semtelhas @ 13:36

Seg, 09/09/13

 

Quando após aquela memorável noite, que acompanhei sem perder pitada pela CNN, em que Obama foi eleito pela primeira vez presidente dos EUA e disse para os apoiantes eufóricos a célebre frase, Sim Nós Podemos, acendeu um farol, não só para o seu país mas também para o mundo.

 

Todo o seu percurso, discurso, e a côr da sua pele, com o enorme significado histórico que representa, prometiam que algo de novo se iria passar. Ao longo destes anos, com maior ou menor dificuldade, no essencial, não tem defraudado as expectativas. A retirada do Iraque, a implementação de leis de proteção social, particularmente de saúde para todos no seu país, e a clarividência que está a demonstrar na forma de contrariar a crise social-económico-financeira, herança envenenada, não só, mas muito especialmente do seu antecessor enquanto fantoche dos mais poderosos, são as mais evidentes provas disso.

 

Enfrenta agora, com o problema sírio, o seu mais complicado desafio. Ainda há poucas horas ouvia em direto na BBC, primeiro: John Kerry, respondendo a insistentes perguntas dos jornalistas, explicar que têm imagens dos misseis com gases mortiferos, a serem disparados de zonas governamentias em direção a zonas dominadas pelos rebeldes, que a opinião pública está contra porque faz comparações com a invasão ao Iraque, o que não irá acontecer porque o ataque será absolutamente cirúrgico; logo de seguida, de Damasco, o correspondente da estação televisiva britânica, a perguntar, então porque não mostram essas imagens ao mundo?; e depois, de Moscovo, os ministros dos negócios estrangeiros sírio e russo a reafirmarem que um ataque será ilegítimo.

 

São conhecidos à saciedade as questões geoestratégicas que se jogam naquela parte do mundo, Israel vs mundo islâmico, mas também já toda a gente pôde ver imagens dos efeitos dos químicos lançados sobre população civil síria. Tentando evitar as perguntas retóricas, eventualmente viciadas por interesses inconfessáveis, as perguntas são, deixa-se aquela gente matar-se uns aos outros? essa permissividade não vai ter um preço muito elevado no futuro? aceitam-se as regras do vale tudo em nome de uma hipocrisia sem limites nas lutas pelo poder? quais os reais riscos para o mundo face à intervenção militar dos EUA, aparentemente contra tudo e contra todos?

 

Apesar do aspeto aventureiro, gosta de se fazer fotografar montado em tronco nú num alazão, enquanto espraia um olhar de conquistador sobre a fria e vasta estepe russa, Putin parece boa pessoa, mas suficientemente firme para ter os interesses instalados lá por aqueles lados bem dominados. Pela parte dos EUA terão que efetivamente proceder de forma indubitávelmente cirúrgica, depois do ataque a reação deverá ser do tipo, tanto barulho para isto?, face à quase invisíbilidade do mesmo, mas os efeitos na capacidade do governo sírio retaliar, esses sim, devem ficar claros para todos, ou seja serem nulas, obrigando Bashar Al-Assad a ceder às negociações que parece óbvio o povo daquele martirizado pais desejar.

 

Se Obama sair bem desta embrulhada cumpre mais uma promessa, e continua a trilhar o tal caminho de esperança num mundo melhor, mais seguro, mais justo e mais livre. Se não...que os deuses nos protegam.

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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