semtelhas @ 12:06

Seg, 04/11/13

 

Os dias vão-se sucedendo, cada vez mais iguais, cada vez mais pequenos, aquela sensação do corredor de maratona que sentindo as pernas a falhar, o ar a faltar, começa a viver com maior intensidade o momento de cortar a meta, como se isso o poupe à dor quando na verdade lhe diminui a preciosa tomada de consciência de cada segundo que passa, aparentemente reduzindo o tempo que falta para lá chegar, mas só lhe roubando a uma vivência crescentemente tanto mais dificultada pela erosão do corpo, quanto desejada pelo intrínseco e incontornável apelo da mente, a esperança. Uma conta de subtrair apenas razoávelmente suportável quando efetivamente assumida.

 

A inevitável decadência fisíca e mental não raras vezes conduz a um estado de tristeza mais ou menos latente, antecâmara de uma espécie de desistência, não do cumprir das regras mais básicas, e até mais do que essas, de sobrevivência, mas daquela maneira de estar que realmente faz andar a roda e que é própria de gente longe, ou pelo menos ainda ignorando o tal apertar do cerco que a partir de determinada idade se faz sentir e à qual cada um responde o melhor que pode e sabe. O entusiasmo puro, a alegria transbordante, o ribombar de uma gargalhada bem sonante, as vigorosas demonstrações de força e energia dão lugar a outras posturas bem diferentes.

 

Para além da atitude, dita inteligente, e seguramente positiva da manutenção de uma atividade fisíca e mental sistemática e equilibrada, adequada às necessidades e idiossincrasias de cada um, o que verdadeiramente ajuda a compreender e aceitar aquilo que é este grande enigma ao qual chamámos vida, esta existência aqui, algures entre, e fazendo parte do desconhecido, é quando da circunstância de nos ser permitido sentir, sobretudo quando de perto, esse fenómeno vital e absolutamente único da gestação humana, com toda a sua sábia e limpa força de iniciação. O mais extraordinário é o poder avassalador que traz consigo, mesmo quando ainda não passa de uma possibilidade face à sua consumação plena, o que diz muito sobre questões tão etéreas como a fé, o acreditar ou o poder da vontade. 

 

Há acontecimentos que pela sua importância abalam profundamente a forma como se passa a sentir o fluir do tempo, como se, de repente, se tivésse posto uns óculos com umas lentes completamente desconhecidas. Num primeiro momento, ainda debaixo do surpreendente porque íncrivel efeito da noticía, porque há muito aguardada, porque diáriamente milhões de vezes repetida em todas as latitudes, surgem novas cores, novos contornos, a sensação de um olhar de facto renovado. Eis onde reside um espantoso milagre, na mente, enquanto se imagina o que aí vem nas suas várias dimensões. O milagre da continuidade que supera quaisquer fronteiras do tempo e dá serenidade e sentido ao aqui e agora.

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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