semtelhas @ 13:43

Qua, 24/07/13

 

Primeira enchente. De gente. O maré está vazante e entre o mar, estranhamente longe, o areal, enxameado de barracas, guardas-sol e toalhas multicolores, as pedras, outro, este surpreendente, areal, a lembrar o algarve, liso e molhado com espaço suficiente para minijogos de futebol, de raquetas e simples desfrutar. Pelo meio alguns pequenos, e menos pequenos, lagos onde, numa água que se adivinha tépida, pequenos e graúdos se banham alegre ou tranquilamente. Corre uma brisa morna e inofensiva como atestam as quietas e repousantes bandeiras verdes. A juntar às centenas de crianças do costume, ouçam a Manela, sala dos quatro e sala dos cinco, preparar para ir à água, gritos estridentes como resposta, formosas sereias expõem-se ao sol acariciante, ainda doce. Olhares lânguidos. Mamãs que não se enxergam exibem gorduras ao lado de papás circunspectos que estudam atentamente outras gordas, as dos jornais, e lançam disfarçados olhares para as esculturas mesmo ali ao lado.Também elegantíssimas ninfetas, imaculadas na sua intocada perfeição, deslizam em suaves, mas convictos passeios por onde vou. Lábios perfeitamente desenhados esboçam quase impercetível sorriso, que óculos escuros escondem também no olhar, adoro ver, sentir, o espanto na cara destes cotas. Senhores e senhoras muito seletos, rebanhos de populares e ruidosas famílias, atletas de verão, onde é que vocês andam quando chove, venta e está frio? esta praia é minha, todos apetrechados e reluzentes de suores entre o convidativo e o repugnante. Um casal já bem entradote, ambos ainda vestidos normalmente, optam pelas dunas apesar dos milhões de avisos, ou não viram ou não querem ver. Os piores dos cegos. O tipo de música nos bares marca territórios, samba, tecno ou Bowie escolhem e chamam clientelas. No único que está aberto todo o ano, um resistente de décadas! nada de luxos, um acolhedor barracão à moda antiga em cima da areia, duas fulanas, pode passar o cheque..., e ele no seu jeito despreocupado de quem faz daquilo vida, pode ser amanhã? é que... Lá ao longe um inusitado movimento de viaturas na estrada. Muitos a chegar. O habitual cheiro a maresia, algas e marisco, que costuma andar no ar noutras ocasiões, é substítuido por mais artificiais odores, cremes protetores, óles para fritar, vulgares perfumes. Ainda agora passou um que deve ter caído no frasco. Cá estão os meus incansáveis amigos a desimpedir o caminho. Pás, vassouras e muito para ver. Quase o tempo todo parados, a olhar. Viva! Cuidado para onde atiram a areia! Isso não é para estragar! Sorrisos, pois não, é para consolar as vistinhas. Se no inverno não deve ser fácil, imagino agora. Na volta vejo que já se livrou das cobradoras do fraque. Naquele ritmo muito próprio de quem já viu muito, que sabe o que está a fazer, prepara o enorme fogareiro, o carvão já crepita! Pousadas na mesa ao lado as travessas mostram sardinhas, robalos, lulas e, parece-me, besugos, já marchava, também uma outra com febras, entrecosto e costoletas. Sabe que quando o perfume do grelhado se começar a espalhar vão cair como tordos. A mesma crença que o faz aguentar ali, firme, todo o ano, a maior parte das vezes só para trocar comigo olhares inigmáticos, que parece dizerem, o que estás aqui a fazer? os meus, prefiro mil vezes estar aqui a ver se chove que noutro sítio qualquer a ver chover, os dele. Abençoado!

 


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"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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