semtelhas @ 12:07

Sex, 20/09/13

 

Imagine-se um velho, tão pequeno, desinteressante e aparentemente desinteressado, que ninguém nele repara, ou considera insignificante. Circunstância de que o velhinho se aproveita para, com toda a sua sabedoria, se movimentar livremente e invisível entre as pessoas de uma sociedade crescentemente transparente e, por isso, como que obrigando alguns, cada vez mais, reféns da importância das aparências, viverem uma vida de faz de conta, espécie de mortos-vivos cujo principal erro é enganaram-se desde logo a eles próprios, primeiras e principais vítimas, caindo numa teia labiríntica da qual nunca mais se conseguem libertar, antes nela ficando mais e mais aprisionados à medida que aumenta o seu estrebucho, estertor de um fim sempre próximo de quem sistemáticamente caminha no abismo da mentira. Para com todas as outras, desde as mais abastadas com os seus tiques de arrogante superioridade ou indiferença, tantas vezes disfarçada por dádivas, bodo aos pobres, passando pela esmagadora maioria, inofensivo rebanho que navega ao sabor da corrente de quem sempre mais ordena, até à irremediável grunhice dos mais simples, não raro eufemismo para ignorantes, violentas e vingativas porque frustradas criaturas, o sábio e experiente homem consegue arranjar razões, nem que seja um qualquer tipo de justificação, para as respetivas atitudes, como que uma réstia de dignidade. Mas não para aquelas falsamente ingénuas, que no desespero de uma vivência vendida ao pseudopoder e à vaidade, arrastam consigo, a qualquer preço e sem qualquer pudor, para a miséria, desgraça e incurável sofrimento, todos os que as rodeiam. Para essas está reservado o inferno da indigência e da loucura.

 

 

 

 

Esse velhote é Woddy Allen, a sociedade em causa é a dos EUA, que conhece como ninguém, à qual nunca se vendeu, e as ferramentas utilizadas para nos contar primorosamente mais uma fantástica estória, é o seu argumento do filme Blue Jasmine, e Cate Blanchett com um desempenho inesquecível, que nos dão um retrato tão verdadeiro quanto perturbador dos dias que correm, e em que correm os decisores de quase tudo no mundo. O primeiro filme sério do realizador em muitos anos, o humor está pouco mais que ausente, o que leva à pergunta, o homem já não consegue achar graça a isto porque está velho e as piadas não saem, a coisa está mesmo mal? Ou então não é nada disso e o próximo filme vai ser de rebentar a rir? É que os génios são mesmo assim, deixam-nos a pensar.

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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