceitar e absorver o tanto que ela tem para nos oferecer, armas indispensáveis para sobreviver às constantes vagas de ruídos em que tentam afogar-nos.


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cores da lua @ 20:22

Seg, 05/03/12

"I'm a photographer. I'm an artist. People often ask me how I can create such things... and I always say that it has just come into my mind. But it's just partly true. I love to read, and all of the scenes I imagine burn into my mind, mix up with other books, memories, feelings, and become dreams. Dreams are the powerful sources of ideas. I'm a dreamer, and I don't be afraid to show off my dreams because they're all made up from all the beauty I've read and learn in my life. So thank you, books!"

 


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semtelhas @ 13:17

Seg, 05/03/12

Quando acabei o meu segundo romance de Jonathan Franzen, Liberdade, que tinha sido imediatamente antecedido de outro, Correções, fiquei com as sensações provocadas pela leitura simultânea de Irving Wallace e Philip Roth, o populismo da leitura fácil do primeiro atravessada pela intensidade psicológica da do segundo.

Ambos relatam as contingências da vida de famílias norte americanas da classe média alta, desde meados do séc. passado aos nossos dias, os erros cometidos, as correções, a liberdade. A arte de juntar o melhor de dois mundos, ser simultaneamente popular e profundo não é fácil, poucos o terão conseguido, estas duas obras são, talvez, uma aproximação ao sucesso desse, eventual, objetivo.

Raramente o leitor se terá sentido tão dentro da estória, repetidamente calçando as botas das personagens, vivendo e compreendendo as opções destas, para o bem e para o mal, constantemente surpreendido com as semelhanças entre a fição e a sua própria realidade, fazendo-o refletir até que ponto, em determinados extratos, enfrentámos os mesmos problemas, independentemente de onde vivemos.

Demonstrativa de uma enorme sagacidade, inteligência e sensibilidade na forma como olha, e nos vai descrevendo, os componentes das famílias que vamos acompanhando, ao longo de décadas, o autor vai-nos dando um certo retrato dos EUA, que incidindo sobretudo na forma como os pais vão educando os filhos, acaba por ser muito mais que isso, começa aí mas vai-se alargando a tudo o resto acabando por se tornar num verdadeiro descodificador da vida e, porque não? uma antecipação do que virá a acontecer em sociedades em anteriores estados de desenvolvimento.

Não escapando a uma determinada, e aliás absolutamente assumida, forma de olhar a sociedade, os seus problemas e soluções, apoiando claramente Obama, optando por políticas de proteção do ambiente e defensor de uma educação aberta e participada, a leitura deste autor não é redutora porque nos mostra os dois lados, o quadro todo, tornando-se, também por isso, fascinante e, sobretudo se lida seguida, imparável, de tal forma nos envolve com a sua, sempre presente, verosimilhança.

 


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cores da lua @ 14:00

Sab, 03/03/12


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cores da lua @ 19:45

Sex, 02/03/12

 Vincent Van Gogh

 

 

Louis Van Gaal

 Anne Frank

 Kader Abdolah

By Van Wantern


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semtelhas @ 12:53

Sex, 02/03/12

trailer

 

Carnificina e Vergonha são dois filmes maiores e, de certo modo, complementares. Um causa o outro efeito. Digamos que o nome do primeiro se cumpre no segundo. No mesmo cenário, Nova Iorque, para os ingénuos metáfora, e para os, poucos, restantes, paradigma daquilo que é o mundo superdesenvolvido hoje.

Causas: pais sempre insatisfeitos e supercompetitivos. Uns superprotetores, ultramodernos(?) e permissivos, outros exigentes, tecnocratas e implacáveis. Ambos dominados por uma hipocrisia dita civilizada, seguramente civilizacional, e só, finalmente, vencida por uma, por todos benvinda, sessão de copos. Ambos atirando sobre os ombros dos filhos o insustentável peso das suas frustrações, procurando a sua própria redenção por via destes.

Efeitos: seres para sempre inconformados, sedentos de algo palpável, literalmente, predadores lascivos na sua viciante procura de carne, de carne, de carne. O orgasmo metáfora do prazer de adquirir, de ter mais e mais.

Prazeres superficiais, nunca devidamente interiorizados, nunca suficientemente saciados. Vicio tanto mais dificil de vencer, quanto também correspondente a uma necessidade humana, e, por isso de dificil definição de fronteiras na hora de as traçar: desejo ou hábito, amor ou luxúria, prazer ou desespero. No fim, vergonha.

Provávelmente não haverá doença mais disseminada nem industria tão rentável como são o vício em sexo e os inúmeros e megarentáveis negócios que este gera.

Não deixa de ser, ao mesmo tempo, curioso e esclarecedor como duas obras destas são tão olimpicamente ignoradas pelas pessoas que nomeiam os candidatos a óscares. Curioso porque os critérios são de facto, em boa medida baseados na qualidade, simplesmente só para quem funcione segundo as regras do sistema. Caso contrário muito haveria a nomear por aqui. Esclarecedor porque nos diz algo sobre essas pessoas, afinal de contas muitas das quais vivem nas partes mais altas dos arranha céus de Nova Iorque ou nas sumptuosas vivendas dos arredores de Los Angeles e, cujos filhos se prostituem virtual e objetivamente pelas lojas, discotecas mais caras do mundo e, alguns deles, acabam a definhar em antros de perversão e decadência fisica e moral da pior espécie, os disfarçados.


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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