semtelhas @ 10:48

Ter, 20/03/12

De crescimento em crescimento até à explosão final.

 

Chame-se-lhe o que se quiser, pessimismo, derrotismo, fatalismo ou realismo, é facto que se somarmos tudo ao que se tem escrito sobre o momento económico-financeiro atualmente vivido pelo mundo desenvolvido, o advento do crescimento das economias emergentes, a situação não muito diferente do habitual estado caótico ( seguindo os valores "ocidentais" ) do resto do mundo, sempre sob o jugo dos interesses politico-estratégico-militares dos outros, e se, finalmente, enquadrarmos tudo isto num, largo, cenário histórico, concluímos que estamos a assistir a mais um fechar de ciclo.

 

A má noticía é a histórica irreversibilidade quanto à forma como os ciclos terminam: à força.

 

Quando olhámos para o mundo e vemos a UE, os EUA e o Japão a discutir novos paradigmas para a humanidade, e a China, o Brasil, a Índia,  a Russia, entre outros, a esfregar as mãos de contentes com os altos níveis de consumo das populações, e apelidando os problemas existênciais do 1º mundo de disfarçados lamentos de quem foi descoberto, de quem perdeu a mama ( atente-se no caso do sueco que vociferava contra os brasileiros porque queimam  a amazónia, pulmão do mundo, e a forma como Lula da Silva lhe respondeu: falas assim por já tens tudo e nós nada, por isso: cala-te ).  Se fazemos parte do primeiro grupo, talvez seja chegada a altura de percebermos o quanto temos sido egocêntricos e da necessidade de olhar para além do nosso próprio nariz.  O globo, sendo cada vez mais pequeno, mantém-se muito e, surpresa das surpresas (?) cada vez mais assimétrico no que a bens dísponiveis diz respeito.  Não é preciso ir longe. Basta olharmos para o que se passa dentro de casa, leia-se UE, com as enormes dificuldades em harmonizar ricos e pobres. Ninguém abre mão do que tem, poder ou riquezas. Basta haver eleições para que o conteúdo de centenas de discursos desapareçam como manteiga em foçinho de cão, rápidamente lambidos e disfarçadamente engolidos. Questão essencial: se os pobres fossem os ricos fariam de maneira diferente?

 

 

Talvez seja uma questão de natureza. E, se de natureza se tratar pois olhêmo-la e aprendamos. Será que nesta algum ciclo recomeça sem que outro termine com mais ou menos violência? Atentemos no equilibrio alimentar da savana e ao que pode levar a agressão de esta ou aquela espécie. Lamentávelmente as elegantes e formosas gazelas têm, fatalmente, que ser rasgadas, dilaceradas e engolidas pelos implacáveis e insaciáveis felinos que, no entanto, por insuficiência de meios, deixam agarrados aos ossos das carcaças os restos, subsistência de hienas e abutres. Conhecemos este jogo. A renovação, o (re)nascimento sempre é feito com dor.

 

Não é razoável pensar ou querer que quem tenta dominar uma situação absolutamente anacrónica, baseada no consumo e no qual este significa o seu maior cancro, abra o jogo. Seria uma desistência. Umas vezes pelas melhores razões, a esperança que com perseverança, paciência e tolerância, se poderá conseguir um parto menos doloroso. Outras, pelas piores, o aproveitar dos períodos de decadência, a exposição dos fracos, e vendendo balas ou artigos nos média, tentar sacar enquanto dá. Porque o tempo se está a esgotar e, aqui, estamos todos de acordo.

 

No fim uma nota de esperança. Talvez aquele pequeno salto em frente que sempre se dá nestas circunstâncias e a que chamámos evolução. No Reino Unido, quando se faz o orçamento para o ano seguinte, para além de todos aqueles rácios de que ouvimos falar, provenientes, exclusivamente de noções de economia, e ainda que desta também façam parte alguns de teor, digamos para simplificar, humanista, vai passar a constar um, com um peso específico importante, nomeado: qualidade de vida. A qualidade do que se come, do ar que se respira, da realização pessoal, etc., etc,. Assim uma espécie de índice de felicidade. É suposto medir tudo isto com base em tabelas universalmente aceites e depois fazer afetar as contas finais do orçamento com os resultados obtidos, de forma a corrigir politicas no sentido de que se vá melhorando a qualidade de vida das pessoas, sem que isso signifique que elas passem a ter mais dinheiro para mais poderem consumir, mas que sejam mais felizes. Talvez daqui nasça algo que atravesse gerações, fronteiras e até culturas, fruto de um parto do qual ninguém sabe a dimensão da dor. 

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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